Samsung procura inspiração nos “projectos de garagem”

O laboratório da empresa em Silicon Valley utiliza técnicas de desenvolvimento de tecnologia usadas por amadores, visando o mercado da Internet das coisas.

Moe Tanabian_director do Smart Things IoT Innovation Lab_ da Samsung_por Stephen Lawson_IDG (DR)A Samsung Electronics está a utilizar técnicas de comunidades amadoras entusiastas do desenvolvimento de dispositivos, para conceber produtos para o segmento da Internet das coisas, num laboratório em Silicon Valley.

Com software de código aberto e hardware, incluindo a plataforma Arduino, é possível desenvolver o núcleo de um dispositivo de monitorização de preparação física por apenas 100 dólares, garante Moe Tanabian, director sénior do fabricante e líder do Smart Things IoT Innovation Lab da empresa. “É por isso que temos este crescimento explosivo em ‘wearables’ [tecnologia de vestir], e isso vai continuar na Internet das coisas também, que vai mudar o mundo”, afirmou o gestor, esta segunda-feira, durante a conferência Internet of Things World, em Palo Alto, na Califórnia.

Tal como os amadores que desenvolvem projectos tecnológicos na sua garagem ‒ e depois mostram as suas criações de hardware em feiras ‒, a Samsung olha para os problemas e questiona-se sobre se há uma melhor maneira de os resolver, explica o responsável. Depois, investiga se há um mercado suficientemente grande para justificar o esforço de desenvolvimento de produto, e se a Samsung é de facto, a empresa certa para resolver o problema.

Embora a empresa tenha cerca de 400 mil funcionários no mundo, a sua cultura de inovação é como a de uma startup de cinco pessoas, defende. Os membros da equipa de desenvolvimento de novos produtos no laboratório da empresa têm habilitações em desenho e engenharia, com um entendimento, pelo menos o suficiente, da sua e de outra esfera para conhecer os problemas de ambas.

Em cada projecto, desenvolvem rapidamente cerca de oito a 20 protótipos, cada um em três semanas ou menos, antes de descobrir a melhor abordagem. Mais tarde levam a ideia para a base do fabricante, na Coreia do Sul.

O laboratório da Samsung em  Silicon Valley trabalha normalmente em quatro projectos ao mesmo tempo e desenvolveu tecnologia  já comercializada no mercado, incluindo elementos do smartphone Galaxy S5, garante Tanabian.

A simplicidade é a chave para os dispositivos de consumo, e “a melhor interface de utilizador é não haver nenhuma”, defende. Por isso quase tudo em que o laboratório está trabalhar usa algum elemento de aprendizagem de máquina. Tanabian apontou para o termóstato Nest, como exemplo de uma interface de utilizador: os utilizadores só precisam de o configurar manualmente durante algum tempo e o dispositivo aprende as suas preferências automaticamente.

A Samsung usa o conceito de “peso social”, para avaliar se um “wearable” “vale a pena usar”, disse Tanabian. É uma combinação da carga cognitiva, ou grau de envolvimento dos utilizadores, do impacto da sua presença física no corpo, e de como se encaixa em convenções sociais.




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