CA Tecnologies vai aumentar custos de operação de software legado

Para promover a migração dos clientes para serviços de SaaS, sector em que pretende ser fornecedor, o fabricante pretende aumentar os custos de funcionamento de software mais antigo, instalado nos sistemas das empresas.

O CTO da CA Technologies, John Michelsen, confirmou que a empresa vai aumentar os custos de funcionamento de software legado. Será uma tentativa para levar os clientes a adoptarem o modelo de utilização de software da CA, baseado em serviços  SaaS, dos quais o fabricante pretende ser fornecedor.

O CEO, Michael Gregoire, procurou ser mais diplomático e admitiu que as conversações com os clientes será “estranha e dura”. Os comentários foram feitos em resposta a uma pergunta da Computerworld do Reino Unido durante a conferência para clientes e parceiros da CA, esta semana, em Las Vegas.

Na mesma o recentemente nomeado CEO, anunciou pretender transformar a CA num fornecedor de SaaS inovador. Contudo, para fazer isso, tem de convencer a base de clientes a actualizar o software legado, para a tecnologia mais recente.

“Eu acho que é um dos maiores problemas de toda a tecnologia – as versões mais antigas. Quando se vem de onde eu venho, uma empresa de SaaS puro [a Taleo], a ideia de versões antigas não existia”, disse Gregoire . “Introduzíamos inovação, três ou quatro vezes por ano para cada cliente, e cada um usava o mesmo conjunto de software. Acho que é uma melhor forma de engenharia de soluções de software, explica. Estamos a fazer grandes investimentos em SaaS e a direccionar todos os nossos sistemas para uma solução SaaS, universo onde centramos a nossa inovação”.

Na sequência destas observações, Michelsen mostrou-se convencido de que muitas empresas vão ser levadas a migrar, pelo impulso da CA. Isto porque no passado, quando CA lançava uma nova versão de software, esta não era compatível com as versões anteriores –  e nisto o responsável admite a culpa da CA.

Michelsen mostrou como o fabricante está disposto a tornar a migração mais fácil, pois deve ser mais simples migrar do que continuar a manter inúmeras versões de cada software. No entanto, quando questionado sobre as empresas menos convencidos pela força de vendas da CA, o responsável mudou de discurso: admitiu a possibilidade de serem “empurrados” para a actualização de software, face a custos mais elevados.

“Como vamos conseguir que as pessoas façam o que pretendemos? Podemos incentivá-los, ou criamos um desincentivo para elas não fazerem o que não queremos. Precisamos seguir alguns exemplos de outras empresas de software e tornar mais caras as operações com o software legado. E quando isso acontecer, espero que funcione a lei dos rendimentos decrescentes”, explicou.

“Não o estamos a fazer no momento, mas vamos ser honestos, vamos chegar a um ponto no qual não podemos suportar o software de forma adequada, sem perder dinheiro”, sublinhou. Michelsen deu um exemplo de uma empresa utilizadora de uma ferramenta de automatização ou monitorização da CA.

Quando o cliente adquire uma nova versão de hardware para suportá-la, provavelmente o firmware será suficientemente diferente para causar problemas com o software da CA. “O cliente não quer actualizar, mas quer que a gente actualize o software. E torna-se necessário aumentar o custo de continuar essa manutenção. Hoje ela faz parte do seu contrato de manutenção normal”, disse.

“Mas a determinado ponto temos de dizer: não posso dar suporte a um novo equipamento com software legado, a menos que nos paguem mais para o fazer”. Michelsen estima serem necessários cerca de dois anos para a CA conseguir chegar ao ponto no qual a maioria dos seus clientes estarão convencidos sobre a migração para novas versões.

As conversações deverão começar com os seus maiores clientes.

Processo incerto mas inevitável

“Não tenho certeza de quão bem sucedidos vamos ser. Sempre que você faz uma actualização ou alteração de uma plataforma, isso é geralmente caro, arriscado e difícil. Isso não vai desaparecer e por isso acho que as conversações serão estranhas e duras “, disse o CEO, Michael Gregoire.

“Mas prefiro ter essa conversa do que fingir que está tudo bem usar versões com 10 ano, quando está ocorrer uma grande transição para o modelo SaaS”, acrescenta. Para o responsável, a CA não será um parceiro correcto se não tiver o referido diálogo com os seus clientes.




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