Deixar o mais difícil para o fim na virtualização

A opção por iniciar um projecto de virtualização de postos de trabalho, na Salvador Caetano, com os utilizadores menos avançados, tornou-se mais “amigável” para o plano de negócios, explica Joaquim Matos, director na Rigor.

Até 2015 a Salvador Caetano está virtualizar os postos de trabalho do grupo onde é necessário o recurso a terminais de informática. Já foram vários os desafios ultrapassados e para Joaquim Matos – director da divisão de sistemas de informação da Rigor – o melhor terá sido começar pelos ambientes dos utilizadores menos avançados – os “task users”. (A Rigor é a empresa de consultoria e gestão do grupo Salvador Caetano).

As vantagens em termos de TCO foram importantes para a justificação do projecto em termos de negócio, por exemplo. A estruturação do mesmo em dois grupos de utilizadores, com necessidades diferentes, tem sido útil também na gestão da mudança.

Mas nem sempre o projecto correu nessa linha e houve complicações, conforme explica o responsável em declarações para o Computerworld. O objectivo até final de 2013 é virtualizar uma primeira vaga de 400 postos de trabalho.

Os “powers user” ficam para o fim, mas uma política de BYOD poderá facilitar a mudança. Antes a Rigor decidiu conjugar a virtualização de postos com a utilização de cloud computing em modelo de plataforma privada.

Computerworld – Quais foram os vossos principais desafios na implantação deste projecto?
Joaquim de Matos – O principal desafio passou por termos a certeza sobre a nossa realidade. Quando pensámos o projecto fizemo-lo com duas grandes iniciativas.

A primeira foi definir a política de gestão e aplicações para o posto de trabalho; tendo em conta as diversas áreas de actividade de negócio. Tratar os utilizadores do importador, onde temos basicamente “power users” – ndr: utilizadores avançados – é uma realidade, fazê-lo com os utilizadores da actividade de retalho automóvel é completamente diferente.

No último âmbito temos mais utilizadores centrados em tarefas(ndr: “task users”), que trabalham em sistemas normalizados de manhã à noite. Têm necessidade de recursos diferentes associados ao posto de trabalho.

O nosso grande desafio foi olhar para as nossas necessidades e sistematizá-las, do ponto de vista do software, dos recursos, das aplicações de negócio.

CW – E a segunda iniciativa ?
JM – A segunda iniciativa era seleccionar a tecnologia e o parceiro de implantação. E tivemos dificuldades no arranque do projecto porque nós optámos por uma abordagem na qual excluímos uma consulta ao mercado.

Preferimos contactar alguns parceiros, que nos davam alguma segurança. Apresentamos o projecto, e pedimos uma prova de conceito.

Mas tivemos problemas e até uma referência de implantação dada por um fabricante, revelou ser um autêntico desastre.

CW – Mas que tipo de dificuldades houve?
JM – Dificuldades relacionadas com a implantação de uma simples prova de conceito. Talvez os parceiros não estivessem preparados.

Um dos parceiros propôs-nos tecnologia Citrix, que a Ozona (ndr: consultora para o projecto) também propôs, depois de fazer uma validação. Acabámos por adoptar a tecnologia desse fabricante.

CW – Mas as aplicações não corriam bem?
JM – Nem sequer se conseguiu montar a infra-estrutura para suportar a prova de conceito. Eram problemas com os servidores, com a tecnologia, dificuldades de logística, técnicas, entre outras.

CW – E no caso da avaliação da Ozona?
JM – Quando fizemos o levantamento e a Ozona sugeriu a adopção da referida tecnologia, perguntamos o que precisavam para montar a prova de conceito.

E eles responderam-nos de forma sistemática e objectiva.

Com ajuda e melhorias na infra-estrutura de cloud

CW – E depois então decidiram partir para uma infra-estrutura de cloud privada?
JM – Quando vimos os requisitos da Ozona, também tínhamos outro projecto de reformulação do nosso centro de dados, e conjugamos tudo. Fomos ao mercado com a ideia de implantar um serviço de centro de dados, embora a gente o tenha baptizado como “cloud”.

CW – Mas funciona num modelo de cloud computing ou não?
JM – Sim. Já o era, mas havia algumas insuficiências ultrapassadas com esta nova abordagem. Hoje temos uma infra-estrutura capaz de servir não só estes ambientes como também ambientes virtualizados, sobre VMware.

Também nos disponibiliza serviço de servidores AS400 na mesma infra-estrutura. Aproveitámos para fazer uma consolidação desta última.

CW – Mas é uma cloud alojada no vosso centro de dados?
JM – Está num centro de dados externo – da Mainroad –, mas a infra-estrutura é nossa, é uma cloud privada. A nossa ideia é caminhar para conceito de cloud computing disponibilizada por uma terceira parte.

CW – E que aplicações já têm nessa infra-estrutura?
JM – Temos os ERP, temos os Dealer Management Systems – os ERP de retalho, temos muitas aplicações das marcas de mais de 20 fabricantes, como catálogos electrónicos de peças.

Há 25 ou 30 aplicações disponibilizadas pela Internet. Isso não é complicado, mas há outras mais complexas.

Com a avaliação, detectámos potenciais problemas. Desde o primeiro momento tomaram-se decisões sobre se devíamos optar por infra-estruturas de 64 bits em vez de 32 bits, por exemplo.

Decidimos certas aplicações na cloud mas era preciso rectificar este ou aquele problema, um desafio ultrapassado. Mas não foram tudo maravilhas, tivemos problemas com drivers de impressão, entre outros.

CW – O que falta colocar em cloud computing?
JM – Na migração do posto de trabalho optámos por uma abordagem faseada ao longo do tempo. Por isso falta concluir a migração daquilo que está previsto no plano de negócio, até 2015.

A maioria das aplicações já está disponível mas a migração dos utilizadores para a infra-estrutura será feita ao longo do tempo, porque interessa terminar os contratos de aluguer de equipamento.

Se vou antecipá-la o custo não desaparece.

CW – No vosso caso acharam  que não a valia a pena interromper o contrato, portanto?
JM – Não teríamos as poupanças registadas. No grupo dos “task users”, não.

Temos oito tipos de postos de trabalho, cinco são virtualizados. Três deles baseiam-se em tecnologia Xenapp (Citrix) que é o nosso grande enfoque.

O nosso plano de negócios prevê que em 2015, 74% dos utilizadores estejam em Xenapp e 25% em Xen Desktop (Citrix), em VDI. Mas nesta fase inicial 95% dos utilizadores estão em XenApp.

VDI complica contas

CW – Vão a usar VDI para quê?
JM – Para utilizadores que de facto tenham aplicações para as quais se justifique ter um desktop.

CW – Desktop? Mas a VDI não pressupõe a utilização de zero clients?
JM – Sim, mas no nosso caso o dispositivo não deixa de ser um desktop, embora quase não nos preocupemos com as aplicações.
Nos custos há uma grande diferença de custo de VDI para um XenApp, que não precisa de sistema operativo, embora haja outros custos de licenciamento.

CW – Mas o conceito de VDI leva a uma maior centralização da gestão e com vantagens.
JM – A solução da VDI é de facto mais cómoda, mais fácil de gerir, mas é aquela na qual é mais difícil ter retorno, por ser preciso investir muito em infra-estrutura, e os recursos são mais exigentes.

Estamos a focar-nos nos “task users” porque as aplicações estão bem definidas. Não são utilizadores que tenham necessidades muito específicas, nem trabalhos criativos.

Não alcançaríamos a poupança registada se tivéssemos em conta os “power users”. Em termos de gestão de mudança é muito mais difícil.

Para um “task user” o que interessa é a aplicação funcionar com o mesmo desempenho. Mas também era o grupo de utilizadores no qual era mais fácil aplicar a mudança.

CW – Portanto o mais difícil na mudança ainda está para vir?
JM – Sim deixámos para depois. É o grupo mais pequeno e o que fará talvez “mais barulho”.

Os “power users” muito provavelmente vão continuar com os portáteis. Em breve poderemos aplicar uma política de BYOD.

Daremos acesso às aplicações usando a mesma infra-estrutura e eles trazem os seus portáteis. Começámos com o que nos traz benefícios mais imediatos. Se juntássemos tudo, era problemático. No nosso primeiro “business case” estávamos a abranger todos os utilizadores, por exemplo.




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