“Contacto com pessoas nunca poderá ser substituído por plataforma informática”

No projecto de solidariedade “Dar e Receber”, a análise de informação das TIC deu forma ao conceito mas o consultor da Sendys, Rui Rodrigues, salienta a importância da sensibilidade humana.

Rui Rodrigues _consultor da Sendys_ (DR)No sistema implantado pela Sendys para a Entrajuda, integrada no Banco Alimentar Contra a Fome, a análise de informação é crucial para garantir rigor, explica o consultor da empresa, Rui Rodrigues. A plataforma de TIC do “Dar e receber” suporta, além disso, a abrangência nas acções de procura e oferta, de solidariedade e voluntariado.

O seu papel pode ser considerado inquestionável, sem cair em ingenuidades sobre os méritos dos automatismos do processo. Mesmo o responsável pelo projecto admite que o contacto com as pessoas é insubstituível.

A estrutura montada inclui três sites – Bolsa do Voluntariado, Dar e Receber e Banco de Bens Doados. Os dois últimos foram desenvolvidos pela Sendys (programação), articulando a plataforma dos sites com o software da empresa para a gestão do processo logístico entre a oferta e a procura.

Computerworld ‒ Quais foram os desafios particulares do projecto, em termos de implantação?

Rui Rodrigues ‒ Este projecto, pela sua singularidade em Portugal, lançou-nos desafios muito diversos e interessantes. Um dos aspectos mais desafiantes, mas também estimulantes, no desenvolvimento da plataforma “Dar e Receber” foi fazer a gestão deste projecto, no qual participaram três empresas complementares [Sendys, Agap2 e Fullsix] e muito comprometidas com o sucesso da plataforma, mas com competências e “backgrounds” muito distintos. Conseguimos a cooperação e empenho de todas, no desenvolvimento deste projecto comum, tendo conseguido a entrega com sucesso e dentro do calendário definido.

CW ‒ Em termos tecnológicos o que tem de especial?

RR ‒ Trata-se de uma integração entre um CMS (Content Management System) -Umbraco- e todas as restantes funcionalidade dos sites, que foram implementados utilizando MVC [modelo-visão-controlador: um modelo de arquitectura de software].

Para a implementação do motor de busca, foi utilizado o produto Lucene.

CW ‒ Como pode evoluir a plataforma no caso de haver maior capacidade de investimento, ou o voluntariado de mais uma empresa de TIC?

RR ‒ Acreditamos que a plataforma disponível neste momento está ajustada às necessidades e não ficou dependente de mais investimento ou parceiros.

Ainda assim, na nossa visão, a plataforma é, actualmente, um ponto de partida. Poderia, nomeadamente, crescer para se tornar numa ferramenta diária de trabalho para as instituições que procuram distribuir bens que conseguem angariar.

No fundo, evoluir de uma plataforma de contacto, para uma plataforma de trabalho, onde poderia ser possível gerir, por parte das instituições envolvidas, a ajuda disponível de forma directa.

CW ‒ Qual é o papel fulcral das TIC no funcionamento do projecto?

RR ‒ O papel fundamental é o de dar forma ao conceito “Dar e Receber”. As TIC tornaram possível a agilização dos processos envolvidos e a implementação das funcionalidades que dão corpo à ideia, permitindo que instituições beneficiem de bens ou horas de voluntariado, em função das suas exactas necessidades, o que, de outra forma, não seria possível de levar a cabo na escala em que está agora a acontecer.

Estão quase 4.000 instituições registadas e identificadas cerca de 1.200 necessidades, além de haver 30 mil voluntários inscritos

CW ‒ À partida, a plataforma garante maior rigor na doação e recepção de acções/produtos de voluntariado?

RR ‒ O objectivo principal da plataforma é potenciar o acesso à ajuda disponível. Permitir que mais pessoas e instituições beneficiem, quer de bens, quer de voluntariado. Naturalmente que, uma vez que se centraliza e automatiza o processo, pode ser alcançado um maior rigor.

Para se ter uma ideia precisa: até este momento, estão quase 4.000 instituições registadas e identificadas cerca de 1.200 necessidades, além de haver 30 mil voluntários inscritos.

Caso não houvesse uma plataforma como a “Dar e Receber”, a esmagadora maioria destas necessidades não estaria identificada e em fase de resolução.

CW ‒ O que é fundamental na arquitectura da solução implantada para isso acontecer?

RR ‒ A análise da informação contida na plataforma é o ponto fundamental para alcançar o rigor desejado, embora seja claro que, por vezes, a informação que se coloca numa plataforma online não é suficiente para avaliar uma determinada situação. Esta plataforma é um ponto de contacto entre quem necessita de ajuda e quem tem a possibilidade de a dar.

As TI trazem ainda um ponto forte importante, que é permitir que essa ajuda possa ser feita em maior quantidade, numa zona geográfica mais alargada, beneficiando mais pessoas, que é o objectivo maior do projecto.

O contacto directo com as pessoas nunca poderá ser substituído por qualquer plataforma informática por muito sofisticada que seja, particularmente neste casos em que estamos a falar sempre de apoiar pessoas, por via de instituições. O contacto e a sensibilidade humanas são fundamentais.




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