Programa Carnegie Mellon com 21 propostas em avaliação

Especialistas internacionais estão a analisar que projectos vão ser financiados. O objectivo é apoiar aqueles mais inovadores, de escala internacional, capazes de conciliar investigação fundamental com a solução de problemas reais, diz João Claro.

O concurso do Programa Carnegie Mellon Portugal, Iniciativas Empreendedoras de Investigação ou Entrepreneurial Research Initiatives (ERI), teve 21 propostas aprovadas para avaliação quanto ao seu financiamento, revela João Claro, director nacional da parceria com a universidade dos EUA. Só quatro a sete serão efectivamente financiadas, no quadro de cooperação.

Em entrevista para o Computerworld, o responsável considera que o programa tem dado o seu contributo para a consolidação de uma comunidade e sentimento de partilha na área das TIC, em Portugal.

CW – Que novidades tem o Programa Carnegie Mellon Portugal em termos de candidaturas ao financiamento de novos projectos de investigação ERI?

João Claro – A fase II do Programa Carnegie Mellon Portugal, que arrancou em 2013, dá ênfase à formação avançada e à investigação com um potencial significativo de impacto empreendedor. O instrumento-chave para o bom cumprimento dos objectivos do programa são precisamente os projectos que designamos por Iniciativas Empreendedoras de Investigação (ERIs – Entrepreneurial Research Initiatives).

Pretendemos que estes projectos sejam motores de inovação de escala internacional, integrados em redes globais de conhecimento e de negócios, para formar inovadores criativos, gerar novas ideias, e traduzi-las em produtos, processos e serviços.

Na proposta a submeter para financiamento, os consórcios tiveram de apresentar um plano estratégico global de desenvolvimento do trabalho, bem como planos específicos para as componentes de investigação, educação e inovação, com uma perspectiva de sustentabilidade para além do final do projecto. O orçamento disponível é de cerca de seis milhões de euros, dividido entre Portugal e a Carnegie Mellon University (CMU), para apoiar entre quatro a sete “Iniciativas Empreendedoras de Investigação” por um período de quatro anos.

O concurso esteve aberto de Julho a Outubro de 2013 e já temos a informação de que foram aprovadas para avaliação 21 propostas. Neste momento, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) pediu a um comité de avaliação composto por peritos internacionais para avaliar e seleccionar quatro a sete projectos para serem financiados.

CW – Como deverá evoluir o número de investigadores integrados no programa durante os próximos anos?

JC – A nossa expectativa é que o número de docentes, investigadores, estudantes e empreendedores envolvidos no Programa continue a crescer. Sentimos que o programa tem contribuído para a consolidação de um sentimento de comunidade, de partilha na área das TIC.
Há ligações entre investigadores das universidades portuguesas e da CMU que já existiam, mas outras que nasceram fruto do estímulo dado pelo programa. Temos apostado de uma forma continuada nas pessoas, nos projectos de investigação inovadores, e nas instituições.

Os programas de doutoramento e de mestrado profissional de grau dual, o intercâmbio de docentes, e as cinco linhas de financiamento de projectos de investigação que conseguimos lançar até à data, são alguns dos instrumentos estratégicos do programa.

CW – Quanto às candidaturas para financiamento de novos projetos de investigação, quais são as tendências mais evidentes? Que sectores tecnológicos concentram maior número de iniciativas?

JC – O período de candidaturas às Iniciativas Empreendedoras de Investigação (ERIs) terminou em Outubro. Como referi, neste momento a FCT tem um painel de peritos internacionais a avaliar as 21 propostas que cumpriam todos os requisitos de elegibilidade.

O nosso objectivo é financiar projectos que se caracterizem por um forte carácter inovador, de escala internacional, que conciliem investigação fundamental com a solução de problemas reais. Neste contexto, e dados os bons resultados já registados até aqui, estamos optimistas e convictos de que iremos conseguir viabilizar e financiar um conjunto de projectos que se destaquem pela excelência, inovação, e potencial de impacto no contexto actual.

CW – Quais são os seus objectivos para a segunda fase do Programa Carnegie Mellon Portugal?

JC – A renovação do programa foi um sinal de reconhecimento pelos resultados positivos que conseguimos obter ao longo dos primeiros seis anos do programa. Nesse período, o Programa Carnegie Mellon Portugal, através da FCT, financiou projectos de investigação inovadores com uma forte participação da indústria, e houve uma aposta clara na investigação colaborativa, entre as universidades portuguesas, as empresas e a CMU.

Por outro lado, no eixo da educação pós-graduada, a iniciativa foi a única a proporcionar programas de doutoramento e de mestrado profissional de grau dual, ou seja, os estudantes do Programa Carnegie Mellon Portugal recebem um diploma da universidade portuguesa e outro da CMU.

Na construção do plano estratégico para a fase II houve uma grande preocupação em manter alguns instrumentos, criar novos e privilegiar algo que já começava a ser notório na fase I: a inovação e o empreendedorismo. É importante realçar que durante a fase I, o programa impulsionou a criação de nove startups.

CW – Quais são os seus objectivos quanto ao reforço da relação da comunidade académica de investigação com a indústria portuguesa?

JC – Um dos elementos da missão do Programa Carnegie Mellon Portugal passa pela promoção do desenvolvimento científico em áreas focadas das TIC, nomeadamente através de investigação de ponta, da excelência na formação pós-graduada e de uma relação próxima com a indústria portuguesa. Posto isto, é para nós um aspecto fundamental continuar a ser um agente activo e mobilizador da proximidade e integração entre a academia e a indústria, no sentido de promover a integração das ferramentas necessárias e relevantes para ambas as partes – proporcionando que o conhecimento, inovação e investigação científica desenvolvida nas universidades, possam integrar-se de forma mutuamente benéfica no contexto empresarial, considerando o conhecimento de mercado e as características específicas de cada área de actividade.

Trata-se de tirar o máximo partido do trabalho de investigação, permitindo-lhe traduzir-se numa lógica de mercado, capitalizando a sua componente competitiva e de valor acrescentado para o contexto económico. Com efeito, podemos também referir que o Programa Carnegie Mellon Portugal foi pioneiro no desenvolvimento de modelos de colaboração e parceria entre instituições de ensino superior, institutos de investigação e empresas, que estão hoje a ser replicados noutras partes do mundo.




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