Green IT importante para TIC mas depende da crise

Estudo da Acumen aponta vantagens para os negócios das TIC mas nota que período de crise está a adiar investimentos do sector.

A Green IT é importante para o sector das TIC já que “é responsável por 2,5 % do consumo de energia eléctrica mundial, anualmente. Este consumo traduz-se na emissão de vários milhões de toneladas de CO2”, apontam os autores do inquérito “Survey Green IT”, Rui Serapicos e Rita Oliveira – respectivamente Managing Partner e Associate da consultora Acumen –, e que foi divulgado este mês.

Segundo dados do Eurostat citados no estudo, houve “um crescimento médio de 23,7% no custo do MWh (mega watt hora) na Europa desde o ano 2000, sendo que nos EUA o aumento foi na casa dos 21% e no Brasil na ordem dos 28%”. Este aumento tem impacto óbvio e “significativo” nas áreas de TI, nomeadamente “nos resultados financeiros das empresas”.

Os autores consideram que “não há uma definição única” para o conceito de Green IT “mas, no geral, podemos considerar que o conceito de Green IT é o estudo e a prática do design, produção, utilização e otimização de computadores, servidores e subsistemas associados – sejam monitores, impressoras, equipamentos de armazenamento e sistemas de redes e de comunicações – de forma eficiente e eficaz, com um impacto mínimo (preferencialmente, sem impacto algum) no ambiente”.

Nesse sentido, os objectivos das políticas de Green IT nas organizações são “reduzir a utilização de materiais perigosos, maximizar a eficiência energética durante o tempo de vida do hardware e promover a reciclagem e biodegradabilidade de produtos em fim de vida e resíduos de fábricas”.

Panorama nacional
O objectivo do estudo passava por “conhecermos (e darmos a conhecer) o panorama actual do mercado português em termos de implementação de políticas de Green IT”, através de um inquérito a CEO e directores-gerais das principais empresas de tecnologia em Portugal. Foram obtidas 18 respostas, pelo que as respostas são meramente indicativas.

Dos inquiridos, 37% não implementou ainda nenhuma política de Green IT nas suas organizações, embora 32% tenham adoptado uma política de sustentabilidade e 26% uma política de redução de custos, “indicadores que não deixam de ser um reflexo de que, mesmo em tempos de crise económica e social, as organizações não descuram a sua responsabilidade ambiental”.

Em termos de medidas já adoptadas (políticas internas), só 26% o fez, enquanto 11% estão na fase de implementação – a mesma percentagem que planeia fazer algo nesse sentido.

Na formação para a redução de custos energéticos, 32% planeia fazer algo (o mesmo número dos que não tencionam fazer nada) e 31% já implementou essa formação.

Em termos de certificações ambientais, “a boa notícia” é que “42% dos participantes afirmam ter implementado a certificação ISO 14001, enquanto 16% têm já uma certificação em Green IT implementada”.

Centros de dados atentos
No âmbito dos centros de dados, “as empresas de TI em Portugal estão bastante atentas a esta questão”, dizem os autores. E “ não só estão atentas como implementaram já diversas medidas de optimização dos seus datacenters”.

O destaque vai para “a virtualização dos datacenters e a actualização tecnológica dos mesmos”, com 68% e 63% respectivamente, seguidas da regulação da temperatura ambiente (42%). Já “a contenção de quente e frio e a variação da velocidade dos discos do datacenter são as duas medidas menos implementadas, com excepção das condutas de ar, medida que nenhuma das empresas participantes indicou como tendo já implementado”.

Em termos de orçamento para a gestão ou optimização do datacenter, “a esmagadora maioria das empresas (58%) refere que apenas entre 1 e 10% do total do seu orçamento de TI está alocado a este recurso”, enqunto 16% o fez com 11 a 20% do seu orçamento. Nenhuma gasta mais de 51% nesta questão.

Futuro depende da crise
Em termos futuros, o estudo detecta que 47% dos inquiridos tenciona ter um plano de Green IT a um ano, com 21% a fazê-lo nos próximos três meses. Mas quase a mesma percentagem admite que só o fará após o próximo ano, um intervalo de tempo que os autores atribuem à “actual crise económica que estamos a viver em Portugal (e na Europa, a qual também acaba por nos afectar)”. Apenas 5% declara que não tenciona ter um plano destes.

Em termos de práticas ambientais, as principais escolhidas são “a possibilidade de comprar hardware energeticamente mais eficiente e a reorganização para consumo de energia e arrefecimento mais eficientes” (26% e 21% respectivamente).

Deslocar o centro de dados para um local de menor custo ou para uma área menos regulada (21% para ambas) foram as que recolheram menor apoio.

Os autores consideram, por fim, que “neste momento a disseminação destas iniciativas [de Green IT] está de tal forma desenvolvida que se torna necessário escolher os projectos que maior retorno aportarão às empresas”, sabendo-se que têm “um papel central no suporte à competitividade do negócio”. Mas é ainda “necessário um trabalho profundo interno e transversal nas organizações para reduzir a factura energética e ambiental que o actual paradigma empresarial apresenta. Especialmente nos dias de hoje tem-se assistido a um maior envolvimento das empresas na implementação de tecnologias verdes independentemente de todo o potencial de reconhecimento internacional repondo, assim, os valores do Green IT no prato positivo da balança”.




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