Cidades, telefones e interacções humanas

As interacções humanas tendem a aumentar consoante se viva numa grande ou pequena cidade, descobriram investigadores ao analisarem telefonemas em Portugal e no Reino Unido.

Os habitantes urbanos tendem a interagir e a ter mais contactos com mais pessoas do que ocorre em localidades mais pequenas. Se isto parece óbvio, um estudo feito com dados portugueses veio agora confirmar a ideia.

Em “The Scaling of Human Interactions with City Size”, vários investigadores liderados por Markus Schläpfer, do Massachusetts Institute of Technology, analisaram (de forma anónima) milhões de chamadas telefónicas em cidades de Portugal e Reino Unido e detectaram a relação entre as interacções sociais humanas e o tamanho da população das cidades.

Em Portugal, eles analisaram 440 milhões de chamadas de telemóveis durante 15 meses, enquanto no Reino Unido tiveram acesso a quase 8.000 milhões de chamadas na rede fixa durante um mês. Cruzaram os dados de localização, quer das torres para as comunicações móveis como da localização fixa (com a excepção da Madeira e dos Açores), para conceberem uma “rede de ligações entre indivíduos a partir da qual podiam ver o conjunto de contactos de uma pessoa e se os contactos estavam ligados a outros”, explica a Technology Review.

A conclusão foi que “pessoas que vivem em grandes cidades não apenas têm mais contactos mas acumulam-nos a um ritmo mais rápido”. Por exemplo, um habitante de Lisboa tem quase o dobro dos contactos de uma pessoa de Lixa. A revista concede, no entanto, que embora o estudo confirme a quantidade das interacções, não responde à razão porque tal acontece. Ou seja, “que conjunto de eventos provoca que uma pessoa em Lisboa acumule duas vezes mais contactos do que uma pessoa em Lixa”.




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