10 previsões da Gartner para 2014 sobre TIC

Os analistas da consultora avançaram a sua visão sobre as principais tendências com impacto na área de TI num futuro próximo. Nem todas são novas, mas algumas vão ter influência mais cedo do que tarde.

A Internet das Coisas e a consolidação da cloud computing são tendências, mas fazem parte da lista das mais importantes para a Gartner nos próximos anos. Contudo, existem algumas novas áreas com dinâmica cada vez mais forte – como a impressão 3D e Software Defined Networking – as quais vão ser bastante influentes.

Muitas das alterações são devidas em grande parte ao facto de, até 2020, se prever a existência de 30 mil milhões de dispositivos associados a endereços IP únicos e a maioria serão produtos.  “Isso cria uma nova economia. A Gartner prevê que o valor económico total acrescentado pela Internet das Coisas será de 1,9 biliões de dólares em 2020, beneficiando e afectando uma ampla gama de indústrias, como a saúde, retalho e transporte”.

Quatro forças – redes sociais, mobilidade, cloud computing e informação – continuam a impulsionar mudanças e a gerar novas oportunidades. Criam a procura por infra-estrutura avançada programável capaz de executar à escala da Internet, disse David Cearley, vice-presidente da consultora.

As dez principais tendências:

Diversidade e gestão da mobilidade: até 2018, a variedade crescente de dispositivos de computação, estilos, contextos e paradigmas de interacção tornarão inatingíveis as estratégias “tudo acessível em qualquer lado”. A consequência inesperada dos programas de BYOD é uma duplicação ou mesmo triplicação do tamanho da força de trabalho móvel.

Políticas da empresa sobre o uso de hardware de propriedade do funcionário precisam de ser completamente revistas e, se necessário, actualizadas e ampliadas.

Aplicações móveis e aplicações: a Gartner prevê que, até 2014, o desempenho do JavaScript vai melhorar e começará a impulsionar o HTML5 e o browser como ambiente principal de desenvolvimento de aplicações empresariais. A consultora recomenda aos programadores para se concentrarem na criação de modelos de interface de utilizador mais amplos, incluindo voz e vídeo capazes de interligar as pessoas de novas maneiras.

O número de “apps” mais específicas deverá continuar a crescer, enquanto o das aplicações começará a encolher. Mas os programadores deverão
procurar formas de agregar apps para criar aplicações maiores.

Definido por Software: as formas “qualquer coisa” definida por  software (SDx) incorpora várias iniciativas como a OpenStack , o Open Compute Project e o Open Rack, e partilham visões semelhantes. Conforme os silos individuais de tecnologia SDx evoluem e surgem consórcios, as empresas deverão procurar padrões emergentes e capacidades de interligação para beneficiar portefólios.

Mas devem também desafiar os fornecedores de tecnologia individuais para demonstrar o seu compromisso com as verdadeiras normas de interoperacionalidade dentro de domínios específicos. Enquanto a abertura da tecnologia será sempre um objectivo promovido pelos fabricantes, haverá diferentes interpretações sobre as definições de SDx – muitas até pouco abertas.

Fornecedores de SDN (rede), SDDC (centro de dados), SDS ( armazenamento) e tecnologias SDI (infra-estrutura) vão tentar manter a liderança nos seus respectivos domínios. Os fabricantes que dominam um sector de infra-estrutura só relutantemente vão aderir a normas com o potencial de baixar margens e abrir oportunidades a novos concorrentes – mesmo quando o cliente beneficiar de maior simplicidade, redução de custos e eficiência de consolidação.

Máquinas inteligentes: por volta de 2020, deverá florescer a era da máquina inteligente com uma proliferação de sistemas contextualmente conscientes, assistentes inteligentes pessoais, consultores inteligentes (como o computador Watson da IBM), sistemas industriais globais avançados e a disponibilidade pública dos primeiros exemplos de veículos autónomos. A era da máquina  inteligente será a mais perturbadora na história da TI.

Estão agora finalmente a emergir novos sistemas para materializar algumas das primeiras visões propostas pelas TI – fazer o que pensávamos que só as pessoas pudessem fazer e as máquinas não. A Gartner espera que as pessoas invistam, controlem e usem as suas próprias máquinas inteligentes para serem mais bem sucedidas.

Impressão 3D: o fornecimento mundial de impressoras 3D deve crescer 75% em 2014, seguido por uma quase duplicação do fornecimento de unidades em 2015. O entusiasmo do sector doméstico em torno da área tornou as organizações conscientes de que a impressão 3D é um meio real, viável e de baixo custo para reduzir os custos na prototipagem aerodinâmica e fabrico de curto prazo.

Internet de tudo: a Internet está a expandir-se além dos PC e dispositivos móveis até activos das empresas, tais como os equipamentos, e artigos domésticos, como carros e televisões. O problema é que a maioria das empresas e fornecedores de tecnologia ainda terão de explorar as hipóteses de uma Internet expandida e não estão preparadas do ponto de vista operacional ou organizacional. Imagine a “digitalização” dos produtos, serviços e bens mais importantes.

Cloud híbrida e TI como corretor de serviços: reunir clouds pessoais e serviços de nuvem privada externos é um imperativo. As empresas devem desenvolver serviços de nuvem privada com um modelo híbrido em mente. Devem confimar se a futura integração e interoperacionalidade é possível.

Os serviços de cloud híbrida podem ser compostas de várias maneiras, com arquitecturas mais estáticas ou dinâmicas. Gerir essa composição será muitas vezes o papel de um corretor de serviços de cloud interno, o qual terá de lidar com temas como o da agregação, integração e customização de serviços.

Arquitectura cloud/cliente: os modelos de cloud computing estão a mudar. Na arquitectura cloud/cliente, este é uma aplicação rica em execução num dispositivo conectado à Internet. O servidor é um conjunto de serviços de aplicações alojadas numa plataforma de cloud computing cada vez mais elástica e escalável. A cloud é o ponto de controlo e sistema de registo e as aplicações podem estender-se por vários dispositivos-cliente.

As crescentes capacidades robustas em muitos dispositivos móveis, o aumento da procura de largura de banda, o custo das redes e a necessidade de gerir o uso dessa largura de banda cria incentivos, em alguns casos para minimizar a computação da aplicação na cloud e o seu impacto no armazenamento, explorando mais a inteligência e o armazenamento do dispositivo-cliente. No entanto, a procura cada vez mais complexa dos utilizadores em mobilidade deverá levar as aplicações a exigirem quantidades crescentes de computação e armazenamento da parte do servidor.

Era da cloud pessoal: a era da cloud pessoal vai marcar uma transferência de poder dos dispositivos para os serviços. Nesse novo mundo, as especificidades dos dispositivos tornar-se-ão menos factores de preocupação não tanto importantes para a organização, embora os dispositivos ainda sejam necessários.

Os utilizadores vão usar um conjunto de dispositivos, e o PC permanece uma das muitas opções. Mas nenhum dispositivo será a plataforma agregadora principal.

Em vez disso, a cloud pessoal deverá assumir esse papel. O acesso à cloud e ao conteúdo armazenado ou partilhado a partir da cloud serão geridos e protegidos, e não apenas com enfoque no próprio dispositivo.

TI à escala da Internet: é uma norma de computação de classe mundial que oferece as capacidades dos grandes fornecedores de serviços em cloud dentro de uma empresa de TI fazendo repensar posições em várias dimensões. Os grandes fornecedores de serviços em cloud computing – como a Amazon, Google ou Facebook – vão re-inventar a forma como os serviços de TI são disponibilizados.

As suas capacidades vão além da escala em termos de dimensão, e incluir pensar a escala no que se refere a velocidade e agilidade. Se as empresas querem manter o seu ritmo de evolução, precisam de imitar as arquitecturas, processos e práticas desses fornecedores de cloud.

(Michael Cooney, Network World )




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