Tecnologia avança para o “resto” da casa

Na CES 2015, três áreas estarão particularmente dinâmicas no certame: equipamento para casas inteligentes, automóveis de condução autónoma e a tecnologia de vestir.

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Durante anos, a tecnologia para o sector do consumo residiu sobretudo em dois ambientes: o escritório e a sala de estar. Na CES 2015, que deverá decorrer entre 6 e 9 de Janeiro, será evidente um forte impulso de colonização do resto da casa.

Isso não quer dizer que você não vai encontrar PC na feira a realizar-se em Las Vegas (EUA). Mas os fabricantes foram além desses mercados maduros, mais tradicionais, chegando às tecnologias de mobilidade, de vestir (“wearables”) e aos automóveis.

Este ano, o tema preponderante do certame pode muito bem ser o da casa conectada, com os smartphones e tablets a assumirem um novo papel como dispositivos de controlo para a Internet das coisas.

A EchoStar (domótica), a Dish (serviço de vídeo), a Intel (PC com os novos Broadwell), Ford (o seu novo sistema de entretenimento Sinc3), e Samsung (presente em quase tudo), são empresas cuja oferta merece atenção.

Os dispositivos móveis como smartphones e tablets começam também a substituir as centrais agregadoras.

A maioria dos equipamentos para casas inteligentes dependiam de uma unidade agregadora central para processos de controlo. É a arquitectura mais vulgar.

AEchoStar, através do Sage, e a Dish, usando a “set-top box” Hopper, mantêm-se fiéis a essa linha mostrando o que parece ser um sistema de interligação muito completo.

O Sage também é uma “set-top box” e será capaz de lidar com controlos de iluminação, fechaduras, câmaras de segurança, termostatos, e todos os tipos de sensores. Apesar dessa complexidade, a EchoStar está a posicionar o dispositivo como um sistema a ser montado e configurado pelos utilizadores.

São esperadas também novas adições à linha de automação residencial Wemo, da Belkin, assim como ao ambiente proposto pela D-Link. A Netgear deverá apresentar a sua nova câmara de segurança, Arlo.

Note-se a tendência: as empresas de equipamento de rede estão a expandir-se para a área dos periféricos domésticos interligados. Nessa frente, há também uma segunda vaga de routers 802.11ac a juntarem-se à oferta Asus RT-AC87U e Netgear Nighthawk.

Mas entretanto, os dispositivos móveis como smartphones e tablets estão também a substituir as centrais agregadoras. Por exemplo, uma nova onda de equipamento de iluminação inteligente deverá competir com a linha de produtos Hue e será controlada pelos referidos dispositivos.

Televisores 4K povoam feira

Na CES deverão surgir televisores de capacidade 4K de todos os tipos: curvos e planos, barato e caros. Espera-se que a LG impulsione a nova tecnologia OLED e se junte à Samsung, à Sony e a outros fabricantes na divulgação de novos equipamentos baseados em tecnologia “quantum dot”, a qual promete oferecer uma maior gama de cores.

E porque ninguém deverá comprar uma televisão 4K sem haver conteúdos para aproveitar a tecnologia, vários prestadores de serviços deverão anunciar novos produtos para preencher esse espaço.

Nova  geração de “wearables” 

Seria exagerado dizer que a tecnologia de vestir está mais presente este ano, mas os fornecedores estão claramente a ampliar a definição do que um ”wearable” pode ser. Na CES deste ano espera-se uma nova geração de dispositivos, mais de nicho e com missões específicas.

Talvez seja uma reacção a três factores:

‒ os monitores de actividade tornaram-se mais vulgares;

‒ os relógios baseados em Android Wear e o Apple Watch dominam o espaço “smartwatch”;

‒ toda a actual geração de “wearables” ainda está em dificuldades para encontrar um público receptivo.

Entre os dispositivos mais especializados podemos encontrar um novo, chamado Thync, que promete alterar o humor do utilizador baseado no que o fabricante denomina como “enhanced neurosignaling”, com o objectivo de mudar a disposição das pessoas para um estado mais enérgico ou relaxado. Além disso, observadores de mercado esperam que empresas focadas em áreas mais gerais anunciem a disponibilização de equipamentos “wearable”.

A dúvida está em saber se vão manter as fórmulas convencionais ou vão assumir riscos inovadores.

Carros perseguem smartphones

Os smartphones mudam rapidamente mas os automóveis não e por isso a relação entre ambos foi sempre difícil. Contudo, a CES 2015 promete ser um marco, com os carros a recuperarem o atraso face aos smartphones: o processo é convergente.

Da área dos smartphones vêm tecnologias como a CarPlay, da Apple, a Auto Android e a MirrorLink. Todas oferecem experiências de mobilidade, adaptadas à segurança dos automóveis.

A plataforma de informação e entretenimento, SYNC 3, da Ford, também deverá fazer a sua primeira estreia pública. Anunciada em meados de Dezembro, promete melhores interfaces de toque, voz e de aplicações.

Há ainda a expectativa de serem demonstrados avanços em tecnologias de segurança

Mas há outros fabricantes a desenvolverem apostas na área: aliás, todos os construtores e os seus fornecedores de tecnologia anseiam mostrar como os seus carros e sistemas estão interligados e são fáceis de usar. Os smartphones redefiniram o que é intuitivo de fácil utilização na área.

Há ainda a expectativa de serem demonstrados avanços em tecnologias de segurança e de condução autónoma. Isso inclui sensores LiDAR mais sofisticados, além de outros, concebidos para detecção do que está em redor do carro.

Deverão ser mostrados ainda sensores mais integrados com sistemas de travagem, de direcção e outros, procurando responder ao que detectam.




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