Tecnologia potencia mais empregos e melhores vencimentos

Emprego tecnológico proporciona maior criação de postos de trabalho não-tecnológicos, mais rendimento e crescimento económico. Quatro países respondem por 60% de empregos “high-tech” criados na Europa. Portugal tem 268 mil profissionais.

Emprego high-tech UE - VIVESEm Portugal, os recursos humanos “high-tech” empregados aumentaram 20,3% entre 2000 e 2011, perto dos 19,5% da média da Europa a 27. O país tinha então 268 mil pessoas no sector tecnológico – uma percentagem de apenas 5,6% relativamente ao mercado de trabalho em geral.

Os resultados constam do estudo “High-Technology Employment in the European Union“, realizado pelo VIVES (Research Centre for Regional Economic Policy) da universidade belga de Louvaina.

Para os autores, a definição de trabalhadores “high-tech” inclui quem trabalha nas indústrias tecnológicas mas também em ocupações STEM (ciência, tecnologia, engenharias e matemática). No total, dos 217 milhões de empregados na Europa em 2011, cerca de 10% estava na tecnologia em geral, dos quais 12 milhões em ocupações STEM em indústrias não-tecnológicas.

O estudo analisa as tendências na União Europeia entre 2000 e 2011. Neste ano, contavam-se 22 milhões de trabalhadores na Europa a 27, ou 10% do total de empregados. No entanto, é uma área onde o emprego cresceu – nomeadamente em regiões onde as actividades tecnológicas eram mais reduzidas. O desemprego tecnológico em 2010 situava-se “consistentemente” abaixo dos 4%.

A República Checa tinha a maior percentagem (13,7%) mas outros 12 países estavam acima dos 10% no total de emprego tecnológico relativamente ao emprego total. Em termos europeus, a Alemanha (21,9%) lidera este tipo de recursos humanos, seguida pela França, Itália e Reino Unido. No conjunto, estes quatro países representavam 60% dos mais de 3,5 milhões de empregos “high-tech” criados na Europa a 27, até 2011.
Emprego high-tech Portugal - VIVES
Maior vencimento com multiplicador económico
O estudo detecta que este tipo de trabalhador “enfrenta um mercado de trabalho mais favorável”, com menores taxas de desemprego e salários mais elevados – em média, 19% a mais do que outros trabalhadores. E, segundo os autores do estudo, constata-se um “multiplicador” para a criação de empregos secundários numa dada região: por cada emprego “high-tech” criado, surgem mais de quatro empregos adicionais não-tecnológicos com impacto na economia local, incluindo advogados, médicos, professores, gestores ou pessoal de limpeza.

Enquanto a Irlanda, Estónia, Malta e Hungria colocam os empregados “high-tech” nas indústrias tecnológicas, países como Portugal, Grécia, Chipre, Roménia e Bélgica fazem-no em indústrias não-tecnológicas. O “retrato” de Portugal em 2011 era a colocação deste tipo de recursos humanos em ocupações STEM em indústrias não-tecnológicas, seguindo-se o emprego em indústrias tecnológicas e não-STEM e, por fim, emprego STEM em indústrias tecnológicas.

Em termos de desemprego STEM, em 2010, Portugal estava em sexto lugar com cerca de 6% (a média europeia era de 4%), mas em melhor posição do que a Irlanda ou a Espanha, por exemplo.

Já relativamente aos vencimentos nas ocupações STEM e no mercado em geral, analisados os anos de 2005 e 2010, os STEM tinham uma diferença positiva de 69% neste último ano em Portugal. Aliás, com a Roménia, que tinha o mesmo valor percentual, estes dois países lideravam essa diferença mais aguda, reconhece o estudo, enquanto na Bélgica se ficava apenas nos 17%. Em termos europeus, era apenas de 19%.

No nosso país, o crescimento percentual entre vencimentos de trabalhadores STEM e não-STEM entre esses dois anos avaliados foi de 6,1% e 5,9%, respectivamente.




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