Perfis de liderança a evitar

Se encaixa nalguma destas descrições, está na hora de fazer um auto-exame e, muito provavelmente, algumas mudanças.

Apenas porque está num cargo de liderança, isso não significa que é um bom líder. “Como executivo, você possui uma quantidade imensa de poder. Você pode ser uma força incrivelmente positiva, admirada tanto por colegas quanto por funcionários, ou uma força negativa”, conta Kathleen Brush, autora de “The Power of One: You’re the Boss“.

De acordo com Brush, muitas pessoas em cargos de liderança não compreendem que os funcionários não são motivados automaticamente. “Se você tiver sorte, pode ter um ou dois [funcionários] que estejam motivados. Assim, é trabalho do chefe motivar os seus funcionários todos os dias”, diz.

Os efeitos de uma má liderança podem variar de mundanos a catastróficos. Esses efeitos podem significar metas não alcançadas, atrasos na entrega de produtos, má retenção de funcionários, comportamento anti-ético, e outros.

Para garantir que mantém a sua carreira numa trajectória ascendente, é importante determinar onde estão os seus pontos fortes e fracos. Saber disso vai permitir-lhe preencher as lacunas e fortalecer as áreas em deficiência.

Os 11 perfis listados aqui são classificados na categoria desmotivadora, pelo que se você se encaixa nalguma dessas descrições, é bom fazer um auto-exame e, talvez, algumas mudanças.

1 – O ouvinte desagradável
Falando de comunicação, esta é normalmente uma pessoa que possui um ego consideravelmente grande e tipicamente não ouve ninguém, pois sente que sabe todas as respostas. Isto, por outro lado, faz com que os funcionários tenham dificuldades em envolverem-se em projectos e metas sabendo que o seu superior não considerou algo que pode causar problemas mais tarde.

“Vi várias vezes que ter uma pessoa dos recursos humanos [RH] ou do marketing quando a empresa estava a olhar para alguma tecnologia das TI era algo simplesmente impensável. O resultado, quase sempre, eram funcionários sobrecarregados com um sistema que provocava a queda de produtividade, porque o gestor não tinha participado da decisão quando o deveria fazer”, comenta Brush.

2 – O líder complacente
Na área de TI, a mudança está sempre no ar. Existe sempre uma nova tecnologia a emergir e a concorrência está constantemente a tentar superar os outros. Os CIOs complacentes rapidamente vêem os seus concorrentes a ganharem vantagens através das TIs.

“Muitos gestores abraçam a filosofia de que se [os funcionários] têm algum problema, eles vão contar. Caso não digam que existe um problema, então ele assume que está tudo bem. Esta é a receita infalível para ter funcionários desencantados e desocupados”, explica John Reed, da Robert Half Technology.

Quando os funcionários se encontram numa situação em que estão a trabalhar com tecnologias antigas e atrasadas, muitas vezes questionam o seu futuro. “Eu trabalhei para empresas que possuíam sistemas de TI antiquados e os funcionários ficavam estarrecidos e desmotivados pelo facto de que a sua empresa não estava a acompanhar as TI. É algo que realmente diminui a moral”, conta Brush.

3 – O chefe parceiro
Em vez de ser um líder, que é algo que não sabem como ser, os gestores que se encaixam nesta categoria fazem parcerias. “Em vez de conquistar o respeito dos subordinados, o que tentam é criar amigos no local de trabalho”, conta Brush.

De acordo com os especialistas, os chefes nunca podem ser amigos dos seus funcionários. As amizades neutralizam a autoridade e o poder do chefe. E também podem obscurecer o objectivo da liderança e impedir a sua capacidade de corrigir comportamentos, delegar e responsabilizar funcionários.

Quando as amizades comprometem a produção, é o chefe que deve ser responsabilizado. “Seja amigável para com os seus funcionários, mas não cruze a linha entre chefe e amigo. [Isso] pode custar o seu emprego”, conta Brush.

4 – O escravo do email
Isto também se aplica a mensagens de texto, conta Brush. A comunicação é o sangue vital de qualquer organização, e essa pessoa está muito confortável atrás do seu telemóvel ou computador. Eles gostam de comunicar por um meio em que possam ser particularmente ineficientes, especialmente quando existe a necessidade de alguma interacção.

“Uma comunicação que pode demorar três minutos pessoalmente ou por telefone, demora agora três horas ou três dias”, conta Brush. A palavra escrita está sempre sujeita a interpretação e você não pode entender o tom de alguém num e-mail.

5 – O chefe anti-ético      
Esta é uma categoria que não apenas irrita os funcionários, mas os assusta. Por essa razão, é desmotivante. Quando um chefe falha ou camufla as regras, engana, mente ou tolera comportamentos que revelam falta de princípios morais, ele ou ela perde o respeito dos funcionários. Sem o respeito deles, um chefe não pode liderar.

Além disso, quando um líder tolera práticas anti-éticas, dá aos seus funcionários a permissão para fazer o mesmo. “Relatórios de preenchimento de objectivos, gastos extremos em viagens de trabalho, não se responsabilizar por erros – todas se tornam actividades aprovadas pelo chefe, que é o modelo”, conta Brush.

Um líder precisa de exibir integridade e honestidade no que faz. Ele também precisa de estar concentrado e deve apoiar as pessoas que trabalham para ele. “Isso possui um efeito dominó absoluto”, diz Reed.

6 – O chefe injusto
Os esforços para tratar as pessoas de modo semelhante levaram alguns lideres a confundir “igualdade” e “justiça” no ambiente de trabalho. “Conversei com um gestor que deu um aumento a todos os seus funcionários, pois queria ‘ser justo’”, lembra Brush. Ele parecia estar alertado para o facto de que a produtividade dos seus melhores funcionários diminuía para níveis próximos aos de um trabalhador médio.

“As recompensas podem ser ferramentas poderosas de motivação, mas devem ser administradas de modo justo”, diz Brush. Lembre-se: justo não significa igual.

7 – O chefe desorganizado
Ambientes de trabalho não combinam  com funcionários sem rumo, porque lideres desorganizados não souberam planear e administrar planos e estratégias. Qual a chance de uma equipa sem rumo melhorar a sua produtividade para criar “widgets” inovadores e competitivamente superiores? “Qual a chance de os funcionários serem inspirados por um líder que lidera por pensamentos aleatórios?”, questiona Brush.

8 – O chefe cínico
“Ser cínico é quase uma admissão de que você não pode desempenhar o seu trabalho”, diz Brush. Normalmente. dizem coisas como “não, isso não vai funcionar” ou “não sei por que estamos a fazer isso, é uma burrice” e eles não compreendem o efeito que tem.

“Os funcionários não foram contratados para fazer um mergulho em equipa no abismo. Se algo é ‘burrice’, então o chefe tem a responsabilidade de a desfazer”, aponta Brush. Se você é um líder e acha que algo não vale a pena ser feito ou que vai criar grandes problemas, é da sua responsabilidade questionar o seu superior. Um bom líder não deve querer tomar decisões desinformadas.

9 – O comunicador pobre
“Esta é uma receita para uma alta rotatividade”, explica Reed. Este tipo de chefe não é bom a articular expectativas. Manda e-mails que são confusos e/ou faz exigências sem a definição dos parâmetros necessários. Muitas vezes, não são responsivos, a menos que encurralados. “Quando você não comunica com as pessoas, elas simplesmente criam coisas nas suas cabeças”, diz Reed.

E oferece um exemplo de uma perspectiva diferente: digamos que talvez exista um rumor de que a empresa vai ter problemas. Caso o chefe não apareça e fale sobre isso, a maior parte dos funcionários presumirá que isso irá ocorrer.

10 – O sabe tudo
Este líder gosta tipicamente de demonstrar que é a pessoa mais inteligente de todas e, ao fazê-lo, muitas vezes pode negligenciar itens críticos. “Líderes mais novos muitas vezes sentem que precisam de aparentar para as suas equipas que têm todas as respostas. Um líder eficiente sabe que as melhores respostas, muitas vezes, vêm de pessoas com as quais se trabalha”, diz Reed.

“Pessoas que são gestores num ambiente técnico estão envolvidas em administrar projectos de tecnologia, iniciativas de tecnologia e em garantir que a estratégia está a ser utilizada. Onde eles normalmente não se concentram é em alocar tempo livre para conversar com as pessoas nas suas equipas afim de dialogar sobre a sua satisfação com o trabalho, como elas se sentem sobre o seu trabalho e o seu futuro”, conta Reed. Nem sempre o líder possui a resposta perfeita, mas sabe onde obtê-la, e é isso que define um gestor de élite.

11- O chefe de linguagem abusiva
Alguns administradores não compreendem o quão desmoralizante pode ser este tipo de comportamento. Se você utiliza uma linguagem abusiva, num tom raivoso, pode facilmente criar uma situação onde ninguém vai funcionar, seja por raiva, desgosto ou outras razões.

“Os líderes precisam de conquistar o direito de manter os serviços dos melhores e mais brilhantes, todos os dias, pela forma como conduzem os seus próprios passos”, diz Roy West, CEO da Roy West Companies e cientista sénior na Gallup Organization.

Encontrar sucesso no trabalho e na vida
Num livro recente, o operador das Forças Especiais e Oficial do Exército, Peter Blaber, lembra o momento em que alguém partilhou com ele um segredo para a liderança, que separa os verdadeiros líderes dos que querem líderes. Ser um líder resume-se a fazer a coisa correcta e a liderar pelo exemplo. Não se pode ter um padrão para si mesmo e outro para o resto do mundo.

“A regra de ouro é que nós não devemos tratar as pessoas da forma que queremos ser tratados, devemos tratar as pessoas da forma que elas querem ser tratadas. E, para saber como elas desejam ser tratadas, é preciso perguntar”, aponta West.

Se você se identifica com algum desses perfis, então é bom fazer algo em relação a isso. Participe de seminários de liderança, cursos de comunicação ou faça o que for necessário para comunicar melhor com as pessoas que dependem de si diariamente.
(Rich Hein, CIO/CIO Brasil)




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