A tecnologia “wearable” vai acabar com os smartphones?

Talvez os dispositivos vestíveis se tornem meros sensores e monitores que enviam e recebem informações de e para o smartphone, antecipa Tom Kaneshige, da revista CIO.

Como será o smartphone do futuro? Provavelmente não será muito diferente do que é hoje. Mas o papel que ele desempenhará nas nossas vidas pode ser consideravelmente diferente. Uma pequena máquina pensante no seu bolso.

Pelo menos esse é o conceito oferecido por muitos especialistas em mobilidade na conferência MobileBeat, que decorreu recentemente, em São Francisco (EUA). A palestra no evento era sobre dispositivos “wearable”, a tecnologia móvel em miniatura embutida em óculos e relógios, ou até mesmo tecida em roupas.

Mas a tecnologia “vestível” pode passar pelo problema de poder de computação e vida útil da bateria. Simplesmente não há espaço suficiente, dizem os especialistas.

É aí que o smartphone entra em cena.

Smartphones: o cérebro de tecnologia vestível
Talvez os dispositivos vestíveis se tornem meros sensores e monitores que enviam e recebem informações de e para o smartphone que, por sua vez, faz o trabalho pesado e gere a ligação com os serviços em nuvem.

“Acho que o telemóvel se está a tornar mais central e importante”, disse o CEO da fabricante de smartwatch Basis Point, Jef Holove, na MobileBeat.

Um dispositivo “smartphone-como-serviço” seria uma mudança significativa na evolução dos smartphones. Após a estreia do iPhone, a Apple e fabricantes de dispositivos Android se envolveram numa corrida de recursos de hardware, um tentando sobressair mais do que o outro a cada novo lançamento. Maiores resoluções de ecrã, melhores câmaras, ecrãs maiores ou à prova de água (como o lançado com o Samsung Galaxy S4).

Mas já estamos a ver sinais que apontam para uma desaceleração nessa corrida.

No início deste ano, o CEO da Apple, Tim Cook, minimizou o hardware: “não somos uma empresa de hardware”, disse na Goldman Sachs Technology and Internet Conference. Cook afirmou que a Apple tem um foco maior no software e em serviços, assim mesmo com os rumores sobre um futuro iWatch e novos produtos lançados até ao final do ano.

A BlackBerry também teve um discurso parecido após baixar os preços do BlackBerry Z10, que teve fracas vendas. “Nunca fomos uma empresa somente de dispositivos”, disse o CEO, Thorsten Heins. “Também temos um negócio de rede de dados segura global e serviços. E não planeamos administrar a empresa com uma estratégia única de curto prazo voltada para os dispositivos”.

Quando os fabricantes de smartphones parecem estar a dar um passo atrás com o venerável smartphone, ao menos quando se trata de mais recursos de hardware, pode-se apostar que os ventos estão a soprar para outro lado.

No entanto, se os dispositivos “wearable são o futuro, é uma certeza tecnológica hoje que eles não têm a vida útil da bateria e poder de processamento para fazer todas as coisas que esperamos do nosso smartphone e ainda serem baratos o suficiente para se comprarem.

“Ter conectividade com o telemóvel embutido em dispositivos vestíveis é apenas um recurso desperdiçado quando você já tem as capacidades de comunicação no seu smartphone”, diz Van Baker, vice-presidente de pesquisas da Gartner. “Ligue-se ao smartphone via Bluetooth para enviar e receber o que você precisa via conectividade do smartphone com a Internet”.

Ao transferir o processamento e a conectividade para um smartphone, o custo dos dispositivos “wearable” será mais barato – ainda mais se considerado que o preço dos sensores continua a diminuir.

O pioneirismo dos dispositivos vestíveis envolve actualmente o processamento e a conectividade, disse Baker, e os produtos já são muito caros. No futuro, no relacionamento entre smartphones e vestíveis, um único smartphone pode lidar com múltiplos dispositivos “wearable”.

A guerra dos smartphones só agora começou?
Baker é rápido a apontar que o papel potencial dos smartphones com os “wearables” não significa que a corrida do hardware tenha acabado. Ele acredita que os smartphones serão cada vez mais e mais “habilidosos” e também precisarão de processadores mais rápidos e de mais memória para liderar os vestíveis. O único factor decisivo é a vida útil da bateria.

“Dizer que a corrida do hardware acabou é o mesmo que dizer que os computadores pessoais nunca irão precisar de mais que 640K de memória”, diz Baker, referindo-se à controvérsia em relação ao que Bill Gates alegadamente disse: “640K devem ser suficientes para qualquer um”, numa feira de computadores em 1981.

A corrida aos recursos de hardware de smartphones terminou? Será que dispositivos vestíveis tomarão o lugar de sensores e de ecrãs? Uma coisa é certa: se o smartphone também é o motor que impulsiona os “wearables”, vamos precisar de nossos dispositivos móveis mais do que nunca.
(CIO/IDG Now!)




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