Espaço de consolidação no mercado português “é marginal”

A estrutura accionista da NOS é um dos elementos mais diferenciadores do operador, permitindo-lhe maior independência face à flutuações das vontades do mercado bolsista, disse o presidente da empresa, Miguel Almeida.

Miguel_Almeida_presidente executivo da NOS (DR)

A NOS dificilmente poderá considerar a hipótese de adquirir a PT, assumiu o CEO do primeiro operador, Miguel Almeida, para quem o espaço de consolidação no mercado português de operadores “é marginal”. O excecutivo invocou a actual estrutura de quotas de mercado, em que os dois  dominam, e as questões regulatórias, como as principais razões, num jantar debate organizado pela APDC, com uma afluência invulgar –  280 pessoas estiveram presentes.

O gestor definiu o mercado português como prioritário na estratégia da empresa. “Podemos fazer mais em Portugal”, sublinhou, depois de afirmar a capacidade de a NOS competir com “qualquer empresa que entre no país”.

As iniciativas de maior internacionalização ficam para uma segunda fase, esclareceu. Para Miguel Almeida, o que distingue melhor a NOS (da PT) é uma estrutura accionista capaz de permitir pensar a estratégia do operador “a três ou cinco anos”, com maior independência face aos mercados blosistas.

A PT “beneficiou e serviu-se de alguns interesses”, mas  “há sinais de a situação poder mudar”, segundo Miguel Almeida.

Nesse aspecto destacou a influência da ZOPT como accionista industrial: “temos apoio na estratégia”, reconheceu. Menos relevante, considerou, será o facto de o operador ter o seu centro de decisão no país (por oposição à PT), embora admita a importância de ter a capacidade de definir investimentos no mercado português.

Questionado sobre se as práticas de governo da NOS impediriam o tipo de problemas verificados na PT, Miguel Almeida também as relativizou para o caso, apesar de garantir que são de referência (ou de benchmark) e aplicadas “escrupulosamente”. Mesmo assim, há sempre a hipiótese de acontecerem “coisas estranhas”, sugeriu.

Antes, o gestor considerou haver uma “enorme falta de respeito para com a PT”, depois do caso do empréstimo à Rioforte, apesar de ter afirmado também que o operador “beneficiou e serviu-se de alguns interesses”. Segundo o mesmo, há sinais da situação poder mudar.

Para o executivo é importante distinguir o plano accionista da PT daquele relativo aos seus recursos humanos e activos tecnológicos. Na mesma linha, Miguel Almeida, considerou “excelentes” os quadros da empresa e elogiou-lhe a “base tecnológica”.

“Há muita confusão no que se diz [sobre a PT] e as qualidades não mudaram”, lembrou.

“Fé” na nova geração

Numa análise à evolução dos preços praticados pelos operadores, Miguel Almeida referiu que o mercado português tem sido daqueles na UE onde as receitas mais têm caído, apesar da qualidade dos serviços. O executivo concorda com Mário Vaz, CEO da Vodafone, quando este afirma não haver irracionalidade de preços.

Considerou ser muito “forte” falar-se de destruição de mercado e preferiu assumir que existem “estratégias” diferentes e uma correcção de desigualdade de posições face ao paradigma da convergência: com alguns operadores a crescerem mais rapidamente em áreas onde não estavam presentes.

Apesar de lembrar que o mercado não vai estar em queda eternamente, não revelou as suas previsões para uma retoma. Apenas confirmou a aposta da NOS numa nova geração de clientes com maior apetência para estar “sempre ligada”, portanto mais consumidora de serviços de comunicação, que acabará também por contagiar o sector empresarial, sugeriu. “As empresas também vão ser diferentes e é esse futuro que nos faz ser optimistas”, afirmou.


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