Empresas dos EUA podem sofrer com alerta contra cloud na China

“Essa mensagem vai voltar-se contra nós”, defende um crítico perante a tomada de posição de uma comissão do Congresso norte-americano.

A comissão do Congresso que alertou as empresas dos EUA de que o uso de serviços na nuvem localizados na China representam um risco de segurança é injusta e pode levar a uma retaliação contra as empresas americanas de tecnologia, dizem os críticos.

A U.S.-China Economic and Security Review Commission divulgou o seu relatório anual para o Congresso esta semana, instando os legisladores e a administração Obama a tomarem medidas para reduzir a “campanha de ciberespionagem em larga escala contra os Estados Unidos” pelo governo chinês.

Hackers baseados na China têm “visado com sucesso as redes do governo e de organizações privadas dos EUA”, diz a comissão. Estes objectivos têm incluído o Departamento de Defesa e empresas privadas.

Os serviços em nuvem baseados na China são uma ameaça particular para as organizações dos EUA devido à relação entre o ministério chinês de Segurança do Estado (o equivalente à Agência de Segurança Nacional – NSA – norte-americana) e a Chongqing Special Cloud Computing Zone, disse a comissão. Os laços entre os dois representam uma “ameaça potencial de espionagem para as empresas estrangeiras que possam usar os serviços de computação em nuvem fornecidos a partir dessa zona ou têm ali operações”.

Apesar de reconhecer o risco de fazer negócios na China, Daniel Castro, analista sénior da Information Technology and Innovation Foundation, uma instituição de pesquisa em Washington, considera que o argumento da Comissão pode ser usado para alertar contra o armazenamento de dados num serviço de nuvem em qualquer país.

“Essa mesma mentalidade (se exercida por outros países) é destrutiva para as empresas de tecnologia dos Estados Unidos, porque queremos ser exportadores de serviços de dados”, disse Castro à CSOonline esta quinta-feira. “Se estamos a dizer que não se pode confiar nos dados devido ao local onde são armazenados, essa mensagem vai voltar-se contra nós”.

O facto é que a China não é muito diferente de outros países no que se refere à espionagem, afirmou recentemente Jim Reavis, director-executivo da Cloud Security Alliance, à Bloomberg.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado