Anacom vai monitorizar TDT com rede própria

400 sondas vão ser instaladas em Portugal continental para monitorizar emissões da televisão digital terrestre. Sistema pode custar quase 500 mil euros.

A Anacom abriu em Janeiro um concurso para a implementação de uma rede de 400 sondas em Portugal continental para monitorização do sinal de televisão digital terrestre (TDT). Segundo o caderno de encargos, o valor limite será de 480 mil euros, com o valor mais baixo a não poder ser inferior aos 240 mil euros.

Todo o sistema é um protótipo e isso justifica o valor, explica a autoridade reguladora. Além dos sensores, haverá o desenvolvimento de uma base de dados e funcionalidades de servidor. O sistema deve estar terminado “obrigatoriamente” no início de 2014.

No documento do concurso internacional, a Anacom assume que “qualquer processo de transição, como a que ocorreu em Portugal com a migração da televisão analógica para a digital, é necessariamente disruptivo e indutor de um forte impacto social junto das populações, requerendo um acompanhamento de grande proximidade e uma monitorização permanente da qualidade dos sinais de TDT difundidos”.

O Computerworld questionou a Anacom sobre esta monitorização, tendo as respostas sido enviadas pela responsável de comunicação daquela entidade, Ilda Matos:

Computerworld – Porque tem a Anacom de pagar 480 mil euros pelo desenvolvimento de sondas? Elas não existem já no mercado? Porque é que abaixo dos 240 mil euros a proposta não é aceite?
Anacom – Os 480 mil euros não se destinam apenas ao desenvolvimento das sondas, mas sim ao fornecimento de uma solução global e integrada de um sistema de monitorização da cobertura e qualidade de serviço TDT, com caráter inovador, que contempla o desenvolvimento, a produção em massa e a instalação no terreno de 400 sondas.

As sondas existentes no mercado para além de não responderem às necessidades específicas pretendidas, apresentam um custo individual muito superior ao aqui considerado, tornando demasiado onerosa a sua implementação em larga escala (400 unidades).

O valor limite de 240 mil euros decorre da legislação aplicável aos concursos públicos, denominando-se “preço anormalmente baixo”, e corresponde a metade do valor base de 480 mil euros. Uma proposta abaixo de 240 mil euros consubstancia uma proposta com um preço anormalmente baixo, podendo ser excluída se não apresentar, ou se não forem considerados, os esclarecimentos justificativos dos mesmos, nos termos legalmente exigidos. Pretende-se com isto minimizar o risco de o produto não apresentar a qualidade necessária.

CW – Não devia ser a Portugal Telecom a monitorizar as suas próprias emissões e a garantir que o sinal é emitido em boas condições?
Anacom – Sem prejuízo de a PT monitorizar as suas próprias emissões, a rede de sondas que a Anacom pretende implementar visa avaliar a qualidade do sinal recebido, na perspetiva do utilizador final, refletindo não só as caraterísticas do sinal emitido, mas todas as condicionantes que afetam a sua receção, nomeadamente, efeitos de propagação e auto-interferências da rede, com impacto na qualidade final percecionada.

Por outro lado, esta rede de monitorização permite agilizar procedimentos de deteção precoce de eventuais problemas, para que possam ser resolvidos com toda a brevidade. Ou seja, a ideia é não ficarmos à espera das reclamações dos utilizadores para depois podermos atuar, porque isso pode tornar o processo de resolução do problema mais lento.

Finalmente, há necessidade de assegurar uma independência total no processo de avaliação da rede face ao operador. Trata-se de um processo que se enquadra nas funções de fiscalização e supervisão da Anacom.

CW – Porque estão Açores e Madeira excluídos desta rede de monitorização?
Anacom – Até agora não tivemos reclamações sobre a qualidade do sinal nas regiões autónomas.

CW – Como é que se vai processar a colocação das sondas? Por exemplo, em que tipo de locais da Grande Lisboa serão colocadas as 81 sondas? Naqueles em que houve queixas?
Anacom – A colocação das sondas resulta da aplicação de metodologias e critérios de análise estatística.



  1. Admito a minha ignorância técnica sobre a TDT, mas de uma coisa estou certo: Não entendo porque vai a ANACOM gastar dinheiro (dos contribuintes?) a comprar e instalar sondas… Parece que está a tentar “limpar” a fraca figura que foi e é a implementação da TDT em Portugal. Quando nem todos os canais da rádio e televisão pública estão disponíveis – RTP Memória, RTP Internacional, RTP África, Antena 1,2 e 3 – não vale a pena continuar a iludir as pessoas com estudos, sondas e consultas públicas.
    Bastaria que no arranque da TDT fosse garantido às pessoas que em vez dos míseros 4 canais passariam a ter no mínimo 8 canais de TV e todos os canais da rádio pública.

Deixe um comentário

O seu email não será publicado