Diagnóstico da eHealth em Portugal

País baixou 4%, passando de um indicador de 0,44 para 0,40 em 2012, enquanto a média europeia cresceu 3%. Remuneração insuficiente é o principal motivo para médicos europeus não usarem serviços electrónicos de saúde.

eHealth Portugal - CEPortugal está próximo da média europeia nos serviços electrónicos de saúde (eHealth), segundo a “Análise comparativa da implantação de serviços de saúde em linha nos hospitais (2012-2013)“, publicada esta segunda-feira pela Comissão Europeia e que envolveu cerca de 1.800 hospitais na Europa a 27, mais Croácia, Islândia e Noruega, cujos CIOs foram inquiridos entre Outubro de 2012 e Janeiro de 2013.

No geral, em termos de indicadores de implantação de eHealth (eHealth Deployment) entre 2010 e 2012, Portugal baixou 4%, passando de um indicador de 0,44 para 0,40 em 2012, enquanto a média europeia cresceu 3%.

Segundo os dados para os 41 hospitais que completaram o inquérito (de 589 identificados), se há áreas como a prescrição electrónica onde Portugal está acima da média europeia (mais 48%) ou as redes com acesso à Internet acima dos 50Mbps (mais 30%), há áreas abaixo dessa média – mas não mais de 15% na sua maioria, diz o estudo.

Na comparação de resultados entre aqueles dois anos, o estudo mostra que os maiores ganhos ocorreram na banda larga acima dos 50Mbps, na troca de resultados laboratoriais com fornecedores externos e nas redes sem fios. Pelo contrário, o registo único de doentes (Electronic Patient Record ou EPR) partilhado entre departamentos e o sistema integrado para encaminhamento de pacientes (eReferral) tiveram declínios de -28% e de -40%, respectivamente.

Os autores do relatório apontam que os dados nos 13 indicadores abordados (agrupados em infra-estrutura, aplicações, integração e segurança) devem ser lidos com alguma precaução porque, embora sendo representativos, “podem não ser totalmente comparáveis entre os dois anos”.

Em termos de tipos de hospital, o relatório aponta áreas em que as instituições públicas lideram – como a banda larga, o uso de Picture Archiving and Communication System (PACS) e a troca de informação de cuidados de saúde com fornecedores externos -, mas o mesmo acontece nos hospitais privados (regras claras e estruturadas no acesso aos dados clínicos) e nas instituições sem fins lucrativos (EPR único partilhado entre departamentos).
eHealth Portugal - indicadores - CE
Diagnóstico europeu
Segundo o comunicado da Comissão, “de acordo com dois inquéritos realizados em hospitais de cuidados agudos (destinados a tratamentos e cuidados médicos e cirúrgicos de curta duração) e entre médicos de clínica geral na Europa, a utilização da saúde em linha está a começar a ganhar expressão, com 60% dos médicos de clínica geral a utilizarem ferramentas de saúde eletrónica em 2013, um aumento de 50% comparativamente a 2007. Mas é necessário fazer muito mais”.

A Comissão nota que “os países com melhor desempenho em termos de utilização da saúde em linha nos centros hospitalares são a Dinamarca (66%), a Estónia (63%), a Suécia e a Finlândia (62% em ambos)”, e que “os serviços de saúde em linha são ainda, maioritariamente, utilizados para o registo e a comunicação tradicionais e não para fins clínicos, como a realização de consultas por via eletrónica (apenas 10% dos médicos de medicina geral adotaram esta prática)”.

Na digitalização dos registos de saúde dos pacientes, os Países Baixos lideram (com 83,2% de digitalização), seguindo-se a Dinamarca (80,6%) e o Reino Unido (80,5%).

No geral, “apenas 9% dos hospitais da Europa permitem aos pacientes acederem, por via eletrónica, aos seus registos médicos e a maior parte apenas concede acesso parcial”.

Quanto aos médicos, questionados porque não usavam serviços de saúde electrónica, 79% declarou como principal motivo a “remuneração insuficiente”, seguindo-se o “conhecimento insuficiente de ferramentas de tecnologia e informação (72%); inexistência de interoperabilidade nos sistemas (73%); e ausência de um enquadramento regulamentar relativo à confidencialidade e à privacidade na comunicação entre médico e paciente, via endereço eletrónico (71%)”.




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