Informatização dos hospitais em crescimento

A informatização das actividades médicas é uma realidade presente nos hospitais portugueses e tem permitido o aumento dos processos clínicos electrónicos, da telemedicina, do comércio electrónico e da sua utilização na gestão.

Hospitais - INE

A proporção de hospitais com processos clínicos electrónicos quase duplicou numa década: passou para 83% em 2014 face a 42% em 2004.

Esta é uma das principais conclusões do Inquérito à Utilização das TIC nos Hospitais portugueses, públicos e privados, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e hoje tornado público. Mas o inquérito revela ainda que, em 2014, o acesso à Internet nos hospitais é universal, sendo que 97% do acesso é realizado em banda larga. A disponibilização de pontos de acesso à Internet (hotspots) aos utentes é assegurada por 45% dos hospitais, enquanto 35% disponibilizam computador com acesso aos doentes internados.

Por outro lado, cerca de 93% dos hospitais refere estarem presentes na Internet, principalmente através de site Web próprio (87% daqueles com presença na Internet) e/ou da sua presença online integrada no site do Ministério da Saúde (19%).

Para que serve a Internet
A percentagem de hospitais com marcação de consultas médicas online aumentou mais de 20 pontos percentuais nos últimos anos (de 8% em 2010 para 30% este ano).

Das actividades de telemedicina, a mais utilizada foi a teleradiologia – ou seja, a permuta de imagens radiológicas, ultrassonográficas, tomográficas ou de ressonância magnética para discussão de casos e resolução de diagnósticos. Foram 33% os hospitais que, em 2014, efectuaram actividades de telemedicina, ou seja, um aumento de 16% em 10 anos. O grau de implementação da telemedicina é bastante diferente no universo dos hospitais oficiais (51%) e nos privados (15%).

Dos hospitais presentes na Internet, a quase totalidade (97%) refere incluir informação institucional no site, 96% disponibiliza um endereço electrónico e 88% disponibiliza informação sobre os serviços prestados. Paralelamente, mais de 90% dos hospitais utilizam a Internet para acesso a bases de dados e para consulta de catálogos de aprovisionamento, enquanto 80% a usam como meio de comunicação com outros hospitais, 72% na comunicação interna entre serviços e 64% na formação de recursos humanos.

Computadores: presença e uso
Ainda segundo o inquérito do INE, o número médio de computadores por empregado utilizador é de 1,5 em 2014, sendo que 49% dos hospitais disponibilizam ao pessoal o acesso ao sistema TIC do hospital a partir do exterior.

Em paralelo, mais de 90% dos hospitais tinham informatizado as actividades administrativas e de gestão, designadamente a gestão financeira, dos recursos humanos, dos fornecedores e dos inventários de produtos farmacêuticos, a manutenção da base de dados da informação clínica dos pacientes e a marcação de tratamentos e de consultas.

Ainda em 2014, 95% dos hospitais refere a informatização das actividades ligadas ao internamento (mais 5% face a 2012) e 88% das associadas às consultas externas. Todavia, entre 2012 e 2014, foram sobretudo a informatização dos processos clínicos e das actividades associadas ao bloco operatório que mais cresceram (quase 6 pontos percentuais nos dois casos).

O inquérito salienta ainda que “a análise deste indicador por tipo de hospital permite concluir que o grau de informatização é substancialmente superior nos hospitais oficiais, sobretudo ao nível da informatização dos processos clínicos e das actividades associadas ao bloco operatório e às urgências”. Conclui-se que o aumento da proporção de hospitais com registo electrónico da informação clínica dos utentes duplicou face a 2004, apresentando um aumento de 41%.

Comunicações
Em 2014, mais de 90% dos hospitais disponibilizam software médico, Local Area Network e correio electrónico ao pessoal ao serviço. O recurso à videoconferência nos hospitais destaca-se pela sua evolução na última década: 42% dos hospitais utilizam esta tecnologia em 2014, face a 21% em 2004.

A quase totalidade dos hospitais refere utilizar principalmente uma tecnologia fixa para ligação à Internet em banda larga, destacando-se a ligação através da Rede de Informação da Saúde (RIS) em 45% dos hospitais, e através de outra ligação fixa com ou sem fios em 33%. A proporção de hospitais oficiais com ligação através da RIS é de 86%, e de 5% no caso das entidades privadas.

Compras e encomendas pela Internet
Em 20% dos hospitais, as encomendas através da Internet representaram pelo menos 50% das compras em 2013. Nesse ano, “44% dos hospitais efectuaram encomendas de bens ou serviços através da Internet. Destes, 46% indicaram que as encomendas online representaram pelo menos 50% do total de compras de bens e serviços do hospital”.

Ainda segundo o INE, “os bens mais procurados pelos hospitais através do comércio electrónico foram sobretudo materiais de consumo genérico”, como equipamento informático (89% dos hospitais que o usaram), e material de consumo administrativo (81%). “A encomenda de bens associados à prestação dos cuidados de saúde foi referida por 62% dos hospitais utilizadores de comércio eletrónico no caso dos medicamentos, 63% no caso dos equipamentos médicos, e 68% relativamente a outro material de consumo clínico”, refere o INE.

O inquérito do INE decorreu entre Abril e Setembro de 2014, excepto no comércio electrónico, que se refere a 2013. Foram inquiridos 226 hospitais, dos quais 112 oficiais e 114 privados.


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