“Esperamos maior estabilidade no segundo semestre de 2013”

A Adobe está a mudar para um modelo de negócio assente em cloud computing e teve um bom desempenho no segmento das grandes contas, revela o director-geral para Portugal, Nuno Rocha.

A aposta da Adobe no modelo de cloud computing não dispensa o canal de parceiros, sugerem as declarações do director-geral da empresa em Portugal, Nuno Rocha. Numa entrevista para o Computerworld, o executivo confirma  o “ambiente económico desfavorável” mas afirma que a empresa até suplantou alguns dos seus objectivos em Portugal.

Numa antevisão de 2013, coloca esperanças no negócio de cloud computing e na oferta para empresas, especialmente no segundo semestre quando a plataforma tiver maior maturidade. Segundo o responsável, o “desinvestimento do Estado” não está a colocar o desempenho da empresa sob grande pressão em Portugal.

Computderworld – Quanto do vosso negócio, em percentagem, e em Portugal, deverá estar ligado às vossas iniciativas de cloud computing dentro de três anos?

Nuno Rocha – À escala global a nossa estratégia está focada no modelo de cloud computing e na disponibilização de todas as nossas soluções por este meio. O processo de adopção está a acontecer mais rápido e com maior sucesso do que tínhamos previsto e não temos dúvidas que, em três anos, grande parte do nosso mercado e do nosso negócio estará assente na cloud.

CW – Mas que percentagem do vosso negócio estará ligada a essa plataforma?

NR – Neste momento ainda só disponibilizamos o Creative Cloud Membership para utilizadores finais mas durante o próximo ano e com a introdução do Creative Cloud Team (CCT) – para empresas a percentagem vai aumentar, não devendo chegar aos 50% durante 2013.

CW – Que mudanças estruturais deverá a aposta na cloud computing trazer para o vosso negócio?

NR – A evolução da forma como os nossos produtos e soluções estarão acessíveis. Neste momento, a maior parte das soluções tanto em aplicações como nas soluções de marketing digital, analítica e gestão Web estão já baseadas cloud computing. Isto vai permitir que os nossos clientes estejam sempre actualizados em relação às últimas versões dos produtos, que consumam as aplicações onde estiverem e que não se preocupem com a gestão das licenças. O próprio canal beneficiará com esta mudança e a sua facturação será mais previsível.

CW – Que papel vai desempenhar o vosso canal na era da cloud computing?

NR – A Adobe vai disponibilizar, a partir do próximo mês, a versão empresarial da Creative Cloud até agora só disponível para utilizadores individuais e através da nossa loja online. Esta versão será disponibilizada através do canal de parceiros certificados da Adobe, os quais terão um papel fundamental na iniciativa de cloud computing da Adobe, tanto na sua divulgação como na sua manutenção.

CW – Que balanço faz da actividade da empresa em 2012?

NR – O ano de 2012 está a ser de grande mudança na estratégia da Adobe e no seu modelo de negócio. Apesar do ambiente económico desfavorável concretizámos grande parte dos objectivos propostos no início do ano.

E superámos as previsões em algumas áreas de negócio e principalmente nas grandes contas. O ano de 2012 serviu também para confirmar a Adobe como o maior “player” na área do marketing digital, sendo o único fabricante capaz de estar presente em todo o fluxo digital, desde a criação de conteúdos, à sua gestão, análise e ‘monetização’.

CW – Em 2009, previa que o segmento da administração pública iria incrementar o seu peso no negócio da Adobe para perto de 50% da facturação da empresa, em Portugal. Confirmou-se? Como é que a empresa vai compensar o desinvestimento do Estado?

NR – De facto essas previsões não se verificaram e, apesar de em 2010 termos indicadores muito positivos nessa direcção, acabaram por não se materializar. A Adobe nunca esteve muito dependente do negócio com a administração pública em Portugal.

Ao contrário por exemplo do mercado espanhol, onde essa componente chegou a representar 35% da facturação – fruto das 17 autonomias existentes no país vizinho. Portanto o desinvestimento do Estado não nos colocará grande pressão.

Por outro lado, existem novas iniciativas na administração pública, à escala europeia, na área do marketing digital, na acessibilidade aos conteúdos, de aplicações em dispositivos móveis e há a importância das redes sociais e da forma como podem ajudar a tornar as administrações públicas mais eficientes. Estas iniciativas vão totalmente ao encontro da nossa estratégia.

CW – O segmento da banca tem correspondido às vossas expectativas?

NR – O sector da banca e seguros tem sido um mercado muito importante para a Adobe em Portugal. Temos as nossas soluções presentes em quase a totalidade dos bancos nacionais tanto considerando como no “finishing” dos documentos e formulários usados pelas diversas instituições. Continuamos a apostar forte neste sector e agora também noutras áreas, nomeadamente no marketing digital, na gestão de conteúdos e na banca móvel através de aplicações móveis para tablets e smartphones.

CW – E qual é a projecção que faz para 2013?

NR – O ano de 2013 vai ser de mudança. Sabemos à partida que não vai ser fácil devido à conjuntura actual no nosso mercado mas esperamos uma maior estabilidade a partir do segundo semestre quando o nosso negócio de cloud computing já tiver adquirido maior maturidade.




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