UE quer ser mais severa sobre a negociação de alta frequência

As regras propostas serão as “mais rigorosas do mundo” e incluem a introdução de dispositivos para interromper circuitos de negociação, se a volatilidade dos preços ficar fora de controlo.

Michel Barnier_Comissario Europeu para o mercado interno e servicos (DR)O Comissário Europeu para o Mercado Interno e Serviços, Michel Barnier, prometeu legislação da mais restritiva no mundo, para o controlo de operações de negociação em alta frequência, ou High Frequency Trading (HFT). As regras, cujas versões preliminares foram delineada há vários meses, incluem a introdução de testes obrigatórios de algoritmos para minimizar o risco sistémico.

Serão introduzidos dispositivos para interromper circuitos de negociação, se a volatilidade dos preços crescer em espiral e fora de controlo. “Com essas regras, a UE estará a pôr em prática um dos conjuntos de leis mais restritivas para negociação de alta frequência no mundo”, considera Barnier numa declaração por e-mail.

“Enquanto a negociação HFT poderá trazer alguns benefícios, precisamos ter certeza de que não causa instabilidade, não é uma fonte de abuso de mercado”, sublinha. As alterações propostas fazem parte da reforma da legislação da UE para um mercado mais amplo, conhecido como “Mifid”.

Serão votadas pela assembleia da UE amanhã à noite, e isso constituirá um passo para a adopção formal pelo Parlamento Europeu. Os vários governos da UE também terão de aprovar as regras.

A negociação de alta frequência envolve o uso de algoritmos de computador complexos para comprar e vender acções em grandes volumes e a alta velocidade. O objectivo é tirar proveito de minúsculas diferenças de preços, à escala dos diferentes mercados no mundo inteiro.

Este tipo de actividade constitui cerca de um terço do volume de negócio feitas em bolsas , como a London Stock Exchange. Apesar de se ter tornado generalizada, a prática gerou também controvérsia. O “Flash Crash” de 2010, durante o qual o índice Dow Jones Industrial caiu durante pouco tempo quase mil pontos, teve como alegado responsável, um sistema de execução de negociação automatiza, e chamou a atenção para aquele tipo de negócio.

O mesmo ganhou visibilidade nas últimas semanas, na sequência de alegações de um escritor dedicado ao sector financeiro, Michael Lewis, no seu livro “Flash Boys”, de que os mercados de valores mobiliários são manipulados a favor dos correctores de HFT. Já esta semana, o mercado de futuros CME Group foi processado por três dos seus utilizadores, os quais acusam a organização de vender informação primeiro aos negociadores de alta.




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