Máquinas inteligentes ameaçam empregos qualificados

Num mundo onde as máquinas inteligentes fizerem a maioria do trabalho, a Gartner prevê a persistência de uma alta taxa de desemprego, agitação social e tumultos. Os CIO são chamados a agir.

Os impactos da inovação tecnológica deverão rapidamente ser mais visíveis, de acordo com a Gartner. Há muito que a literatura e investigadores fala deles. Mas agora a consultora definiu mesmo um calendário e recomendou a adopção de medidas.

Segundo as previsões da consultora, o desemprego deverá aumentar assim como os tumultos sociais. E isto já no próximo ano conforme se usem máquinas para substituir cada vez mais os trabalhadores, de classe média, em empregos bem remunerados e especializados.

Nas empresas, os CIO em particular, deverão enfrentar importantes dilemas conforme enfrentam o impacto social das suas acções. Mas se as máquinas estão a substituir as pessoas desde a revolução agrícola, o que há de novo nesta linha de evolução?

Com os saltos tecnológicos anteriores, os trabalhadores poderiam optar pela formação para obter um emprego melhor e conseguir uma melhoria nos seus padrões de vida. Mas a “Revolução Digital Industrial” – denominação da consultora –  está a “atacar” postos de trabalho de todos os níveis, não apenas os mais baixos.

As máquinas inteligentes, por exemplo, podem automatizar tarefas até o ponto onde se tornam sistemas com capacidades de aprendizagem. “Estão já a fazer diagnóstico de cancro, e prescrever tratamentos “, diz Kenneth Brandt , analista da Gartner.

Estas máquinas “podem até fornecer [ o tratamento ] no quarto do paciente”. Mas a Gartner vê todos os tipos de trabalhos a serem afectados: sistemas de transporte, obras de mineração, armazenamento, a área de cuidados de saúde, entre outros.
Com os custos de TI a representarem em média 4% das vendas de todos os sectores, há muito pouco para se cortar nas TI, segundo a Gartner à escala global. Mas há uma grande oportunidade para se cortar no emprego.

O grupo de empresas na vanguarda da tendência engloba a Amazon, a qual gastou 775 mil milhões de dólares no ano passado para adquirir a Kiva Systems: empresa dedicada ao fabrico de robôs usados em armazéns. A Google também está nesta vanguarda, com o seu esforço para desenvolver carros sem necessidade de condutor.

A Gartner aplica um modelo abrangente, e diz que os empregos mais susceptíveis à substituição de máquinas envolvem uma gama de funções de back-office, envolvendo as de transacções, de especialização, de objectividade, de alto controlo, de grande escala, de conformidade e de ciência.

Novos modelos económicos e empresas sem pessoas

Essa mudança vai afectar os níveis de emprego, disse Brandt, durante o Gartner Symposium ITxpo. “Nós acreditamos que haverá desemprego persistente e mais alto”, sublinhou.

A investigação de Brandt foi concebida para expor posições dramáticas e controversas. Num extremo da escala, ele colocou o resultado do impacto das máquinas inteligentes nos 90% de desemprego. Isso ou é catastrófico ou leva a uma utopia, onde as necessidades básicas acabam por ser satisfeitas e as pessoas ficam livres do trabalho fastidioso.

O objectivo mais amplo da investigação é levar os CIO a considerarem o impacto das máquinas inteligentes nas suas organizações, assim como o surgimento de novas funções, como a de director digital. A Gartner recomenda que as empresas desencadeiem acções rapidamente para formar equipas com enfoque na questão das máquinas inteligentes.

Menos arrojado e disruptivo é o alerta da Gartner para ” agitação social “que por volta de 2020 a redução do emprego deverá causar – além de uma busca por novos modelos económicos em diversas economias maduras.

De 2020 a 2030 “deverá surgir a primeira empresa sem pessoas, ninguém estará envolvido nela, tudo será software, comunicação” em negociação com outras organizações, afirma Diane Morello. A  consultora da Gartner, procura analisar a forma como as máquinas inteligentes vai remodelar o emprego .

Segundo Morello as empresas reconhecem cada vez mais que as máquinas inteligentes fazem parte da força de trabalho. “Os seres humanos não são a única força de trabalho”, sublinha.

Quem consome?

Se a tecnologia reduz a necessidade da força de trabalho, levando depois à redução do consumo, quem vaia comprar compra os produtos das empresas cada vez mais automatizadas? Não há uma resposta clara para o problema, diz Morello.” Alguém vai ter que pagar pelos serviços “, lembra.

Mas as máquinas inteligentes também podem ajudar as pessoas a adaptar-se e a adquirirem novas aptidões, mas os desafios exigem um amplo envolvimento das políticas públicas, de acordo com analistas da Gartner . “É definitivamente fácil ver um futuro distópico”, disse Nick Hansen , analista sénior da Discipline Growth Investors, o qual tem uma visão mais optimista.

“Contudo acabo por voltar sempre à ideia de que há sempre algo que os humanos querem de outros seres humanos”. A primeira fase da revolução poderá beneficiar os barões, ou neste caso, os titãs de Silicon Valley, segundo Hansen.

” Haverá eventualmente um enorme potencial económico a superar o inicial”, conforme as pessoas descobrem como “aceder a todos esses recursos não utilizados ” ou pessoas com actividade suspensa pelas mudanças.




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