Sector da publicidade promete mais anúncios no Firefox

Os planos da Mozilla para bloquear os cookies de terceiras partes, numa futura versão do seu browser, foram recebidos com previsões de que resultarão numa ameaça ao negócio de pequenas empresas e redução das opções disponíveis.

A indústria de publicidade online considera que haverá mais publicidade direccionada para os utilizadores do Firefox, se a Mozilla avançar com os seus planos de restrição à monitorizção por cookies. A decisão de bloquear os cookies de terceiras partes numa uma futura versão do Firefox, foi classificada como “perigosa e altamente perturbadora”.

A reacção feroz veio da Interactive Advertising Bureau (IAB) e da National Advertisers (ANA). Dan Jaffe, vice-presidente da ANA para relações governamentais, negou que a campanha fosse coordenada.

Mas as duas organizações criticaram a Mozilla no mesmo dia e usando muitos dos mesmos argumentos. Em particular referindo-se à ameaça da decisão para o negócio das pequenas empresas e pequenos sites e uma resultante redução do número de opções para o utilizador na Internet.

Apesar de o Firefox não ser o browser mais utilizado do mundo – essa distinção pertence ao Internet Explorer (IE) ou ao Chrome, dependendo da métrica usada – representou ainda entre 20,1% e 21,4% dos browsers utilizados no mês passado em computadores.

A política do novo Firefox vai permitir que os cookies de domínios realmente visitados pelos utilizadores – denominados sites de “first-party”. Mas bloqueará automaticamente aqueles gerados por domínios de terceiros, a menos que o utilizador já tenha visitado o site de origem do cookie.

O resultado, avisa Jaffe, não será o previsto. “Os utilizadores do Firefox vão ter mais anúncios, e não menos. Os anúncios deixarão de ser adaptados aos seus interesses”, disse ele.

“Vão ser atingidos por anúncios não direccionados, que parecerão spam. Temos de passar-lhes essa informação de alguma forma”. A Mozilla ainda não definiu em que versão do Firefox activará o bloqueio de cookies de terceiros.

Contudo a próxima versão – Firefox 22 – está prevista para o final de Junho. Mesmo assim a política pode ser adiada ou nunca ser implantada. “Como acontece com todos os nossos novos recursos do Firefox, haverá meses de avaliação sobre as informações técnicas “, disse Brendan Eich, CTO da Mozilla, num e-mail.

Firefox não é o primeiro

A reacção do sector da publicidade não foi o primeiro ataque aos fabricantes de browsers. Quando a Microsoft decidiu unilateralmente no ano passado para accionar por defeito a funcionalidade de privacidade “Not Track” no IE10, o sector de publicidade on-line também condenou a empresa de Redmond. Em Outubro, a ANA considerou inaceitável a posição da Microsoft.

Os trabalhos da Worldwide Web Consortium (W3C) para chegar a uma norma de DNT estagnaram com a decisão da Microsoft, entre outras questões – embora o grupo de trabalho continue a encontrar-se. Do ponto de vista da indústria de anúncios, a Microsoft e Mozilla são culpados do mesmo crime: tomar decisões de privacidade em nome dos utilizadores.

“Estou surpreendido que tenham dito, ‘somos mais inteligentes e vamos decidir por você'”, disse Jaffe, da ANA. Mas tanto os planos da Mozilla não são diferentes do que a Apple já faz  com o Safari.

Por norma, o Safari bloqueia cookies de terceiros, e desde a sua estreia em 2003. A versão iOS do Safari faz o mesmo desde a sua criação em 2007.




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