Interface do IRS é difícil de usar

Alguns dos defeitos passam pelo emprego de linguagem altamente técnica e indecifrável para o cidadão comum, pelas dificuldades na instalação do software Java, e desconhecimento do anexo SS, segundo a Tangível.

Um estudo de usabilidade (facilidade de utilização) efectuado pela Tangível, classificou como “desastrosa” a interface da aplicação para a entrega das declarações de IRS, através do Portal da Finanças. O trabalho contou com a participação de contribuintes que, durante e após o processo de entrega da declaração de IRS, se mostraram visivelmente «irritados, ansiosos e com muitas dúvidas sobre se teriam preenchido correctamente todos os campos», explica José Campos – director executivo da empresa criada no âmbito do Instituto Pedro Nunes, em Coimbra.

Como principais aspectos negativos, o estudo aponta:

– a linguagem altamente técnica e indecifrável para o cidadão comum;
– as dificuldades na instalação do software Java;
– desconhecimento do anexo SS;
– a falta de informação e informação desenquadrada.

O investigador da Universidade de Coimbra (UC) classifica a interface como «um autêntico quebra-cabeças, especialmente para o cidadão que o utiliza pela primeira vez”. De acordo com o mesmo os utilizadores observados, demoraram muito tempo a preencher a declaração.

Além disso, “eram obrigados a interromper o processo, sistematicamente, para procurarem dados como o código da freguesia ou o Código de Actividade Económica (CAE) e outros dados que o sistema já deveria possuir e recuperar de ano para ano”.

Para José Campos, a plataforma não cumpre o objectivo de facilitar a vida aos cidadãos. “Não está orientada para as pessoas. Em vez disso, reflecte a lógica complexa das Finanças. Não é de estranhar que muitas pessoas paguem a contabilistas ou peçam a amigos para fazerem a declaração por eles».

Para tornar a interface “muito mais amigável para o utilizador”, o especialista em usabilidade, sugere a adopção de medidas como:

– a humanização da linguagem;
– um processo de preenchimento guiado semelhante ao adoptado no preenchimento dos CENSOS 2011;
– reorganização da informação.




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