Cloudera reforça aposta em Portugal

Com três clientes já conquistados a utilizarem o Hadoop e parceiros estratégicos identificados, a Cloudera pretende ainda este ano passar a ter uma presença comercial no mercado português.

ClouderaA Cloudera, considerada o maior distribuidor de software open source Hadoop, vai passar a ter uma abordagem directa ao mercado português.

Romain Picard, director regional para a EMEA desde 2014, disse ao Computerworld que “existem oportunidades no mercado português para o Hadoop, pelo que queremos estar mais próximos das empresas portuguesas e apoiá-las a serem mais competitivas no mercado internacional”.

Em fase final de selecção e de recrutamento, a empresa está a constituir uma equipa única para o mercado ibérico de quatro a cinco elementos (dois comerciais, um a dois técnicos de pré-venda e um técnico para serviço/suporte). Esta equipa, que ficará sedeada em Paris, onde se encontra a Cloudera EMEA, desenvolverá actividade comercial directa no mercado português, dará apoio a “resellers agreement” e aos parceiros tecnológicos, em particular a Xpand IT, com a qual está a desenvolver os primeiros três projectos em empresas do mercado português. Neste âmbito, o próprio Picard estará presente num seminário deste parceiro a 18 de Novembro.

A Cloudera tem acordos a nível internacional com empresas como a Capgemini ou a Accenture, consultoras com forte presença no mercado português, tendo mais de 1.200 parceiros em termos mundiais. “Acredito que estamos a participar na criação de um mercado de um bilião de dólares”, referiu o co-fundador e presidente da empresa, Mike Olson, no Hadoop World, que decorreu em Outubro.

Duplicar o número de clientes
Do ponto de vista comercial, a prioridade estará focada nas grandes companhias. Por sectores, a aposta vai estar na banca e seguros, empresas de consumo e retalho, à semelhança do que acontece noutros mercados, esclareceu Romain Picard. A empresa também está a olhar para o sector público e todo o movimento em torno da emergência e desenvolvimento da “Internet of Things”.

Quanto ao modelo de subscrição do software Hadoop, poderá ser “on premise” ou em SaaS, na cloud. O responsável da Cloudera EMEA salienta que mais de 70% do negócio segue o modelo de subscrição na cloud e são feitos através de parceiros/”resellers” da empresa.

Com esta estratégia, a empresa pretende duplicar o número de projectos/clientes em 2015 a utilizarem o Hadoop.

Romain Picard diz estar “confiante” na capacidade de liderar este mercado – segmento do mercado de software para Big Data que consiste em transformar dados não estruturados, tradicionais ou novos, em informação, independentemente da sua origem e formatos. “O nosso valor reside na capacidade de reunir e transformar dados não estruturados em informação. É isto que fazemos. E para nós Big Data é negócio, não é tecnologia”.

O responsável aponta ainda a segurança como outro factor diferenciador. “Temos o Hadoop mais seguro do mercado, graças à capacidade de encriptação conseguida depois da aquisição da Gazzang”, em Junho último. Outro elemento diferenciador, ou pelo menos favorável ao negócio, foi a entrada no capital da empresa da Intel, em Abril passado. A Intel passou a deter mais de 18% do capital social, ficando como o maior investidor, e tanto mais importante quanto mais disperso está o capital social da empresas, o que é o caso.

Porque a Intel investiu na Cloudera
Ao injectar 740 milhões de dólares na empresa de software, a Intel deverá abrir caminho para vender mais chips x86 em instalações de Hadoop, dizem vários analistas. Mas a operação pode ser também uma iniciativa defensiva para manter a sua liderança no mercado de servidores face à ameaça emergente das máquinas equipadas com processadores de 64 bits da ARM.

Em todo o caso, a Intel já revelou que a Cloudera deverá preparar o Hadoop para a arquitectura Intel ‒ sobretudo para chips x86 ‒ como a sua “plataforma preferencial”. A empresa de software anunciou no ano passado planos de desenvolvimento para a aquitectura de 64 bits, ARMv8, da ARM.

A Intel chegou a desenvolver a sua própria distribuição Hadoop através da qual os clientes podem canalizar pacotes de software, mas esta acabará por ser substituída por software da Cloudera ‒ a qual reivindica dominar a maioria do mercado Hadoop. A Intel domina o segmento de processadores para servidores, com uma quota de mais de 90% e o recente investimento deverá direccionar temporariamente a atenção para longe da arquitectura da ARM. Esta deverá lançar servidores ARM de 64 bits no final de 2014 ou início de 2015.

Os fabricantes de servidores, como a Hewlett -Packard e a Dell, têm sido atraídos para os componentes da ARM nos últimos anos. “A Intel está a tentar evitar que os servidores caiam nas mãos da ARM, e ‘ter’ a Cloudera é um baluarte contra essa possibilidade”, considera Roger Kay, analista da Endpoint Technologies Associates.

“A estratégia da Cloudera é manter a lealdade ao núcleo do Hadoop mas inovar com agressividade e velocidade para atender a procura dos consumidores e diferenciar a sua solução dos seus concorrentes”, diz a Forrester.

Segundo a analista Forrester, a Cloudera desenvolve aplicações baseadas em Apache Hadoop, open-source software de computação distribuída através das quais grandes conjuntos de dados podem ser divididos em pequenas unidades e remetidas para vários elementos de processamento. E tem uma distribuição Hadoop open source que usa muitos aspectos do projecto original Apache, mas que agrega um grande número de melhorias, entre elas uma ferramenta de gestão e de monitorização chamada Cloudera Manager, bem como um motor SQL para dados relacionais no Hadoop, o Impala.

A empresa usa o Hadoop como base da sua distribuição, mas não é um produto open source puro. “A estratégia da Cloudera é manter a lealdade ao núcleo do Hadoop mas inovar com agressividade e velocidade para atender a procura dos consumidores e diferenciar a sua solução dos seus concorrentes”, diz a Forrester. O resultado, segundo um relatório de Junho deste ano, é uma adopção firme da plataforma da Cloudera, que inclui uma lista de 200 clientes.




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