É um tablet, é um PC? É o Surface Pro

A Microsoft começou esta quinta-feira a comercializar o Surface Pro em Portugal, tendo igualmente anunciado melhorias com o sistema operativo Windows 8.1.

A Microsoft iniciou hoje a comercialização do Surface Pro em Portugal, um híbrido entre computador portátil e tablet, e um dispositivo de compromisso com várias vantagens mas alguns problemas imediatos.

Com o recente sistema operativo Windows 8 (que hoje já foi actualizado para a versão 8.1), o hardware do dispositivo integra um processador Core i5 da Intel, 4 GB de memória, tem um ecrã de 1920 por 1080 pixéis e, sem a capa ou a capa-teclado, custará 879 euros para a versão com 64 GB de armazenamento interno e 979 euros para a de 128 GB. As entradas para microSD ou as portas USB 3.0 garantem o armazenamento externo – tal como a ligação de discos rígidos externos, câmara fotográfica ou até uma impressora.

O Computerworld testou esta última versão de 128 GB e o resultado foi, no geral, positivo. Isto para quem deseja um portátil, porque como tablet ficam algumas dúvidas.

Antes de qualquer outra consideração, a Microsoft fez um excelente trabalho com o teclado na capa autónoma, com um encaixe magnético muito bom e teclas perfeitamente adaptáveis e com boa resposta aos dedos, tal como sucede com o rato integrado. E com a bateria, generosa e que aguenta mais de cinco horas em trabalho (insuficiente para um dia de trabalho). A ligação também magnética para conectar o dispositivo à corrente eléctrica serve igualmente como suporte para a caneta da Wacom.

O ecrã táctil não apresentou qualquer problema com a interactividade. O ecrã tem ainda a vantagem de, quando se usa a caneta que acompanha o Surface Pro, desligar sobre a zona de poiso da mão, activando apenas as funcionalidades na posição onde se encontra a caneta.

No geral, o Surface Pro sofre da melhor das intenções, ao tentar juntar a escolha entre um portátil ou um tablet. Este híbrido dois-em-um dificilmente deixará de agradar a quem quiser comprar um novo portátil, mas quem quiser optar por um tablet “puro” pode ficar decepcionado. À partida, existem problemas de peso: quer do peso real (mais de 900 gramas, a que se deve acrescentar a bateria para carregamento) como do peso na carteira, que pode ultrapassar os 1000 euros. Para tablet, é muito.

Em contrapartida, tem uma enorme vantagem – que só a Microsoft pode assegurar: todo o ecossistema Windows. Quem usa um PC com Windows e/ou um smartphone com o Windows Phone, terá uma integração entre aplicações e com a oferta de cloud – que amplia o armazenamento local. Isto será muito conveniente para quem adquirir a versão de 64 GB porque mais de metade desse espaço será ocupado com o Windows 8 e as aplicações de origem.

Claro que o Android e o iOS também têm ofertas semelhantes, mas obrigam a “aprender” um novo sistema operativo e as suas aplicações. E, neste último caso, batem a Microsoft de longe: o número de aplicações na Windows Store é reduzido para os padrões actuais e quando se quer concorrer com os líderes. A empresa terá de fazer muito mais neste aspecto.

O posicionamento do Surface Pro é diferente de outros aparelhos semelhantes. É um dispositivo para trabalho, muito mais do que lúdico. Sim, tem jogos disponíveis e com excelente qualidade gráfica e interactividade muito boa no ecrã, mas é para as horas vagas. O que interessa aqui são as aplicações de produtividade e a funcionalidade para ambiente corporativo.

Neste caso, no entanto, o “pequeno” ecrã de 10,6 polegadas é uma dificuldade perante um desktop ou mesmo os Ultrabooks. E o facto de ser um novo sistema operativo pode igualmente atrasar a sua adopção, embora com alguns “truques” se consigam descobrir formas de o usar como nos Windows anteriores.

Há soluções interessantes, que obrigam a serem descobertas, como a facilidade de passar entre aplicações. É preciso descobrir que os cantos do ecrã servem de interface, para se poder passar rapidamente de um jogo para uma aplicação de notícias ou o processador de texto, ou voltar ao início – coisa que o botão no espaço inferior do ecrã também permite. E como algumas aplicações usam o “velho” botão para encolher no ecrã, é também possível ter duas aplicações em simultâneo no ecrã.

Com uma câmara de alta definição e uma outra, fronteira, de menor resolução (720p), esta pode funcionar para videochamadas, nomeadamente pelo integrado Skype.

A aposta da Microsoft em dar aos utilizadores um híbrido portátil-tablet e um conjunto integrado de hardware-software seu pode revelar-se uma aposta estratégica interessante, apesar de poder colocar para já a empresa contra os fornecedores tradicionais de hardware e também fabricantes de tablets.

A Microsoft deu alguma importância a detalhes, que podem ajudar a cativar certo tipo de utilizadores, apesar das fragilidades apontadas e que só podem ser melhoradas (e também atenuadas com utilizadores mais treinados para o Windows 8).

Por exemplo, no Japão, a empresa vai comercializar o Surface Pro (em versões de 128GB e 256GB) com uma cópia funcional do Office Home & Business 2013. Ou seja, a empresa está a vender não apenas um novo hardware com um sistema operativo mas também a acrescentar as suas tradicionais aplicações num único dispositivo, dando a opção de as ter no Surface Pro (mesmo aumentando ligeiramente o preço mas também a percepção de valor) como na nuvem (Office 365).

Parece ser a decisão correcta, re-inventar o negócio. A Microsoft está a entrar num mercado novo e a deixar para trás o lastro de empresa de software para computadores. Não é fácil e não será imediato, como é visível quando se transfere um programa para o Surface Pro e se recebe a mensagem “A atualizar o PC”…




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