Relação entre sociedade da informação e economia tem de ser melhor

Críticas ao papel à actuação do Estado na gestão da emergência d sociedade da informação no país pautaram o debate entre partidos portugueses promovido pela APDSI.

A relação entre a sociedade da informação e a economia portuguesa precisa de melhorar, será uma das principais conclusões a extrair de um debate entre os partidos políticos com assento parlamentar promovido pela APDSI. Em discussão, estiveram estratégias e propostas para a sociedade da informação e do conhecimento, centradas numa perspectiva de futuro para a economia.

Numa nota de imprensa, a associação resumiu algumas das intervenções dos deputados. Bruno Dias, do Partido Comunista Português, salientou o papel das TIC na produção nacional, mas alertou para um quebra de investimento superior a 26%, que pode pôr em causa o próprio potencial produtivo do país.

Para o representante comunista o Governo precisa de dar uma resposta capaz de estabelecer uma melhor relação entre a sociedade da informação (SI) e a actividade económica. Embora admitindo alguns aspectos menos positivos (impacto na área laboral) que estão relacionados com o desenvolvimento das novas tecnologias Tiago Ivo Cruz, do Bloco de Esquerda, alertou para denominou com “erro de análise”: “Apontar um colapso geral de certos sectores da economia como consequência do desenvolvimento trazido pela Internet e da circulação da informação, que trouxe um novo potenciar de escalas económicas que não têm razão para não funcionarem lado a lado com as cadeias tradicionais”.

Contudo, Raúl Almeida, do CDS /Partido Popular, não deixou de salientar que a SI provoca uma quebra no emprego tradicional. “As funções de todos os quadros médios de empresas são, hoje em dia, mais de interpretação dos dados disponíveis e da realidade funcional de cada companhia, do que eram antigamente”. E essa realidade deverá “ser importada” para a reforma do Estado, na sua visão.

Para Rui Lopo, do Partido Ecologista “Os Verdes”, Rui Lopo a na reforma do Estado “é urgente que haja uma maior agilidade” em tópicos como aqueles inerentes à plataforma Licenciamento Zero, e associados à facilitação da implantação de actividades económicas. “O Estado tem um longo caminho a percorrer para melhorar a relação que tem com os cidadãos no âmbito da SI”, sublinhou.

Mas a evolução que o Estado já fez na evolução digital nos serviços relativos ao IRS e ao selo do carro, por exemplo, é já “uma óbvia optimização de serviços”, defendeu Nuno Encarnação, do PSD. “Não tenho dúvidas de que a SI vai alterar todo o sistema social existente. Devemos analisar todas as relações sociais ou comerciais que o advento digital trouxe”, sugeriu a deputada do PS, Inês Medeiros.

A socialista alerta para a tendência da noção de território e de Estado-Nação alterar-se. Isso é,  segundo Medeiros, “um desafio muito grande para as autoridades europeias”, face à lentidão com a qual costumam reflectir sobre essa matéria. Mas a deputada acredita que a criatividade humana continuará a ser o valor fundamental num mercado onde as máquinas estão a conquistar terreno.

“Daqui a 20 anos como é que tudo isto será? Se as lojas se tornam virtuais, o que será feito dos shopping centers? É que já hoje em dia verificamos que as vendas online têm promoções melhores do que as das lojas franchisadas”, sugeriu para debate sobre o impacto nas estruturas laborais, Nuno Encarnação (PSD)

Software livre mas útil

O deputado Tiago Ivo Cruz (Bloco de Esquerda) apelou a uma maior utilizaçãode software livre na administração pública. Segundo o mesmo apenas 4% dos serviços do Estado português têm software livre.

O deputado sugere a inversão desta realidade defendendo que “ software livre corresponde a uma opção que os serviços públicos devem tomar por responder melhor à necessidade de uniformização da informação e levar a uma melhoria da relação com os cidadãos, centralização, credibilidade e reutilização da própria informação”.

Contudo para Bruno Dias (PCP) o apelo ao uso do software livre, já presente no Orçamento de Estado, só faz sentido se o cidadão não for prejudicado na relação ao usar os serviços baseados na tecnologia .




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