Teletrabalho é bom ou mau?

A recente decisão da CEO do Yahoo – para ter todos os funcionários a trabalharem no escritório – abriu espaço para debate sobre um assunto há muito discutido, lembra Eric Knorr, director da InfoWorld.

Algumas pessoas pensam que a decisão da CEO Marissa Mayer, na semana passada, de que todos os funcionários do Yahoo devem trabalhar no escritório, sinaliza um ponto de inflexão. Se uma empresa de Silicon Valley fez isso, causará um efeito dominó que fará com que os empregadores em todos os lugares acabem com as políticas do trabalho remoto – o trabalho em casa.

Mas agora que surgiram relatórios indicando que os funcionários em teletrabalho do Yahoo não se ligavam à empresa, parece bastante claro que a decisão de Mayer foi específica para o Yahoo e para o seu trabalho lá dentro. A mudança que a CEO fez não tem implicações reais para o teletrabalho  em geral, que continua a crescer em popularidade.

Quando se reconhece a verdade sobre o trabalho em casa, é fácil perceber porque a tendência está a prosperar. Se tem um trabalho no sector dos serviços – e especialmente se trabalha em TI – provavelmente tem pouco tempo livre. Em muitos casos, trabalhar em casa funciona assim: eu sei que você está a trabalhar a maioria das suas horas e, em troca, pode passar uma determinada percentagem do tempo de trabalho tradicional em casa.

E vários estudos têm demonstrado que esse acordo parece beneficiar todos. De acordo com um estudo de 2010 com aproximadamente 25 mil funcionários da IBM, feito pela Brigham Young University, as pessoas trabalhavam mais horas e tinham a moral mais elevada quando o trabalho remoto era permitido. À boleia da decisão de Marissa Mayer, é bom citar um estudo recente de Stanford, para uma agência de viagens chinesa, que mostrou uma melhoria de 13% no desempenho dos trabalhadores domésticos. Um inquérito em 2011 da Dice.com mostrou mesmo que 35% dos respondentes estava disposto a ter um corte de 10% no vencimento para poder teletrabalhar.

O mundo moderno do trabalho
O facto é que a semana de trabalho de 40 horas está morta há talvez 20 ou 30 anos.  A linha entre o trabalho e a vida pessoal está “borrada” para lé do reconhecimento – e talvez isso não seja  uma coisa tão má. Pessoalmente, acho que é falso manter a ficção de que o meu trabalho não existe quando estou com minha família, e que eu me demitiria num piscar de olhos se fosse proibido de mandar mensagens ou falar com a minha família quando estou no escritório.

As pessoas não são máquinas que alternam entre os modos pessoais e de trabalho. Em geral, a opção de trabalhar em casa um dia por semana – ou mais, se o cuidado infantil for um problema – mistura as coisas de uma forma saudável.

Dentro ou fora do escritório, poucas pessoas conseguem produzir durante horas e horas com apenas uma folga para o almoço, dia após dia. Distribuir trabalho sem uma linha dura entre “entrada” e “saída” pode render uma maior produtividade e uma maior qualidade de trabalho.

É tudo sobre resultados
Mas algumas pessoas simplesmente não atrasam tudo quando trabalham em casa? Claro que sim. Algumas pessoas também o fazem no escritório, embora tenham que trabalhar um pouco mais para manter as aparências.

Dentro ou fora do escritório, a questão é ter uma instituição de objectivos e medidas ao mesmo tempo em que se cultiva uma atmosfera de confiança e respeito. O ponto essencial é que são precisas metas claras e uma avaliação efectiva do desempenho, independentemente de onde um empregado trabalha. Tratar bem as pessoas torna-as automotivadas, uma característica de valor inestimável.
(InfoWorld/IDG Now!)




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