“Preço das nossas pessoas não é baixo, é competitivo”

A coordenadora do Accenture Delivery Center, Susana Mata, afirma que aquele é reconhecido como tendo “um preço justo” para os serviços prestados. E procura distanciar a estrutura do sector do outsourcing.

Na rede de centros da empresa onde se integra, o Accenture Delivery Center de Portugal não consegue competir posicionando a sua oferta pelo preço, dada a imbatível concorrência das unidades do Oriente, diz Susana Mata – coordenadora da operação portuguesa. Na Europa as propostas do centro sedeado em Lisboa já são mais competitivas, mas a responsável garante que o preço dos serviços é  elemento diferenciador.

Além disso, apesar da vocação de nearshoring da operação, Mata procura extraí-la do sector do outsourcing. Mesmo assim, 30% da actividade da estrutura pode ser classificada como tal.

O Delivery Center  foi recentemente inaugurado e funciona hoje em pleno , com cerca de 250 profissionais, dedicados a serviços de implantação de sistemas, e manutenção dos mesmos.

Computerworld – Quais são os sectores económicos ou as áreas onde o centro realiza maior volume de negócio?

Susana Mata – Estamos mais orientados por áreas de especialização, embora sirvamos vários sectores económicos. A área de Field Force Management é uma área muito importante, mas a de sistemas gestão de recursos humanos é aquela sobre a qual somos mais reconhecidos internacionalmente, onde temos mais profissionais a trabalhar e temos maior volume de facturação.

CW – Qual é a percentagem relativa a essa área?

SM – Não lhe sei dizer com exactidão.

CW – O presidente da Accenture Portugal, José Galamba de Oliveira, disse recentemente num debate, que o sector de outsourcing estava a passar por uma fase de reajuste de preços, face à crise. Na actividade do centro isso também foi notório?

SM – Nós não estamos bem no sector de outsourcing, embora também tenhamos serviços de manutenção. Fazemos implantação de sistemas. Na maioria das situações são projectos de âmbito fechado.

CW – Mas não pode ser classificado como centro de outsourcing? Não fazem nearshoring?

SM – É de nearshoring para as áreas de sistemas de informação. Mas não está necessariamente ligado a outsourcing.

Na definição da Accenture o outsourcing acontece quando substituímos as empresas em determinadas funções. Os serviços de manutenção são uma componente que podemos classificar como sendo de outsourcing mas só representa 30% da actividade total.

CW – Em contratos ou volume de negócios?

SM – Em contratos.

CW – Disse que a relação preço/qualidade dos serviços era bastante competitiva no âmbito europeu. Essa relação é baseada em quê?

SM – Na qualidade reconhecida dos nossos recursos, no preço das nossas pessoas. E…

CW – Que é baixo?

SM – Não é baixo, é competitivo. Neste tipo de negócio não é esse o nosso posicionamento. Não é pelo preço, porque os centros do Oriente, são muito mais competitivos.

É mesmo uma relação de qualidade/preço. Para o serviço que fornecemos somos reconhecidos como tendo um preço justo.

CW – A rede da Accenture tem 50 centros espalhados no mundo. Nesse âmbito os salários do centro português estão em que nível, na parte superior, inferior, média da tabela?

SM – Não está claramente na parte inferior, porque os centros do Oriente são mais competitivos.

CW – Mas e na Europa?

SM – Na Europa somos um centro competitivo. Depois depende das tecnologias, das áreas, de muita coisa.

CW – Em termos de preços?

SM – Na relação preço/qualidade. Mas há complementos, não é só salários. Não é pelo factor preço que perdemos oportunidades, mas  ele também não é diferenciador.

CW – Quais são as vossas perspectivas de contratação para o centro, durante o corrente ano?

SM – Ainda não temos esses números.

CW – Mas depende da entrada de algum projecto ou contrato?

SM – Sim, estamos permanentemente com uma carteira de oportunidades, e mediante esse quadro vamos crescendo. Não há qualquer objectivo definido, neste momento.

CW – Falou no objectivo de desenvolver capacidades para projectos de SaaS, e “mais algumas áreas”. Quais?

SM – Nós já estamos a trabalhar muito na área dos recursos humanos. Já fomos reconhecidos como o centro para a Europa e América no desenvolvimento de competências para os novos SaaS para recursos humanos, que são o Sucess Factors (SAP), Work Day e Teleo (Oracle). Mas há outras ferramentas com cada vez maior protagonismo em áreas do mercado como a de gestão de forças de venda – como a Salesforce.com, e também a Toa – e também estamos a capacitar profissionais sobre elas.

CW – Quanto a um enfoque do centro na economia digital, um universo já muito vasto, refere-se a qual das áreas?

SM – Estamos a falar de tudo o que está associado a eBusiness, gestão de conteúdos, portais, mobilidade, análise para marketing digital. É uma aposta forte da Accenture internacional e nós aqui no centro queremos estar na crista da onda.

CW – Mas precisam de desenvolver uma especialização numa área, ou não?

SM – Sim. Estamos a avaliar, na componente de economia digital de cada área onde já nos especializamos, onde nos devemos concentrar.




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