Operadores “unidos” em congresso

Em defesa do avanço português no mercado de telecomunicações e contra a harmonização europeia regressiva, operadores, regulador e Governo, mostraram estar alinhados.

A queda na rentabilidade do sector das telecomunicações serviu de alavanca, para a maioria dos intervenientes do debate “Estado da Nação” se unirem em torno de uma regulação mais específica, face ao resto da Europa. Portugal deve procurar defender na Comissão Europeia o avanço alcançado na regulação e sofisticação do seu mercado, segundo a opinião dos representantes dos três grandes operadores no Congresso das Comunicações – Vodafone, PT e Zon/Optimus.

O Governo, parece alinhado com esta ideia: o secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, considera que “a aplicação correcta” das políticas emanadas no âmbito da Comissão Europeia e do BEREC, “têm de atender à realidade de cada país”, incluindo o estado de desenvolvimento do sector. (O BEREC é o organismo de Reguladores Europeus das Comunicações Eletrónicas (BEREC)).

A presidente da ANACOM , Fátima Barros, também apontou críticas às ideias do organismo europeu no  quadro da reforma do mercado das telecomunicações da União Europeia. Manifestou-se preocupada com a potencial de complexidade na regulação que a reforma pode acrescentar mas também com as assimetrias que pode aprofundar.

Na sua opinião, a proposta favorece os operadores “pan-europeus” em detrimento dos nacionais.”E tende a aumentar o poder da Comissão Europeia”, acrescentou.

Antes, Sérgio Monteiro salientara que os mecanismos e autonomia de colocação de espectro no mercado são “um instrumento de competitividade” que o país não pode perder.  Fátima Barros reconheceu o contexto difícil dos operadores mas não deixou de os alertar para necessidade de reformarem o seu negócio, para crescerem.

“Explorar a cadeia de valor” a níveis superiores (além da prestação de serviços de acesso) , tirar maior o partido das suas infra-estruturas,  ou gerar procura com novas aplicações (com maior necessidade de velocidade) foram algumas das suas sugestões.

Queda de 5 a 10%

Zeinal Bava, presidente da PT Portugal, foi o primeiro a queixar-se da queda nas receitas, registadas na ordem dos 5 a 10% no universo europeu. Para o executivo, as mesmas aproximam-se de um nível perigoso que poderá impedir o investimento dos operadores.

Na sua visão, Portugal tem de rejeitar modelos “retrógados” de regulação, por exemplo no modo de consulta aos operadores e “ fugir à tentação de ser o melhor aluno na Europa”. Torna-se necessário evitar cair em decisões nocivas ao mercado, como a das terminações de chamadas que resultaram em impactos negativos importantes nas receitas associadas às comunicações móveis.

Para CEO da Vodafone Portugal, o mercado europeu está a atrasar-se face a outros, por efeito de uma regulação demasiado minuciosa e voltada para o curto prazo. “Portugal não pode regredir para harmonizar com o resto da Europa”, defendeu Zeinal Bava.

Miguel Almeida CEO, partilha da preocupação de de Bava, e reforçou que o sector português é “um exemplo mundial”,  com “necessidade de ser protegido para poder investir”. O CEO da Vodafone Portugal assinalou que 2013 será o sexto ano consecutivo que as receitas dos operadores caiem.

“Só com operadores sólidos”, se poderá reinventar Portugal. A Vodafone revelou na última quarta-feira que pretende implantar uma rede de fibra ótica em Portugal capaz de uma cobertura de 1,5 milhões de casas.

Zeinal Bava revelou estar contente com essa notícia, sobretudo pelo investimento n o país, e aproveitou para dizer que com maior “previsibilidade na regulação” a PT a poderia investir na cobertura de mais um milhão de casas com acesso por fibra. Particularmente focado na Vodafone, o executivo reforçou que não pretende facilitar o acesso daquele operador à sua rede.

“Não é para a Vodafone surfar nela” afirmou no momento mais “quente” do debate. E ainda assinalou que aquele operador é um operador “incumbente” à escala europeia com cerca de 27% de quota no mercado da mobilidade –  e, sugeriu, com mais poder do que a PT e aZon/Optimus.

Antes Miguel Almeida alertou para a situação de haver em Portugal um duopólio TMN /Vodafone com “desequilíbrios estruturais que a ANACOM insiste em não combater”.

Convergência no centro das estratégias  

Os três operadores colocam a convergência de tecnologias e serviços no centro das suas estratégias. Parece assente que o cliente está cada vez mais interessado em garantir acesso, não importando a tecnologia (fibra, coaxial, ou 4G) – segundo os operadores.

O CEO da Zon/Optimus prometeu o reforço do investimento mas disse ser muito cedo para revelar as áreas eleitas. Não rejeitou a expansão do negócio da empresa no estrangeiro, mas apesar da presença em África, considerou que esse alargamento “não tem de passar por lá”.

Aproveitando para lançar uma farpa, Mário Vaz salientou o enfoque da Vodafone no mercado português. E face à sugestão de uma possível compra em África, Zeinal Bava considerou ser importante aprender várias lições com os operadores africanos – especialmente nas aplicações móveis.

CTT com interessados no estrangeiro

Presente no debate, o presidente dos CTT, Francisco Lacerda, mostrou-se animado com as perspectivas de dispersão em bolsa de  70% do capital da empresa. Revelou haver interesse de entidades estrangeiras nos títulos da empresa, E considerou que será “difícil haver momentos tão positivos” como o actual, para realizar a operação.




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