Fornecedores têm de esclarecer melhor o modelo de cloud

A PT tenciona oferecer mais consultoria sobre a adopção de arquitecturas híbridas e apostar em parcerias, enquanto a Mainroad assinala a tendência de o mercado de IaaS estar a evoluir para PaaS.

cloud computingO tecido empresarial português revela ainda desconforto perante a ideia de entregar os seus sistemas de informação em modelo de cloud computing a uma entidade externa, considera João Dolores, director da unidade de cloud e centros de dados da Portugal Telecom (PT). Num debate no IDC Cloud Leadership Forum, realizado na semana passada, o responsável defendeu a necessidade de os fornecedores explicarem melhor o conceito subjacente àquele tipo de plataforma.

Talvez por isso, o operador tencione disponibilizar mais serviços de consultoria sobre arquitecturas híbridas, assentes em cloud públicas e privadas. Além disso, o executivo reconhece que a PT tem de “robustecer” a sua oferta face à forte concorrência. Dolores revelou ainda a intenção do operador apostar em parcerias.

A renitência das empresas assinalada pelo responsável da PT parece ser, no entanto, uma atitude inicial. De acordo com José Pedro Abreu, director de centros de dados e serviços de continuidade da Mainroad, é notória uma maior receptividade das organizações à possibilidade de utilizarem o modelo de cloud computing para as necessidades de continuidade de negócio ‒ este é actualmente o principal factor de adopção de cloud computing, segundo o mesmo executivo.

No entanto, a “evangelização” inicial sobre essa oferta foi difícil, disse o responsável. A aceitação ocorre, geralmente, depois da avaliação das existências, no processo de migração para uma plataforma de cloud computing.

Pedro Abreu nota também que a oferta de PaaS tende a absorver a de IaaS, “à medida que os clientes ganham confiança nos fornecedores”. Em vez de, por exemplo, contratarem a disponibilidade de um servidor para colocarem a sua base de dados e gerirem a máquina, começam já a pedir o hardware integrado com o software, entregando a gestão da plataforma completa ao fornecedor.

Outro factor de adopção mais evidente para o responsável tem sido a possibilidade de, com a cloud computin,g as empresas correrem menos risco de investimento no equipamento, face às alterações de cenários de negócio. José Pedro Abreu, reconhece no entanto que a maioria das empresas muito dificilmente passará toda a sua infra-estrutura para um fornecedor. O responsável da Mainroad revela também uma aposta no “desenho de soluções híbridas e customizadas”.

Coexistência e localização dos dados

A HP terá a mesma ideia e aposta na predominância do modelo híbrido no mercado, embora Carlos Leite, director do Entreprise Group da HP Portugal, tenha reconhecido um forte dinamismo da procura em torno das clouds privadas.

A “coexistência” dos dois tipos de cloud deverá “vingar” e o fabricante prepara tecnologia de gestão ou “orquestração” de plataformas e volume de trabalho, para disponibilizar ao mercado no prazo de seis a 12 meses. Essa “camada” de software, será certamente importante para lidar com um dos maiores desafios legais associado à cloud computing: saber e gerir onde está a informação.

Já o advogado da Vieira de Almeida Associados, Fernando Resina da Silva, alerta que esse aspecto ganha importância para se perceber que legislação se aplica no âmbito, por exemplo, da protecção de dados. Outro problema são as garantias da obtenção dos dados, sem replicação não autorizada e sem perdas de integridade, quando o contrato com um prestador de serviços cessa.

Apesar de haver uma uniformização saudável à escala europeia, o advogado recomendou cautela, sobretudo quando a informação está estacionada noutros destinos, devido à diversidade de legislações.




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