Vint Cerf preocupado com a “bit rot”

O problema não é novo, mas não está resolvido. Relaciona-se com a obsolescência de formatos de armazenamento e pode levar a uma “Idade das Trevas Digital”, segundo Cerf.

Vint_Cerf, evangelista da Google_Wikimedia__CC_BY_3.0

Numa época em que a cloud computing faz supor que os dados podem ser preservados para sempre, Vinton Cerf, considerado um dos pais da Internet, reafirma a possibilidade de haver uma “Idade das Trevas Digital”. A base das preocupações do “evangelista” líder da Google está na obsolescência dos formatos de armazenamento de dados, um fenómeno que denomina como “bit rot” ou decomposição de bit.

Esta associa-se à velocidade com a qual a rápida evolução tecnológica, principalmente no hardware, torna obsoletos, esses formatos. Na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, Cerf lembrou que as aplicações necessárias para ler os ficheiros podem ser perdidas por deixarem de ser compatíveis as novas tecnologias de hardware emergentes

Como resultado, afirma, muitos dos ficheiros actuais ficarão, inacessíveis para as futuras gerações. A solução proposta pelo especialista é o que ele chama “velino digital”: essencialmente, uma ferramenta para preservar velhas tecnologias, de modo que até mesmo os ficheiros obsoletos possam ser lidos.

“Num patamar elevado, a forma de resolver o problema seria manter a uma compatibilidade mínima de leitura com os dados mais antigos, mesmo quando novas tecnologias são introduzidas, sem se preocupações de desempenho, capacidade ou o custo”, considera Eric Burgener, director de pesquisa da IDC. Mas, avisa, as dificuldades estão nos detalhes.

O projecto Olive na Carnegie Mellon University pode ser um excelente exemplo. Liderados por Mahadev Satyanarayanan, professor de ciência da computação, a equipa da iniciativa tem como objetivo desenvolver tecnologia necessária para preservar, a longo prazo, software, jogos e outros conteúdos executáveis. Contudo, até a utilização dessas ferramentas se generalizar, as empresas têm claramente pelo menos tantas razões para ficarem preocupadas como os indivíduos.

A falta da motivação para o lucro, associada ao tema, constitui grande parte do problema.

“É difícil pensar a longo prazo sobre essas coisas, mas acho que existem alguns riscos reais sobre os quais o sector deve pensar, colectivamente”, sustenta Simon Robinson, vice-presidente de pesquisa da 451 Research. O tema não é realmente novo para a indústria de armazenamento.

Há cerca de dez anos, por exemplo, a Storage Networking Industry Association (SNIA) começou a falar sobre a noção de um “arquivo de 100 anos” para abordar essas questões. Mas na maior parte das vezes, essas iniciativas não avançaram muito, considera Robinson.

Não haver uma motivação para o lucro, associada ao tema, constitui grande parte do problema, sugere. O tema “não é visto como uma oportunidade lucrativa, por isso não vale realmente a pena fazer os investimentos necessários”, explica.

Para agravar o problema está a sua natureza de longo prazo. “Algumas empresas percebem definitivamente o problema, mas sentem-se um pouco impotentes por ser um questão que não podem abordar sós”, diz Robinson. “Nesse sentido, é óptimo o facto de a Google e outras começarem, pelo menos, falar sobre os riscos e pontenciais caminhos de evolução”.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado