Europa atrasada na próxima geração de serviços móveis

A GSMA diz que o investimento em mobilidade no EUA ultrapassou o da Europa. E recomenda reformas estruturais.

A próxima geração do mercado europeu de telefonia móvel está a  ficar atrasada face à dos EUA, de acordo com a GSMA, que representa as operadoras e fabricantes de telemóveis. Houve uma rápida inversão da situação, quando se considera que os operadores europeus lançaram serviços de dados como os de GPRS e Edge, e, depois os serviços 3G amplamente disponíveis, antes disso acontecer nos EUA.

O estudo “GSMA Mobile Wireless Performance in the EU and US” diz que a legislação europeia e a falta de uma estratégia pan-europeia para a promoção de serviços de próxima geração é a razão para os EUA estarem à frente do espaço europeu. “A Europa foi o líder no início dos serviços móveis, com uma vasta gama de empresas a serem pioneiras na inovação que agora beneficia mais de 3,2 mil milhões de utilizadores em todo o mundo”, diz Anne Bouverot, directora-geral da GSMA.

“No entanto, o estudo confirma uma realidade muito preocupante na qual a Europa perdeu a sua vantagem nas comunicações móveis e tem um desempenho significativamente baixo outras economias avançadas, incluindo a dos EUA. Está claro que as reformas políticas esclarecidas poderiam trazer melhorias, criando benefícios substanciais para os consumidores da UE e de conduziriam ao crescimento económico”.

Ao longo dos últimos anos, a Comissão Europeia aprovou legislação para reduzir o preço das chamadas em “roaming”, reduzir as taxas de dados no estrangeiro. O estudo GSMA sugere que essas medidas têm dificultado o investimento em infra-estrutura para suportar a rápida implantação de serviços de próxima geração como a 4G, em toda a Europa.

Segundo a GSMA há cinco anos, o mercado móvel europeu teve “um desempenho tão bom ou até melhor do que o dos EUA.” Desde então, a situação inverteu-se.

Em média, os “consumidores dos EUA gastam mais por mês do que os seus homólogos da UE e usam serviços móveis muito mais intensamente, consumindo cinco vezes mais minutos de voz e quase duas vezes mais dados”, diz o estudo. Além disso, até o final de 2013, diz, quase 20% das ligações dos EUA serão suportadas por redes LTE [4G] redes, em comparação com menos de 2% na UE.

A média de velocidades de conexão de dados móveis nos EUA é agora 75% mais rápida do que a da Europa, e em 2017 as velocidades dos EUA “serão mais do que duas vezes mais rápidas.” O investimento no mercado móvel nos EUA também ultrapassou o da Europa, com as despesas de capital nos EUA a terem um crescimento de 70% desde 2007, enquanto estão em declínio na União Europeia – e “o fosso continua a aumentar”.

A GSMA diz que são necessárias “reformas regulatórias fundamentais” para restaurar o crescimento no sector de telefonia móvel europeia. Em particular, “é necessário um enfoque em facilitar o investimento e a inovação, em vez da gestão directa de preços”.

O relatório recomenda que a Comissão Europeia tome medidas nas seguintes áreas:

– dar prioridade à atribuição de espectro e harmonizar as bandas usadas;

– permitir a consolidação eficiente, simplificando a concentração, e acabar com a “discriminação em favor de novos concorrentes “;

– desenvolver um mercado único europeu de telefonei móvel, com uma legislação “leve”, facilitando a partilha de redes e a subsidiação da cobertura de meios rurais;

– apoiar iniciativas pan-europeias público-privadas suportadas na telefonia promovendo a inclusão social e a promoção do investimento em novas tecnologias e serviços.

(Antony Savvas/Computerworld UK)




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