Sonae cimenta resiliência de centro logístico

A empresa reforçou a solidez dos sistemas de gestão de operações de armazém, com uma solução de virtualização de armazenamento, num projecto concebido pela HP.

A Sonae procurou consolidar o funcionamento do seu centro logístico da Azambuja com uma solução de gestão e suporte a armazenamento virtualizado. Tratou-se de conferir maior capacidade de resiliência aos sistemas de informação instalados para suportar a plataforma de gestão de armazém – célula fulcral no funcionamento dos centros logísticos.

A empresa pretendia aumentar a resiliência da aplicação de controlo de automatismo usado nos centros de distribuição da Sonae para vários processos: de recepção, aprovisionamento, transportes de caixas e expedição. Segundo a HP, o projecto envolveu colocar a aplicação sobre uma infra-estrutura distribuída entre dois edifícios do respectivo centro.

Procurou-se garantir a continuidade de negócio “em minutos mesmo quando um edifício é afectado por falha de alimentação eléctrica, comunicações ou avarias de equipamentos” – suportando a retoma das operações noutro edifício.

A solução de software permite disponibilizar armazenamento para ambientes de virtualização VMware. Está integrada com as ferramentas de gestão do VMware Vcenter, e utiliza os discos internos sem necessidade de armazenamento externo – segundo a HP.

A implantação teve o contributo da unidade de serviço da HP a qual desenhou uma solução baseada em software HP StoreVirtual Virtual SAN Appliance (VSA), a correr em dois servidores Proliant. O gestor de serviços técnicos do centro, José Carlos Alves, em declarações para o Computerworld, diz que a solução é “uma alternativa a ter conta”.

Mas considera essenciais, os testes realizados pela equipa de implantação, para o sucesso do projecto.

CW – Quais são as necessidades de TI específicas de um centro logístico?
José Carlos Alves –  A Sonae possui mais de mil lojas em mais de uma dezena de mercados, o que obriga a processos logísticos complexos para garantir o seu correcto funcionamento. A par da optimização dos processos, e com o objectivo de fomentar a eficiência e eficácia da cadeia logística e de abastecimento que envolve os centros logísticos, a Sonae tem implementado soluções tecnológicas que a tornam numa referência mundial no sector do retalho.
As operações de centros logísticos modernos está hoje dependente dos sistemas de informação de WMS (Warehouse Management System).

O objectivo de um WMS é fornecer um conjunto de processos de gestão de armazém (recepções, armazenamento e circulação de mercadorias para outras localizações) no sentido de minimizar custos. A indisponibilidade prolongada das plataformas TI que sustentam esses sistemas de informação afecta a operação, sendo importante garantir a sua disponibilidade e resiliência.

Para tal, tipicamente recorre-se à implementação de arquitecturas de alta disponibilidade mitigando os pontos de falha que possam colocar em causa os sistemas de informação.

CW – O que esteve na origem do projecto de reforço de resiliência? Qual era o cenário anterior?
JCA – A criticidade de um centro logístico leva a que se procure a todo o momento implantar as melhores práticas, procurando minimizar todo e qualquer risco. Nesse sentido, a implantação de soluções de alta disponibilidade vem reforçar a solidez da operação de armazém.

CW – Que desafios ou problemas surgiram e tiveram de ser resolvidos?
JCA – Os desafios que surgiram no momento da implementação assentaram principalmente no facto de ser uma solução nova no nosso universo, tendo de ser integrada com outras aplicações. Dada a criticidade da solução, e no sentido de termos a certeza de que estávamos a  implementar correctamente a solução, recorremos aos serviços HP. Assim, foram realizados testes exaustivos à solução, simulando falhas de servidores, comunicações, discos, rede dos servidores, etc, etc. Estes testes permitiram ganhar a confiança nesta aplicação e perceber que estamos com a arquitectura correcta.

CW – A solução instalada permite disponibilizar armazenamento para ambientes de virtualização “com enorme facilidade para movimentar as aplicações de negócio entre as salas técnicas do centro logístico”. Como é que isto funciona? Como é suportado e que importância tem?
JCA – A solução permite a movimentar uma aplicação de um servidor físico para outro desde que os mesmos estejam ligados em rede. Esta solução assenta sobre uma plataforma virtualizada em que a componente de storage física de cada servidor é partilhada via protocolo iSCSI, sendo criado um mecanismo de RAID1 entre cada disco de cada servidor pela rede.

Este mecanismo permite o sincronismo dos dados das aplicações nos discos físicos dos servidores que compõem a solução. A partir deste momento, e através de mecanismos específicos, passa a ser possível movimentar workloads entre os servidores que compõem a solução sem qualquer disrupção para as aplicações.

Estes mecanismos permitem também usufruir de mecanismos de alta disponibilidade na solução, possibilitando recuperar rapidamente os serviços em caso de falha de um dos servidores.

CW – Que máquinas físicas suportam a solução?
JCA – A solução é suportada por dois servidores HP ProLiant DL380 com resiliência de hardware e redundância de componentes, como é o caso das fontes de alimentação, ventoinhas e discos.
Estes servidores permitem ainda a abertura automática de chamadas de suporte, de forma a aumentar a disponibilidade global da solução.

Por exemplo, quando um disco entra num estado de pré-falha, isto é, quando é detectado que o número de erros ultrapassa um limite determinado, é desencadeado o processo de substituição do disco antes de haver uma falha total.

CW – Que aplicações estão a correr sobre a solução? Que relevância tiveram as aplicações para a implementação da solução? Representou um desafio adicional?
JCA – A aplicação instalada no servidor controla um automatismo para vários processos de uma operação logística: recepção, transporte, “put away”, “picking”, expedição. A adaptação foi realizada no sentido de integrar a aplicação com a solução de WMS (Warehouse Management System) existente.

Para a aplicação o facto de estar instalada sobre a solução VSA é totalmente transparente.

CW – A solução não está alojada num centro de dados convencional, mas directamente nos centros logísticos. Porque se optou por esse caminho? Que desafios adicionais acarretou esta opção?
JCA – A solução ficou no local do armazém devido à estratégia definida para os sistemas de informação da logística. Todos os sistemas de informação da logística estão assim;

CW – Quais são as principais “lições” obtidas com a implantação do projecto?
JCA – É uma alternativa a ter em conta para implementação de soluções de DR com menor custo. Obviamente que o hardware que compõe a solução VSA deverá ser ajustado aos requisitos específicos das aplicações a implementar.

Como em todas as soluções é preciso fazer testes exaustivos para garantir que tudo funciona correctamente. Tipicamente para as soluções de software o VSA é completamente agnóstico embora possam ser necessários cuidados adicionais como por exemplo situações em que as aplicações dependam de licenças baseadas em “dongles” USB.




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