Mudanças pouco alteram na Oracle

A equipa permanece a mesma e a alteração nos cargos não deve ser interpretada como um afastamento de Larry Ellison, concordam vários analistas. O desempenho financeiro será o maior desafio.

OracleA decisão de Larry Ellison de deixar o cargo de CEO da Oracle, para ser CTO da empresa, foge à classificação de grande mudança. A equipa de liderança permanece a mesma, embora os títulos e postos de trabalho mudem.

Durante os seus 37 anos na Oracle, Ellison tem sido uma força importante para a empresa e é conhecido por estar sempre ao controlo das actividades. O executivo não estará agora a afastar-se da organização, nem na hipótese mais rebuscada.

O anúncio da administração explicitou com clareza que o também chairman executivo vai continuar a trabalhar “a tempo inteiro” na empresa. O título de CTO será provavelmente ser uma versão mais intensa do cargo de Bill Gates como “fundador e consultor de tecnologia” da Microsoft.

Mark Hurd e Safra Catz, anteriormente co-presidentes da Oracle, vão assumir mais responsabilidades como co-CEO. Mas Ellison permanece claramente uma parte do mesmo trio ao comando da Oracle, considera John Rymer, analista da Forrester. “São as mesmas pessoas nas mesmas funções, apenas com títulos diferentes”, reforça.

O novo arranjo não é nada de novo, apenas “reflete a realidade”, diz o analista Holger Mueller, vice-presidente e analista da Constellation Research.

“Desde que Hurd não fique responsável pelos produtos ‒ vejam o que aconteceu na HP ‒ deverá correr tudo bem “, acrescenta Mueller, referindo-se à carreira de Hurd, como CEO da Hewlett-Packard.

Mas o maior desafio para os dois CEO será talvez melhorar o desempenho financeiro do fabricante, e os valores revelados na última quinta-feira dizem porquê. O negócio de hardware, em particular, caiu 8% para 1,2 mil milhões de dólares no segundo trimestre do ano. Continua numa deriva descendente.

As receitas de novas licenças de software ficaram nos 1,370 milhões dólares, uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Na parte positiva, as actualizações de licenças de software e suporte ao produto representaram 4,7 mil milhões de dólares, um aumento de 7%.

As receitas totais aumentaram 3%, em comparando com um ganho de 2%, há um ano. “A empresa não está a progredir”, considera Rymer. “A Oracle continua a emitir relatórios com receitas estagnadas, em geral”.

E embora a receita de SaaS e PaaS esteja a crescer – teve um incremento de 32% para 337 milhões  de dólares – ainda constitui um pequeno contributo no global, defende.




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