“Impõe-se um modelo de inovação aberta”

Uma das soluções para resolver as dificuldades na transferência dos resultados da investigação e desenvolvimento para criar produtos e serviços inovadores passa por abrir o modelo de inovação, sugere o professor da AESE, José Ramalho Fontes.

As dificuldades do tecido empresarial português e do país em aproveitar a investigação e desenvolvimento realizados, para inovar, tem a ver com o modelo de inovação adoptado. A abordagem centrada apenas nos recursos das organizações, apesar das suas virtudes, estará ultrapassado. “Impõe-se agora um modelo de inovação aberta”, defendeu o professor da AESE, José Ramalho Fontes, durante o Q-Day 2013 – evento organizado pela Quidgest.

A base do modelo é a aposta numa maior “permeabilidade a ideias externas” nos processos e abordagens de desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, explica Ramalho Fontes. O termo e a ideia de “open innovation” ou inovação aberta, são propostos por Henry Chesbrough, professor da Universidade da California, baseado em pressupostos discutidos desde os anos 60.

Valoriza o reconhecimento por parte das organizações de que nem todos os especialistas em determinada matéria ou área tecnológica trabalham para a empresa. O modelo admite mais facilmente  também o potencial da investigação realizada por outras entidades, para os objectivos de inovação da organização.

E neste contexto defende não ser necessário dar sempre origem a investigação e desenvolvimento, para usufruir dos resultados dela. Também por isso, promove “intencionalmente a entrada de fluxos de conhecimento externo para acelerar a inovação”, explica Ramalho Fontes.

O modelo também facilita a saída desse impulsos, para utilizar e agilizar a inovação em universos externos às organizações. Segundo o docente, difere das iniciativas de open source – “onde a propriedade intelectual é fraca” – no modelo de negócio subjacente, embora o desenvolvimento do Linux tenha beneficiado da inovação aberta.

“A IBM considerou o sistema operativo como pedra fundamental da sua estratégia de desenvolvimento de inovação aberta e investiu nele”, exemplificou. Ramalho Fontes deu como exemplos, em Portugal, o caso da “rede de inovação” existente em torno da SIBS, assim como a “rede de colaboração” da Brisa centrada em tecnologias e serviços de mobilidade: envolve start-ups, associações, universidades, empresas, entre outros. “São ‘ecossistemas’, organismos vivos que devem ser cuidados como tal, ao contrário dos clusters que funcionam mais como máquinas bem oleadas”, comentou o professor.

O mesmo referiu ainda a necessidade de aumentar o número de investigadores nas empresas portuguesas para aumentar a capacidade de inovação das mesmas. Segundo o docente, 25% dos investigadores em Portugal trabalham nas empresas.




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