“Encontrar pessoas para o negócio é um grande desafio”

É “talvez mais difícil do que arranjar financiamento”, diz Reed McManigle, da universidade de Carnegie Mellon.

Um dos maiores desafios para as startups de tecnologia é “encontrar pessoas para o negócio”, sublinhou Reed McManigle, o gestor de desenvolvimento de negócio, do centro de transferência e criação de empresas da Universidade de Carnegie Mellon. Trata –se de descobrir executivos dispostos a correr o risco de desenvolver o negócio de uma pequena empresa com uma inovação.

Provavelmente será “talvez mais difícil do que arranjar financiamento”, arriscou o responsável, numa concferência organizada pelo Programa Carnegie Mellon Portugal. “Quando encontramos algum gestor interessado em determinada tecnologia ou numa startup procuramos contratá-lo como consultor para o desenvolvimento desse projecto”, revela o gestor.

Esse é um aspecto no qual o responsável tem procurado empenhar-se, tal como a sua organização, nos últimos dois anos. Envolve mesmo tomar a iniciativa de combinar reuniões e contactar investidores e gestores, para juntar com investigadores de tecnologia.

Recorrendo ao LinkedIn e a outras redes, o responsável diz ter montado uma plataforma de contactos, que o torna capaz de arranjar profissionais de muitas áreas para as startups. Mas um dos problemas do lançamento deste tipo de empresas continua a ser o facto de muitos dos inventores, investigadores ou programadores, não compreenderem a vertente do negócio.

Muitos também não percebem que os projectos nos quais se empenham não tem o potencial inicialmente estimado. “Isso não mudou”, reforça em declarações para o Computerworld.

Ainda surgem estudantes convencidos de terem realizado 80% do trabalho para garantir a implantação de um negócio. “E não se apercebem de que isso é apenas 20%”, ironiza McManigle.

As parcerias com consultores e conselheiros ganham assim importância. “Já temos um fluxo de pessoas interessadas em aproveitar novas oportunidades, e que nos contactam também a perguntar se apareceu algum projecto inovador”, explica o gestor.

Uma vez por semana o centro consegue juntar pessoas da tecnologia, com um projecto, e outras mais experimentadas em desenvolver negócio. A avaliação de um bom CEO para uma startup assenta na experiência do centro e de MCManigle, “em conversa com outras pessoas do meio”, incluindo “investidores” capazes de dar referência sobre o indivíduo.

Inovação “ágil”

Uma das tendências mais fortes hoje no universo das startups é a preocupação em obter uma reacção de um primeiro cliente sobre a experiência com um novo produto ou tecnologia proposta, segundo McManigle. Procura-se a “reacção do mundo real” ao projecto.

No fundo trata-se de um modelo para inovar de forma mais ágil. De procurar, perceber como uma ideia resulta para corrigi-la mais rapidamente, ou abandoná-la. Trata-se de procurar “falhar rapidamente”, se isso é percebido como inevitável.

Um aspecto positivo da situação do apoio às startups é hoje  existirem mais recursos para suportar o hiato entre a criação de um tecnologia e a sua comercialização. A figura do “gap funding” tem sido particularmente importante para fazer essa ponte, confirma o responsável.

Na área dos software isso é mais fácil do que quando a tecnologia envolve dispositivos “físicos”, acrescenta. Outro factor favorável é a existência de mais programas de orientação ou “mentoring” para os empreendedores. Além disso, há “maior reconhecimento social” para as iniciativas, na opinião do gestor.

Quanto a um hipotético enfoque exagerado em processos de obtenção de verbas para os projectos, que poderá estar a acontecer entre uma nova geração de empreendedores, McManigle é muito claro: “não há como escapar à necessidade de financiamento”.




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