Negócios em manutenção

Oracle antecipa crescimento para ano fiscal mas mercado nacional está mais numa fase de manutenção e de “pequenos passos”.

O segmento das utilities foi o que mais cresceu no ano fiscal (que terminou em Maio) para a Oracle em Portugal, como Vítor Rodrigues, director-geral da empresa, tinha antecipado no final de 2012.

Agora, e quando a região EMEA foi das melhores em termos globais (a empresa não revela dados segmentados para Portugal), este responsável considera que grande parte do negócio é de “manutenção”. No âmbito das clouds públicas há uma “adopção lenta”, enquanto nas privadas se “está a estudar, com alguns pequenos passos”. “A mudança de paradigma é lenta, mesmo com perspectivas de negócios”, considera Vítor Rodrigues, que gere uma empresa em que “80% do negócio é com grandes empresas e organismos da Administração Pública”.

Mesmo assim, a previsão para este ano fiscal que termina em Maio próximo “é de crescimento” e não prevê despedimentos.

A empresa conta com 170 funcionários e está a recrutar, nomeadamente para a equipa do MySQL que, com a do retalho, são duas “áreas de foco” internacional, reconheceram os responsáveis nacionais da Oracle num evento com jornalistas realizado hoje. E onde o administrador da Oracle aproveitou para reforçar que o “open source, que temos e acarinhamos, é uma opção válida mas não é para adopção massiva, dado que os custos de licenciamento [de software] são apenas de 6 a 10% da solução” total.

Dos lançamentos no recente OpenWorld, Vítor Rodrigues destaca as melhorias na base de dados 12c (lançada em Junho), para a cloud e com mais segurança, com uma arquitectura inovadora que “nenhuma outra empresa tinha” e que, com o acesso in-memory, proporciona melhorias na gestão e performance das próprias bases de dados, tanto transaccionais como analíticas.

Segundo este responsável, existem mais dados (em Big Data ou nas comunicações máquina a máquina) e há que “voltar a focar-se na infra-estrutura e na base de dados”. Isto porque “tem sempre que se ter em atenção o que o cliente quer”, afirmou, quando inquirido se a Oracle não era vista como uma empresa pouco reconhecida pela inovação e mais por garantir a continuidade dos seus clientes.

“Ao final do dia, os nossos clientes têm que continuar a funcionar”, declarou, “temos cuidado quando lançamos coisas novas, cuidado com os investimentos dos nossos clientes”. E exemplificou com a cloud – “chegámos tarde mas estamos a apanhar” a tendência, disse – e com o investimento em investigação e desenvolvimento da empresa: 4,6 mil milhões de dólares no ano fiscal terminado a Maio de 2013 e uma expectativa de 5 mil milhões de dólares para este ano. “Mais a aquisição de empresas”, lembrou.

Com uma quota de 50% no mercado mundial das bases de dados, segundo referiu, salientou a necessidade de “consolidar” e “obter mais valor” dos seus desenvolvimentos internos. Nesse sentido, a inovação “é aplicada, tem de ter uma aplicação prática”. Em resumo, a empresa pretende uma “protecção dos investimentos, com menos disrupção” para os clientes mas “com evolução.

Ao nível dos sistemas, “há uma continuidade da estratégia de soluções integradas” (no business intelligence, middleware ou bases de dados), com hardware e software. Por exemplo, prosseguiu Fernando Dias, consulting manager da empresa, com uma plataforma de virtualização com soluções de vários fornecedores e não apenas da Oracle.

O objectivo é, “porque as dinâmicas empresariais mudam, libertar margens para os clientes investirem noutras áreas” do seu negócio. Neste modelo de “price performance”, a empresa tenta oferecer “mais performance por um menor custo”.

Os responsáveis da Oracle salientaram ainda o Database Backup Logging Recovery Appliance, um sistema de backup que liberta as comunicações ao transferir (tanto para registo como para leitura) apenas as ocorrências registadas quase em tempo real. As especificações conhecidas são mínimas e esta solução só deverá estar disponível em 2014.

Por fim, na sua oferta de cloud (pública e privada), a empresa focou-se no custo para as empresas e salientou a possibilidade de os clientes poderem imputar aos seus diferentes centros de custos os recursos que usam nas mesmas – “para as empresas perceberem o que cada um gasta”, explicou Fernando Dias. Entre a dezena de anúncios relacionados com a cloud, a empresa revelou o lançamento do Cloud Marketplace (à semelhança do que a Microsoft fez para o Azure, onde estão aplicações da Oracle), com aplicações de terceiros.


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