Microsoft, o gigante adormecido da cloud

Com o seu vasto portefólio de software e milhões de dólares em investimentos na infra-estrutura, a Microsoft está pronta para governar a nuvem, assegura Eric Knorr, da InfoWorld.

Estamos acostumados a pensar na Microsoft como um gigante desajeitado, sobrecarregado com o seu legado da era do PC. Mas que outra empresa no mundo tem uma colecção tão grande de software e serviços para oferecer através da nuvem, para não mencionar a infra-estrutura na nuvem para os garantir?

A Microsoft tem os recursos para dominar o mercado de cloud. A questão, como sempre, é o quão bem ela pode executar essa tarefa.

Brad Anderson, vice-presidente corporativo da divisão Cloud and Enterprise da Microsoft, ajuda a supervisionar uma grande fatia da carteira de nuvem privada e pública: Windows Server, System Center, SQL Server, Windows Azure e Visual Studio.

Conversei longamente com ele e com o editor-executivo da InfoWorld, Doug Dineley. Em particular, a nossa conversa centrou-se na ligação entre o Windows Server e o Azure, embora tenho começado pelo compromisso da Microsoft com a sua nuvem pública.

Preparando-se para o domínio
A Microsoft reorganizou-se, mudou o nome da divisão Server and Tools para divisão Cloud and Enterprise. Mas, de acordo com Anderson, pouco mudou em termos de responsabilidade, excepto que os Global Foundation Services passaram a fazer parte desse grupo. Estes são os responsáveis por toda a infra-estrutura de data centers da Microsoft, incluindo os do Azure.

Eu tinha ouvido que a Microsoft estava a investir muito mas, ainda assim, fiquei surpreso com a escala. “Nós devemos ter sido o maior comprador de servidores em todo o mundo no ano passado”, diz Anderson. “A cada seis meses, vamos ter que duplicar a nossa capacidade de computação e de armazenamento. Para lhe dar uma ideia, nos últimos três anos passámos mais de 15 mil milhões de dólares em CapEx”.

Isto é um pedaço de uma plataforma de lançamento na nuvem. Além disso, embora o Office 365 esteja fora da alçada de Anderson, ele atingiu a taxa anual de mil milhões de dólares mais rapidamente do que qualquer outro produto na história da Microsoft (embora alguns questionem essa afirmação). Além disso, em Junho, o gestor geral do Azure, Steven Martin, afirmou que o número de clientes Azure subiu para 250 mil e foi aumentando a uma taxa de mil por dia.

Sem dúvida, muitos deles tornaram-se clientes Azure após a decisão da Microsoft, em meados de 2012, de ofereceer o Azure como IaaS simples (ao contrário de PaaS), que Peter Wayner, da InfoWorld, caracterizou como tendo um excelente preço-desempenho, integração com a cadeia de ferramentas do Windows, e abundância de opções open source. “Você pode apostar que um grupo de clientes também vai descobrir o Azure e atravessar a ponte que a Microsoft está a construir entre o System Center e o Windows Server por um lado, e os serviços Azure por outro”.

Centros de dados sem fronteiras
A mensagem principal é que os clientes do Windows Server podem agora usar o Azure como uma extensão de sua infra-estrutura de servidor local. “Nós somos a única organização no mundo a garantir a consistência entre nuvens privadas e públicas”, diz Anderson. “Você pode mover a sua máquina virtual para dentro do Azure sem mudar uma linha de código, sem alterar seus processos”.

Anderson também afirma que a tecnologia de desenvolvimento no Azure está a ser portada para o Windows Server. Ele chama essa abordagem de “cloud em primeiro lugar”. Como explica, “o nosso princípio de engenharia é de projecto para a nuvem. Projecte para a confiabilidade, escalabilidade, segurança, disponibilidade de um serviço de nuvem pública, e depois pegue no que aprendeu e ofereça para que as organizações executem o mesmo nos seus data centers. Deixe que todos beneficiem do que estamos a aprender no Azure”. Aparentemente, isso aplica-se a uma ampla faixa de produtos corporativos da Microsoft, incluindo muitas das melhorias no Windows Server 2012 R2 Hyper-V.

Que tipo de casos de uso de nuvem híbrida está Anderson a ver? Os clientes estão realmente a “estourar” com a sua infra-estrutura local para o Azure? “Há organizações que estão a dizer… hmm, talvez eu coloque todos os meus servidores de Web na nuvem pública, mantendo a camada de dados no seu centro de dados privados. Então, pode-se dizer que está a estourar. Isso é um serviço híbrido executado num modelo de nuvem híbrida. Estamos a ver muito isso”, diz Anderson.

Dar o salto
A Microsoft lançou o Azure há dois anos e meio. A quota no mercado de IaaS do Azure pode ser pequena em comparação com a da Amazon, mas isso deve-se em parte ao facto de a Microsoft ter empurrado teimosamente o Azure como um PaaS, até que começou a oferecer IaaS no Verão de 2012. Com base no backup do Windows Server e serviços de recuperação de desastres oferecidos no Azure, tenho a sensação de que vamos ver o número de clientes na nuvem da Microsoft crescer rapidamente.

Entretanto, será interessante ver como a Microsoft vai combinar o Azure com o Office 365 – e até mesmo com o Microsoft Dynamics CRM – para criar soluções completas na nuvem para pequenas e médias empresas. Há aí um bom potencial.

A InfoWorld tem “martelado” a Microsoft, no lado do cliente, com críticas negativas ao Windows 8 e Windows Phone. Para os clientes empresariais, os erros significam pouco a longo prazo com o data center movendo-se para a nuvem. Uma estratégia de nuvem híbrida será muito interessante para a Microsoft – poucos podem igualar os recursos por trás da sua infra-estrutura de nuvem pública.




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