FCT, HP e Reditus procuram ganhar competências em SDN

Com o apoio da HP e da Reditus, a faculdade já está a desenvolver uma rede de testes e várias iniciativas de formação.

Assinatura do protocolo entre FCT_HP Reditus

A Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, a HP e a Reditus firmaram esta quinta-feira um protocolo de cooperação na investigação e desenvolvimento (I&D) de soluções de Software Defined Networks (SDN) viáveis para comercialização. Além disso, a Reditus está interessada em captar competências e pessoas formadas na área tecnológica.

Nos termos do acordo, a FCT está a implantar uma rede de testes para ser integrada com a rede de produção do seu departamento de engenharia electrotécnica. A infra-estrutura é suportada em equipamento do fabricante, incluindo um servidor DL380, switches de rede 3800 (com suporte Open Flow 1.3), e uma controladora SDN, integrada com a plataforma de gestão IMC.

Além disso, a instituição está a reforçar o estudo das SDN nas unidades curriculares de configuração e gestão de redes e em laboratório de telecomunicações. Estão a decorrer também, no âmbito do protocolo e nascidas do contributo das empresas, três teses de mestrado centradas nos temas de:

‒ gestão dinâmica de tráfego;

‒ identificação e classificação estatística de tipos de tráfego;

‒ controlo de acesso à rede baseada em SDN.

A articulação entre as partes envolvidas na parceria ficará a cargo da Reditus, tendo sido esta a avançar com o repto de criação da parceria, segundo o director de serviços de TI da empresa, Albano Santana Ramos. A empresa contribuirá com problemas reais para propostas de projectos a desenvolver e garantirá a disponibilização do conhecimento gerado pela prática na área das redes.

De acordo com o director de I&D da empresa, Henrique Mamede, a empresa disponibilizará três trabalhadores para acompanhar a parceria, a par do gestor da parceria. Além disso, haverá uma comissão de acompanhamento constituída por membros das três entidades.

Os dois responsáveis sublinham a intenção de a organização ganhar competências em SDN, com a parceria. Também por isso, Albano Ramos acrescentou que na colaboração está a “intenção de criar ofertas de estágio e de empregabilidade”.

Paulo da Fonseca Pinto considera que as tecnologias SDN poderão criar um ambiente de negócio como o Linux gerou.

O interesse da Reditus estará mais na obtenção de conhecimento para suportar a prestação de serviços, explica o responsável em declarações ao Computerworld. Embora não negue a oportunidade de comercializar uma “killer application”, uma aplicação chave e de aceitação generalizada, para SDN.

Para o responsável, esta área tecnológica tem um enorme potencial de “resolver muitas preocupações” nos SI das organizações em vários campos: mobilidade, alojamento em cloud computing, segurança. Talvez por isso, o director-geral sugeriu a adição de outras áreas aplicacionais à parceria.

Na apresentação, o professor catedrático Paulo da Fonseca Pinto considera que as tecnologias de SDN poderão criar um ambiente de negócio como o Linux gerou. O docente destaca o potencial não só no “apoio técnico”, mas também na “consultoria operacional”, sobretudo em clientes com necessidades específicas, de “soluções à medida” – as quais são promovidas pelas SDN.

Os dois responsáveis da Reditus confirmam que o maior potencial de negócio estará para já no segmento dos operadores e das grandes empresas. Mas, tendo em conta o acesso facilitado pelas SDN a várias capacidades, com menor custo, o universo das PME também estará interessada. Face à conjuntura de incerteza económica, isso não deverá acontecer, de forma generalizada, nos próximos cincos anos, estima Henrique Mamede.

Outras parcerias podem surgir

Embora a Reditus tenha manifestado ao Computerworld abertura para outros parceiros participarem na colaboração com a FCT, a HP quer manter a parceria fechada, segundo Fernando Teixeira, director da HP para a área de networking. Pelo menos, perante outros parceiros empresariais.

Apesar disso, Henrique Mamede considera que a ideia da colaboração é criar uma “comunidade” em torno das SDN. E isso talvez seja mais possível de outra forma.

Fernando Teixeira revelou que a multinacional tem desenvolvido contactos com outras universidades para o estabelecimento de parcerias semelhantes, na mesma área tecnológica. E podem surgir com uma configuração de colaboração directa ou através de um parceiro, especificou o responsável.

No quadro da parceria com a FCT, a HP promoverá a colocação das aplicações desenvolvidas na sua loja electrónica de aplicações para SDN. Mas será a faculdade a decidir se pretende colocar alguma, afirmou o responsável.

“A presente colaboração tem uma grande vantagem no facto do consórcio ser equilibrado com actores nas diferentes partes de criação de inovação e de valor”, considera Paulo da Fonseca Pinto. Na sua visão, “o SDN veio abrir uma área de actuação em redes e sistemas que estava ossificada na Internet. A grande vantagem da Internet, que é o seu protocolo IP (Internet Protocol), atingiu um limite de desenvolvimento há uns anos, e o SDN vem permitir agir em níveis inferiores de um modo organizado”, explicou o docente.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado