A identidade é a próxima fronteira

Software de identificação e programas de fidelização de clientes são das áreas mais importantes para a MicroStrategy.

Um mundo de mobilidade, com desenvolvimento mais ágil de aplicações, é o que promete a MicroStrategy para os próximos tempos.
Michael Saylor, CEO da empresa, revelou esta manhã no Microstrategy World, que decorre em Barcelona (Espanha), duas áreas onde acredita que o trabalho da tecnológica realizado nos últimos anos terá um forte impacto: identificação pessoal e programas de fidelização. Na base desta estratégia, constata como os “clientes têm agora mais apps para desenvolver do que nos últimos 10 anos, e para várias plataformas”.

Depois de no ano passado ter apontado tendências (Big Data, mobilidade, cloud e social), Saylor foi mais prático esta terça-feira, demonstrando aplicações que consubstanciam a sua visão e apontando quatro áreas de interesse: analítica, mobile, identificação e lealdade. Afinal, “o mundo está a mudar e os nossos clientes também”, nota. E a agilidade é um factor importante nos negócios.

Desenvolver uma app, desde o seu planeamento, pode demorar três anos mas, usando processos de agilização para a sua criação entre grupos numa empresa, pode-se evitar e diminuir a “curva de conhecimento” (“learning curve”) desses três anos, diz. Outro modelo é usar plataformas de desenvolvimento que a MicroStrategy tem vindo a estruturar.

A empresa está naturalmente focada na analítica mas continua a salientar a importância da mobilidade. “Hoje, quer-se um sistema móvel, como antes se procurou um sistema para a Web”, lembra. Nesse sentido, “ignorem as aplicações móveis por vossa conta e risco”, alertou.

Identificação obsoleta

Duas áreas onde prevê uma forte integração desta realidade são a gestão de identidade e os programas de lealdade, de fidelização de clientes – como o uso de cupões ou ofertas de descontos. Relativamente à identificação – “a próxima fronteira” -, considera que “todos os sistemas estão obsoletos” e “queremos ser a primeira empresa a ter plataformas de software a gerir identificações”. Seguras e fiáveis, naturalmente.

É, segundo ele, o caso do Usher, uma plataforma de identificação e de credenciação que surge porque “o mundo ligado em rede depende da identificação, para comunicar em todo o mundo”, nomeadamente no comércio electrónico. Os sistemas de identificação físicos “são imperfeitos”. Segundo a Interpol, em 2011 estavam em circulação 28 milhões de passaportes e de bilhetes de identidade falsos.

A identificação lógica (com passwords) “é ainda mais imperfeita – tenho que a escrever porque é impossível de fixar”, notou. Isto quando 76% das intrusões informáticas exploraram credenciais fracas ou roubadas, segundo um estudo da operadora Verizon deste ano. O Usher é um sistema de identificação no smartphone que permite gerir contas informáticas, abrir portas, levantar dinheiro em ATM, através de soluções biométricas como o reconhecimento facial ou vocal, mas também de passwords gráficas (do tipo código QR) renovadas a cada dois minutos.

Há funcionalidades interessantes no Usher. Por exemplo, quando um smartphone é “emparelhado” com um PC, para servir de password e se poder ter acesso ao mesmo, tem de haver proximidade entre ambos os dispositivos. Quando o utilizador pega no smartphone e se vai embora, o computador desliga a sessão.

E se alguém rouba o smartphone? É praticamente inútil porque a MicroStrategy regista todas as acções da aplicação – “se autoridades precisarem”, diz Saylor. Mas, neste cenário, “ninguém rouba um smartphone porque seria localizado rapidamente”.

Quanto aos programas de fidelização, “há imensos criados ou a serem recriados”. Os tradicionais, usam o cartão de plástico, “desactualizado”.

O futuro é também o smartphone para este tipo de “targeted maketing”. Poucos querem andar com os cartões e a solução electrónica permite ter o histórico de compras (através das facturas, com visualização gráfica do que se comprou), facilitando mesmo o poder recomprarem-se modelos antigos de roupa, por exemplo.

Programação ágil

A suportar as aplicações para estas áreas, Saylor refere as plataformas da cloud, de concepção de interfaces de utilizador (desenvolver uma vez, re-utilizar em qualquer interface), em servidores escaláveis e de elevada performance, em sistemas e bases de dados multiplataforma abertos, também com um conjunto de ferramentas de bases de dados e de desenvolvimento.

Por outro lado, a empresa também quer agilizar o desenvolvimento de apps móveis, num processo facilitado de “click-to-configure”. Esta generalização na criação de aplicações para qualquer empresa “não necessita de qualidades  especiais” em termos de programação, terá “widgets” pré-criadas, assim como uma infra-estrutura. O objectivo é ter apps móveis de todos para todos.

“Usem a nossa plataforma, não é preciso re-inventar a roda, não vale a pena investir em grandes equipas de engenheiros”, referiu o CEO da empresa. “A nossa arquitectura móvel para clientes simplifica a criação e a manutenção das apps – numa hora, pode estar disponível nas ‘app stores’”.

Consegue-se assim uma app num “décimo do tempo, por uma fracção do custo e com menor risco”. E “este tipo de apps será indispensável para vendedores, para a força de vendas”, considera.

Saylor demonstrou duas aplicações criadas neste ambiente. A Wisdom Places, para smartphone, pesquisa locais próximos de onde está a utilizador e propõe-lhe locais, com críticas, e segmentados por tipo de “crowds” (o sexo, tipo de música de que gosta, se é fã de desporto, se é “techie”…). As várias combinações visam reflectir respostas mais apuradas para os interesses dos utilizadores.

O Wealth Management (para iPad), é uma app mais empresarial para gestão de clientes e de fundos de investimento, também com gestão de documentos. É também por este tipo de aplicações que Saylor realça a necessidade da analítica, porque “os próximos 20 anos vão ter mais dados” do que hoje. Dá o exemplo do Big Data no Facebook, que gere 500 Tb por dia, sendo que a plataforma de analítica para anunciantes desta rede social foi desenvolvida pela Microstrategy.

Analítica para o Facebook

Daniel Soosai, Business Systems Manager do Facebook, denomina esta ferramenta de analítica de marcas (“brand analytics “). É uma “ferramenta interna” que complementa o Page Insights, disponível ao público, com dados de demografia e de localização de quem gosta da página de um utilizador.

Os problemas que o Facebook enfrentava era a necessidade de gerir volumes maciços de dados, a interactividade e a performance – “a necessidade de agir à velocidade da Web”. Sob o nome de EMMA, o Facebook foi primeiro cliente desta tecnologia “in-memory” (ou melhor, “in-server”) que permite gerir 53 tabelas no total, desde registos de utilizadores a “likes”. Essas tabelas são passadas para a memória do servidor, particionadas pelos diferentes núcleos em paralelo, após o que são comprimidos para um acesso mais rápido.

O resultado é uma ferramenta poderosa de analítica para marcas dentro do universo de utilizadores do Facebook. O sistema já tinha sido apresentado como um projecto da MicroStrategy no ano passado, com acesso mais reduzido a dados do Facebook mas esta rede social alinhou no projecto.

A versão apresentada em público data de Janeiro, explicou Soosai ao Computerworld, adiantando que o processo interno com a MicroStrategy ainda está a ser avaliado. Esta plataforma permite extrair dados agregados, com um detalhe informativo bastante grande, que são muito interessantes para os publicitários.

Por exemplo, é possível comparar os gostos de utilizadores pela Coca-Cola contra os que preferem a Pepsi. Soosai diz que o não fazem, apresentando antes aos seus clientes uma única marca contra um conjunto de marcas concorrente do mesmo sector.

O detalhe dos utilizadores também só é fornecido com um “mínimo de 10 mil pessoas”, e embora possam tecnicamente analisar marcas ao nível de uma rua (sobrepondo com geolocalização), também não o fazem, segundo este responsável do Facebook. Mas, concede, o “projecto só está 1% completo”.

Os responsáveis da MicroStrategy não têm ainda um calendário para o seu lançamento comercial junto de outras empresas.




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