ISP francês em apuros depois de bloquear anúncios online

Aquilo que constitui um protesto contra a neutralidade da Internet está a ser fortemente criticado. Empresa parou entretanto com o bloqueio aos anúncios.

O fornecedor de acesso à Internet, Free, actualizou os seus routers de banda larga para bloquear automaticamente os anúncios online mas teve de abandonar os seus planos depois de entrar em conflito com o governo francês. Com sede em Paris, o fornecedor de acesso à Internet disseminou uma actualização de firmware beta entre alguns dos routers DSL da empresa, durante a última quarta-feira. Em certas partes de França, os utilizadores deixaram de ver anúncios numa série de sites.

A medida irritou os grupos de media e publicidade cujo modelo de negócio depende da distribuição de anúncios, levando-os a recorrer à ajuda do governo francês para inverter a situação. Numa conferência de imprensa, segundo o New York Times,  o executivo deixou claro que o bloqueio era inaceitável e ordenou à Free que restaurasse o acesso aos conteúdos de anúncios.

“Um provedor de serviço de Internet não pode implantar esse bloqueio unilateralmente”, disse o ministro da economia digital, Fleur Pellerin, num comunicado. “Esse tipo de bloqueio é incompatível com uma Internet livre e aberta, da qual estou próximo”.

Depois da intervenção do governo, a empresa parou de bloquear no final de segunda-feira. A motivação da Free para concretizar o bloqueio – implementado como um filtro “cego” – parece ter sido uma tentativa de deixar clara a sua insatisfação com o princípio da neutralidade da rede.

Simplificando, alguns ISP manifestam-se revoltados com o facto de as suas infra-estruturas estarem a ser transformadas em canais de passagem de dados, para empresas como a Google retirarem deles os mais  importantes dividendos. Controversa, a sua resposta é procurar controlar – ou neste caso bloquear – esses serviços, até conseguirem obter uma parte do negócio.

Em comentários anteriores à intervenção do governo francês, houve quem criticasse o carácter repentino da operação imposta sem consultar os 5,2 milhões de clientes da empresa.

Outros comentários destacaram que a decisão da Free retirou um fluxo importante de receita para sites franceses. O bloqueio poderá abrir um precedente importante para outros fornecedores de toda a União Europeia.




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