Empresas portuguesas continuam a valorizar mal a tecnologia

Jaime Quesado insistiu na necessidade e nas virtudes de um choque tecnológico no país, durante o evento Q-Day 2013, no qual a Quidgest assinalou o seu 25º aniversário.

O economista e consultor Jaime Quesado considerou esta terça-feira que o valor reconhecido à tecnologia e inovação associada, como factores de produtividade, continua baixo no tecido empresarial português. No Q-Day 2013, o especialista defendeu a necessidade de um “choque tecnológico” sem o qual não será possível continuar a renovação de sectores tradicionais, nem a consolidação dos sectores onde o país tem entrado (como o da biotecnologia e o automóvel).

Contudo, o economista reconheceu que o sector das TIC está a enfrentar condições de mercado desfavoráveis – em particular devido ao desinvestimento da Administração Pública. Sugeriu que estas são ingratas para as organizações cujos investimentos foram feitos em Portugal, mas insistiu: “precisamos que tragam mais centros de inovação para o país”.

O consultor defende também uma aposta na re-industrialização, mas a concorrer para um sector menos pesado, com novos valores. Na mesma linha, considerou importante um “compromisso” sólido com  as novas energias.

Sobre a eterna questão da colaboração das empresas com as universidades, Quesado salienta a necessidade de as últimas serem “elementos de confiança” – com as quais as empresas poderão contar – na produção de conhecimento.

Num quadro onde os “motores de crescimento dos anos 90 estão esgotados”, o investimento estrangeiro e uma balança comercial favorável serão os novos focos de impulso, na visão do economista. “Precisamos de empresas capazes de trazer inovação e elementos de diferenciação”, reforçou.

O economista não deixou de insistir também na utilidade da promoção de clusters empresariais, destacando as suas virtudes como “agentes de renovação das competências tradicionais”. Sobretudo quando “Portugal precisa de renovar a oferta para o mundo”.

Além disso, Jaime Quesado destaca a importância de promover “novas competências de clusters existentes, no exterior”. O sector das TIC, da saúde e da educação poderão ser pólos de novas dinâmicas de serviços para o estrangeiro.

Numa crítica, salientou a pertinência de “valorizar mais e partilhar as boas práticas de internacionalização”.

Diplomacia económica focada nas TIC

Jaime Quesado enveredou ainda mais nessa direcção ao considerar que o país tem aproveitado mal a “oportunidade da rota da língua portuguesa”, referindo-se aos mercados de expressão em português. Outros factores desaproveitados são as plataformas logísticas – como as de Leixões, Lisboa e Sines -, assim como as “redes de talentos portugueses” no estrangeiro.

Na sua opinião, estes poderiam ser importantes para a captação de investimento estrangeiro. Quesado criticou igualmente a falta de agregação de pólos de inovação e de investigação com os existentes em Braga ou em Aveiro. Além disso, considerou ser possível, juntamente com esses centros, “tirar mais partido das multinacionais tecnológicas” presentes em Portugal (no que considerou ser o “efeito Silicon Valley”).

E defendeu ainda uma diplomacia económica mais focada nas TIC, com o objectivo de “reforçar a inovação e competitividade das empresas”.

Quidgest cresce acima dos três dígitos

Na abertura do evento, o director-geral da Quidgest, João Paulo Carvalho, revelou que a empresa cresceu a uma taxa acima dos três dígitos durante o primeiro semestre. Referindo o esforço de internacionalização da organização, destacou o negócio da empresa em Macau – operação convidada especial do evento e iniciativa de abordagem ao mercado chinês e asiático.

Numa perspectiva mais global e de internacionalização, o executivo sugeriu que a empresa está disponível para “cooperar” com outros parceiros tecnológicos portugueses. “Somos globalmente competitivos”, referindo-se às empresas nacionais, antes de ressalvar que “falta inteligência económica”, considerando as decisões tomadas por algumas organizações.




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