IFS quer desenvolver “ecossistema” de parceiros em Portugal

O fabricante aposta na disponibilização de aplicações baseadas em cloud computing, contando para isso com a infra-estrutura da Telvent. E apresenta o menor custo de propriedade das suas soluções como argumento fundamental, sugere Gustavo Brito.

Gustavo-Brito_Director-geral-da-IFS_Portugal-e-EspanhaCom 15 clientes em Portugal, a IFS tem a ambição de crescer segundo o director-geral da operação ibérica, Gustavo Brito. O custo de propriedade das aplicações é um dos argumentos de venda que o fabricante procura promover, para suportar essa ambição.

Ao mesmo tempo, explica em entrevista para o Computerworld, pretende recorrer a serviços de SaaS, no âmbito da sua parceria com a Telvent, quando essa solução for pertinente. O desenvolvimento de uma rede de parceiros será um dos alicerces para a organização atingir os seus objectivos.

Computerworld ‒ Que ambições tem a IFS no mercado português?

Gustavo Brito ‒ A IFS tem a ambição de aumentar a quota de mercado em Portugal e dar às empresas a oportunidade de conhecerem uma solução mais flexível, com um custo total de propriedade menor.  Tal como noutros mercados, identificámos um conjunto de empresas com necessidades muito específicas em áreas concretas – por exemplo, a área de projectos, manutenção ou serviços -, que são, para muitas organizações o núcleo de negócio e as áreas que geram mais benefícios.

Apesar disso, verificámos que existe um grande número de empresas cujas soluções estão focadas em cobrir outras áreas de “back office”, que não são tão estratégicas. Também observámos uma crescente procura das organizações por sistemas que não sejam obsoletos e cujos custos de propriedade não aumentem ao longo da implantação ou do tempo.

CW ‒ Com que estratégias tencionam atingir esses objectivos?

GB ‒ Há dois anos fizemos um acordo de parceria em Portugal com a WebBusiness, com o objectivo de dar cobertura ao mercado e assegurar o apoio a alguns dos nossos clientes, como o grupo Bial ou o grupo Borgstena. Actualmente, a estratégia da IFS à escala global é a de criar um “ecossistema” de parceiros que, em estreita colaboração connosco, vendam e implementem o nosso software IFS Applications. Esta é a estratégia que queremos, também, replicar em Portugal.

Queremos contar com parceiros que nos ajudem na venda e implantação do nosso sistema e acreditamos que existem empresas interessadas em trabalhar connosco. Além disso, estendemos a estratégia de marketing ao mercado português com o objetivo de aumentar a visibilidade da marca e de identificar novas oportunidades.

CW ‒ Quanto cresceram as receitas de licenças da IFS em Portugal?

GB ‒ Não é hábito falarmos do crescimento local do número de licenças, mas prevemos que cerca de 10% das receitas provenientes das vendas de novas licenças em 2014 resultem da assinatura de acordos para a implementação da IFS Applications em empresas portuguesas.

CW ‒ Quantos clientes tem a empresa em Portugal?

GB ‒ Actualmente contamos com 80 clientes na Península Ibérica, 15 dos quais são de Portugal.

CW ‒ Como se distribuem pelos vários sectores económicos?

GB ‒ Na IFS estamos focalizados em empresas para as quais as áreas de gestão de projectos, fabrico, gestão de activos ou cadeias de abastecimento sejam cruciais para o negócio. Entre os nossos clientes predominam empresas dos sectores farmacêutico como o Grupo Bial ou o Grupo Farmasierra, da energia como a Torresol Energy e a Divisão de Operações e Manutenção da Gás Natural Fenosa, de telecomunicações como a Yoigo, e automóvel como são o caso o grupo Borgstena ou a Manufactura Moderna de Metales.

CW ‒ A Telvent Schneider poderá, no futuro, alojar serviços de cloud computing da IFS, a serem disponibilizados em Portugal?

GB ‒ O nosso acordo estratégico permite-nos responder às exigências do mercado em soluções cloud e está focado em proporcionar ao mercado uma oferta de SaaS da IFS, na qual a Telvent fornece a infra-estrutura de cloud necessária para a prestação deste serviço. A Telvent dispõe, actualmente, de um centro de dados de 5000 m2 em Lisboa, a partir do qual fornece serviços de IT outsourcing, “co-location” e cloud computing.

CW ‒ Que peso poderão vir a ter esses serviços na facturação da empresa em Portugal?

GB ‒ O nosso objectivo é desenvolver soluções que ajudem as empresas a serem mais ágeis e eficientes e que tenham um custo total de propriedade menor. Dependendo da complexidade da empresa, se a opção de cloud da IFS for a melhor opção para o negócio, será implantada nessa plataforma. Isto dependerá, naturalmente, do sector industrial em que se insere e dos processos específicos que essa empresa precise de gerir.

CW ‒ Quais são os vossos planos na área de cloud computing?

GB ‒ Reconhecemos que existe uma mudança de paradigma no modelo de venda de software. De facto, a venda tradicional está a passar para um plano secundário, dando lugar aos modelos vigentes e futuros, entre os quais os serviços SaaS e cloud computing. Tal como vários sectores que se reinventaram, a IFS está na vanguarda desta mudança e consideramos, por isso, que podemos ter um grande êxito com este modelo.

CW ‒ Quais são os vossos objectivos na área de EAM, ou de aplicações para gestão de activos físicos, em Portugal?

GB ‒ Sabemos que existem empresas com necessidades de gestão de manutenção cruciais para os seus negócios. Apesar disso, não existem muitos sistemas com funcionalidade EAM potentes e que estejam integrados dentro de uma solução ERP completa.

A área de manutenção está a ganhar, cada vez mais, uma maior relevância, porque permite poupar custos e aumentar a produtividade. Isto é possível através de uma estratégia de manutenção preventiva bem definida, onde haja capacidade de fazer manutenção com base nas condições ou na fiabilidade dos activos, e é por este motivo que queremos dar a conhecer às empresas a nossa solução, demonstrando-lhes como a IFS pode apoiar a sua gestão de activos.

Se essas empresas tiverem, além disso, a necessidade de gerir outras áreas, por exemplo, projectos ou produção, dispõe de soluções completas para cada uma das áreas que podem ser integradas com os seus ERP.




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