Lucro da Samsung na mobilidade cai 64%

A concorrência na China teve um forte impacto e a empresa redirecciona-se para o mercado de componentes, negócio no qual os seus lucros cresceram.

Galaxy Note_Samsung (DR)

O lucro operacional da Samsung Electronics no seu negócio de mobilidade deslizou 64%, durante o quarto trimestre de 2014. É o resultado, em grande parte, da concorrência no mercado chinês, onde enfrenta actividade de marcas e fabricantes como a Xiaomi.

A empresa sul-coreana vendeu 95 milhões de dispositivos de comunicação móveis e forneceu 11 milhões de tablets no trimestre, revelou em conferência para apresentar resultados. O fabricante não divulgou o número de smartphones vendidos, mas estima-se que tenha estado próximo dos 75 milhões, segundo Lee Seung-woo, analista da IBK Securities, em Seul.

A queda nos lucros é vista como resultado de mau desempenho nas vendas em dispositivos de telefonia móvel de alta gama, mas também a insucessos nos segmentos médio e baixo: não correram bem as medida para introduzir smartphones para esses mercados para afastar rivais chineses, incluindo Xiaomi, Huawei e Lenovo. A Samsung lançou o Galaxy A3 e A5 na China em Novembro e o Galaxy E7 e E5 na Índia este mês, na faixa de preços dos 300 a 400 dólares.

Mas os novos produtos não ampararam a queda dos resultados da empresa. “A Samsung está sob pressão no mercado chinês porque, aos mesmos preços, marcas chinesas como a Xiaomi estão a oferecer funcionalidades e características competitivas, face aos modelos A3 ou A5”, explica Jessica Kwee, analista da Canalys, em Singapura.

Uma procura inexplorada por iPhones com ecrã maior impulsionou o incremento de quota de mercado da Apple no mercado chinês.

A Strategy Analytics diz que Samsung e Apple empataram na primeira posição quanto às vendas mundiais de smartphones durante o quarto trimestre. “Neste período, é bastante claro que muita gente optou por escolher o iPhone 6 e o iPhone 6 Plus, havendo uma procura inexplorada por um iPhone com ecrã maior, que impulsionou o incremento de quota de mercado da Apple no mercado chinês”, afirma Kwee, que assinala ainda a crescente concorrência nos segmentos mais altos na competição com a Samsung.

Assim o lucro operacional da divisão de mobilidade no maior fabricante mundial de telemóveis caiu para 1,78 mil milhões de dólares. O único aumento foi registado no seu negócio de semicondutores, cujo lucro operacional cresceu 36%, em termos homólogos.

A Samsung deverá concentrar-se mais nos seus negócios de componentes, tal como prenunciam as melhorias na relação com a Apple, disse Will Cho, analista da KDB Daewoo Securities, numa nota de pesquisa. A empresa anunciou em Outubro passado um investimento equivalente a 1,5 biliões de euros numa fábrica de chips em Pyeongtaek, a sul de Seul.




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