Investigação da UE pode afectar negócios do 4G na China

Fornecedores europeus podem perder negócio no desenvolvimento das redes 4G na China.

A União Europeia (UE) pode estar a tentar proteger a sua indústria de equipamentos de telecomunicações com a recente ameaça para investigar a China sobre as importações de equipamentos de rede. Mas a decisão pode acabar por prejudicar as hipóteses das intenções dos fornecedores ocidentais no fornecimento de tecnologia para o próximo lançamento de serviços 4G na China, de acordo com analistas.

Na semana passada, a UE desencadeou temores de uma guerra comercial com a China, após afirmar que poderia analisar as vendas de equipamentos de rede móvel por práticas anti-concorrenciais do país. Em resposta, a China avisou a UE contra medidas “proteccionistas”, que prejudicariam as relações económicas entre os dois governos.

“Se a UE insiste em iniciar a investigação, a China seguirá as regras da OMC [Organização Mundial do Comércio] e as leis chinesas para tomar medidas resolutas para proteger os seus direitos e interesses”, disse o porta-voz do ministério chinês do Comércio, Shen Danyang, na última quinta-feira. “A UE, que iniciou esta fricção, terá que assumir a total responsabilidade pelas consequências resultantes”.

A UE ainda tem de lançar a sua investigação, e quer primeiro negociar com a China sobre uma possível resolução. Mas o risco de tensões comerciais afectam o processo de licitação para a construção de redes 4G na China, disse Matt Walker, analista da consultora Ovum.

O próximo lançamento de serviços comerciais de 4G no país deve gerar milhões de dólares em vendas para os fornecedores de equipamentos de telecomunicações. Por exemplo, a China Mobile, com mais de 700 milhões de clientes, orçamentou gastar 6,7 mil milhões de dólares este ano na construção da infra-estrutura.

Mas todas as três operadoras de telefonia móvel da China são empresas estatais, observou Walker, e sujeitas à influência do governo. “As operadoras chinesas não querem ser constrangidas em quem escolherem, mas ainda são controladas pelo Estado através de acções bolsistas, de modo que estão presas no processo político”, disse ele.

A disputa comercial também pode levar a China a não adoptar nas suas redes a tecnologia LTE FDD (Long-Term Evolution Frequency Division Duplex), uma variante do 4G em que os fornecedores europeus se especializaram, disse Tina Tian, analista da Gartner.

Em vez disso, a China pode optar por confiar nos fornecedores nacionais para a construção das suas redes 4G usando a tecnologia LTE TDD (Time-Division Duplex), também conhecida como TD-LTE. A China Mobile já está a trabalhar para lançar os seus serviços 4G utilizando a LTE TDD. Mas, até agora, a maior quota dos projectos foram para empresas chinesas e não para os seus rivais ocidentais, disse ela.

“Os fabricantes chineses especializaram-se mais no TD-LTE. A Huawei e a ZTE gastaram mais recursos na tecnologia, e eles são muito rápidos a implantar e a oferecer produtos competitivos”, disse Tian.

Outras duas operadoras móveis do país, a China Unicom e a China Telecom, também devem lançar serviços 4G mas não é claro se vão usar tecnologia LTE TDD ou FDD.

“Pensávamos que a China Unicom e China Telecom iam usar a LTE FDD. Mas este conflito comercial pode causar mudanças no licenciamento do 4G. Isto é uma possibilidade”, disse ela.

Os fornecedores europeus de equipamentos de telecomunicações, como a Alcatel-Lucent e a Ericsson, participaram ambos na construção de redes 4G de teste para a China Mobile. A Alcatel-Lucent recusou-se a comentar sobre a investigação da UE, mas a Ericsson disse em comunicado que se opôs à mesma.

“A Ericsson é um forte defensor do livre comércio e não acreditamos nesse tipo de medida unilateral”, disse Ulf Pehrsson, chefe das relações com governos e industriais da empresa. “A nossa política é para o comércio aberto, livre e irrestrito e cadeias de fornecimento globais, beneficiando utilizadores e sociedades”.
(Michael Kan/IDG News Service)




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