Fornecedores revelam estratégias para a IoT

Os grandes fabricantes dominadores do sector das TIC procuram fazer valer os seus argumentos, mas é necessário considerar a emergência de muitas startups potencialmente disruptivas

Internet das coisas_sxcA Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT) continua a ganhar visibilidade pública, assim como a atenção dos fornecedores de TIC que procuram explorar um mercado crescente de produtos e serviços relacionados com a tendência. Não é com surpresa que a estratégia e abordagem dessas empresas reflecte as suas próprias forças.

“Os grandes fabricantes, em geral, entendem a importância de construir plataformas interoperacionais ​​e estão impulsionar esse desenvolvimento”, diz Daniel Castro, analista sénior da Information Technology & Innovation Foundation. Há uma ligação entre as estratégias das empresas e respectivos “DNA”, acrescenta Vernon Turner, vice-presidente sénior de pesquisa da IDC.

Por exemplo, a Cisco está optimista sobre o valor económico do que a Internet das Coisas pode trazer e os benefícios que os utilizadores terão, com um grande ambiente interligado com base no protocolo IP, diz Turner. A IBM adopta uma abordagem diferente, diz Turner.

“Estabeleceu a sua presença na área com a campanha “Smarter Planet”, na qual utilizando os sensores da Internet das Coisas procura permitir que as cidades e as empresas a funcionem melhor beneficiando da abordagem de cloud computing e analítica da IBM”, considera.

A Intel “suportará as normas da indústria, que usem os seus produtos de silício no âmbito dos sensores, ao mesmo tempo que procuram tornar a conectividade numa norma aberta tão omnipresente quanto o Wi-Fi, e ao fazê-lo, eliminando a complexidade da infra-estrutura”, diz Turner.

“Não há um líder da tradicional área das TIC que pareça estar a fugir com a oportunidade IoT”, acrescenta Turner. “O desafio é que a oportunidade é tão grande, abarcando desde o sector público ao sector privado, a partir da IoT humana à IoT industrial”.

E não podemos esquecer as startups, lembra Turner, “porque a IoT irá perturbar os modelos de negócio actuais nas empresas e mercados já existentes. Estamos a ver centenas de casos de utilização através de todos os sectores da indústria e há startups a movimentarem-se rapidamente para esses novos mercados”.

As pequenas empresas e startups “estão na sua maioria a inovar nas franjas, [por exemplo] na criação de novos dispositivos, novos protocolos de rede, novas baterias novas, etc, que farão parte da IoT”, diz Castro.

Vários fabricantes foram questionados sobre as suas estratégias e previsões. Seguem-se as respostas.

Cisco: com máquinas capazes de aprender

A Cisco tem adoptado uma abordagem de arquitectura multi-camada para ajudar as empresas a implementarem uma infra-estrutura de Internet das coisas. A plataforma IoT da Cisco permite que as empresas desenvolvam sobre os sistemas existentes, permitindo uma computação distribuída mais perto de onde os dados são necessários para análise e acção quase em tempo real e acção.

É uma plataforma multi-camada, baseada em normas com “máquinas capazes de apreender” (routers e switches inteligentes e dispositivos de comunicação sem fio) que fornecem dados de forma fiável, para orientar as empresas na  tomada de medidas adequadas no momento certo.

O Cisco IOx, parte da matriz IoT da Cisco, traz computação inteligente e conectividade aberta ao extremo da rede, colocando-as mais perto de onde os dados estão a ser recolhidos e as decisões em tempo real são feitas. Este quadro de arquitectura de aplicações acelera o desempenho da solução de uma forma aberta, flexível e capaz de ser gerida, para inspirar novos modelos de negócio em operações inovadoras, ágeis e eficientes.

Quando se vai generalizar a IoT?

A Internet das coisas já existe aqui e agora. Entre 2008 e 2009 o número de objetos conectados ultrapassou o número de pessoas que vivem no planeta. Dependendo de a quem se perguntar, há entre 1,5 a mais de 2 dispositivos ligados por pessoa hoje. E prevendo que haja mais de 50 mil milhões objectos conectados até 2020.

 

HP: focada no middleware

A estratégia da HP para IoT pretende permitir que o middleware do ecossistema suporte que o intercâmbio de dados da máquina seja rentabilizado, criando uma economia digital. Especificamente, nós fornecemos as plataformas baseadas em cloud computing capazes de exporem interfaces para as próprias máquinas, interfaces para as aplicações e serviços que vão usar os dados da máquina e, finalmente, as interfaces capazes de permitir a análise e elaboração de relatórios sobre os dados da máquina.

Esta abordagem aproveita a considerável experiência da HP na gestão de grande volume de dados, o processamento e análise juntamente com a nossa experiência específica em redes móveis e o ambiente Communicating Sequential Processes (CSP).

Quando se vai generalizar a IoT?

A Internet das coisas é dominante há cerca de 10 anos. A verdadeira questão está em saber quando vai a IoT estará tão difundida que tudo com que interagimos tem uma conexão digital.
Veremos a “ascensão das máquinas” na Internet das coisas a acompanhar razoavelmente de perto o lançamento mundial de serviços de LTE 4G.

 

IBM: criar um planeta mais inteligente

A IBM tem um amplo portefólio de produtos de software na categoria do “middleware de mensagens”, que permitem que aplicativos para se comunicar com outras aplicações, sistemas e dispositivos de maneira fácil e eficiente. A abordagem da empresa é permitir que os clientes introduzam os dispositivos da Internet das coisas nos seus processos de negócio de forma integrada, com segurança e capacidade de expansão.

Por outras palavras, é permitir que os dados da Internet das coisas sejam integrados em aplicações empresariais, de modo a um evento do mundo real, detectado por um sensor, tornar-se um “evento de negócio”, com relevância, contexto e impacto para a empresa. A IBM oferece uma “apliance” de hardware chamada MessageSight, capaz de processar grandes volumes de dados de IoT, M2M (machine-to-achine) e dados de aplicações móveis, como uma ponte para sistemas de mensagens da empresa.

A IBM também oferece consultoria de TI e serviços de desenvolvimento para o ciclo de vida completo de implantação da Internet das coisas e soluções móveis, fazendo pleno uso de software em cloud computing e arquitecturas de PaaS.

Quando se vai generalizar a IoT?

Está a acontecer agora. É apenas uma questão de grau. A percepção pública e aceitação dos benefícios da IoT estão a crescer e dispositivos e aplicações se integram para oferecer valor. Um bom exemplo é o sistema de monitorização de consumo de energia em casa e controlo do aquecimento, agora a chegarem ao mercado.

Intel: fornecer os “blocos de construção”

Como líder em soluções de computação desde os dispositivos aos centros de dados, a Intel está focada em levar inteligência a novos dispositivos e gateways, para ajudar a conectar milhares de milhões de dispositivos existentes. À medida que mais dispositivos se tornam conectados, as empresas vão enfrentar desafios no aumento da fragmentação, na interoperacionalidade e na segurança.

Para resolver isso, a Intel está a oferecer soluções integradas, de hardware e software, com capacidade de expansão projectadas especificamente para atender às diversas necessidades do mercado de dispositivos para cloud computing. Uma estratégia de extremo a extremo requer o fabrico de dispositivos mais inteligentes e seguros para filtrar de forma fiável e gerir os dados localmente.

A Intel aborda essa esfera com uma agenda expansível de produtos para alimentar dispositivos no extremo da rede, a partir da Intel Quark SoC, para eficiência energética, aos processadores Xeon de alto desempenho.

A Intel também está a oferecer um portefólio de produtos de hardware e software projectados para desbloquear a inteligência sobre dados a partir de dispositivos através da rede para a cloud, permitindo novos modelos de negócios e ofertas de serviços.

Através do desenvolvimento de blocos horizontais, para análises verticais de extremo a extremo, assim como análise distribuída para sistemas de ponta e centro de dados, a Intel quer ajudar as empresas a darem o passo crítico no desbloqueio do poder da IoT, transformando grandes dados em informações accionáveis​​.

Quando se vai generalizar a IoT?

Apesar da sua popularidade relativamente recente, a IoT já tem uma posição estabelecida nas empresas. É claro que nós esperamos que ela cresça e se expanda no curto prazo. Com efeito, em 2020, vamos ter mais de 200 mil milhões de dispositivos conectados e um mercado de nove biliões de dólares.

 

Microsoft: a Internet das coisas das pessoas

Através do nosso compromisso com o mercado de sistemas inteligentes embutidos, a Microsoft está a trabalhar há anos para ajudar as empresas a explorarem os dados de novas maneiras conectando os seus activos de TI existentes em soluções únicas. Quando os dispositivos inteligentes recolhem dados e os retransmitem para sistemas de back-end e serviços através da cloud, os elementos obtidos são transformados em informações valiosas para o negócio.

Este processo é repetido várias vezes todos os dias por milhares de milhões de dispositivos inteligentes em sistemas inteligentes. E realmente isso tem a ver com a concretização da teoria académica da IoT e torná-la numa razão para fazer negócio.

A Microsoft lançou recentemente uma nova área de competências para parceiros visando ajudar o sector a compreender como desenvolver e optimizar tecnologias Microsoft. A maioria das empresas pode impulsionar os activos de tecnologia existentes para obter resultados surpreendentes de IoT imediatamente.

A plataforma da Microsoft Windows já alimenta tudo desde dispositivos industriais especializados a PC, telemóveis e servidores. O serviço de cloud computing da Microsoft Azure oferece recursos de processamento em massa que podem ser associadas a ferramentas de armazenamento e análise de dados, sobre Microsoft SQL Server, Azure HD Insight e Power BI para Office 365.

Quando se vai generalizar a IoT?

Podemos argumentar que a IoT já existe, e está a caminho de se generalizar, especialmente nas empresas. Estas enfrentam hoje uma convergência de dados oriundos de diversas fontes, talvez menor do que o potencial oferecido pela IoT.

A IDC previu recentemente que o número de “coisas ligadas” vai chegar as 212 mil milhões até o final de 2020.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado