APIs para a Europa

União Europeia financia desenvolvimento de aplicações por PMEs e startups, mas apenas na plataforma aberta FI-ware.

Juan Hierro_director do projecto FI-ware (DR)A Comissão Europeia anunciou hoje o lançamento de uma “open call” para o estabelecimento de um ecossistema de inovação aberta assente na plataforma FI-ware. O anúncio, feito esta segunda-feira à margem do evento de apresentação do projecto em Sevilha (Espanha), prevê um investimento de 100 milhões de euros para pequenas empresas e empreendedores que desenvolvam aplicações usando aquela plataforma nos próximos dois anos.

Foram igualmente anunciadas duas competições com um valor total de 340 mil euros, que terminam a 31 de Março próximo, para premiar aplicações que promovam melhores condições de vida para os cidadãos e para as que forem criadas com esta plataforma de desenvolvimento. O FI-ware (FI são as iniciais de Future Internet) recebe assim o maior investimento que a UE alguma vez deu nas TIC e integra a FI-PPP, uma parceria público-privada criada em 2011 com um investimento global de mais de 400 milhões de euros.

O objectivo é criar uma plataforma aberta para disponibilização de dados públicos e aplicações desenvolvidas para a Internet do futuro, em áreas como as smart cities, fábricas do futuro ou eHealth. Quer os dados como as aplicações – criados usando o framework de desenvolvimento e ferramentas de gestão FI-ops – serão em geral de acesso público e sem encargos de copyright.

No entanto, os próprios criadores dos programas ou os detentores dos dados podem colocar algumas restrições, explicou aos jornalistas o responsável do projecto, Juan Hierro, da Telefónica I+D. Quer-se atingir um milhar de empresas, com financiamentos entre 50 mil e 150 mil euros, que apresentem um modelo de negócio sustentável a um dos 16 avaliadores europeus de projectos.

Nenhum está em Portugal. No espaço nacional, apenas a Alfamicro foi apontada como potencial parceira do FI- ware.

Cloud para aplicações

Uma componente do projecto é também o FI-lab, um laboratório de inovação na cloud e a plataforma tecnológica onde programadores e entidades vão colocar os seus conteúdos ou dados. Este espaço em cloud, cujo primeiro está localizado em Sevilha no centro de dados da Red.es, será replicado noutras cidades espanholas e na Grécia, Itália ou República Checa.”Sevilha aderiu ao projecto há três anos”, explicou Asunción Godoy, da administração financeira da cidade, por ser “um ecossistema que impulsiona a economia local, e uma forma efectiva de colaboração”.

Também Maza Burgos, vice-presidente da empresa municipal de Sevilha CEMS, notou que se tratam de “projectos orientados para o cidadão, para dinamizar o tecido empresarial”. E também para “posicionar a Andaluzia para conseguir interligações às novas tecnologias e Espanha ser pioneira na Europa, com esta rede”.

Colocar o FI-ware como uma norma europeia ou mesmo mundial é igualmente o objectivo da Telefónica, líder do projecto. “Há três ou quatro empresas que controlam as aplicações e a Europa ficou para trás, e não queremos ficar para trás, ser um museu”, disse Ignacio Ochoa, responsável para o sul de Espanha da operadora.

“Queremos ter projectos englobadores, ter visão mundial, ter grandes empresas a ajudar as PMEs a chegar ao mercado mundial e ter cooperação público-privada”.

Internet será o próximo computador

“Estamos na terceira revolução digital, que consiste na integração, a Internet será o próximo computador e vamos criar o sistema operativo desse novo computador”, assegura Juan Hierro. “Há vários incumbentes com plataformas proprietárias e achamos que há uma alternativa aberta, porque assim vamos poder contar com vários fornecedores de aplicações”, explicou, dando o caso da Amazon Web Services.”É importante poder questionar onde estão os dados e as minhas aplicações”.

Este ecossistema aberto “é nas smart cities que está a ter mais dinamismo – porque não se trata de colocar os dados num sítio mas de colocar os dados e deixar que outros os usem – e trata-se de competir pelas melhores ideias com os dados das cidades”.

Há também oportunidades de negócio, esclarece, porque “não é um projecto de investigação, tem orientação para o mercado, para chegar ao mercado e ter impacto nas empresas. E não é um projecto que se termina, as marcas FI-ware vão perdurar”, garante.




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