Investigadores da FCTUC vencem MIREX

Renato Panda e Rui Pedro Paiva venceram na categoria de tecnologia de classificação de emoções em música, do concurso internacional integrado na conferência ISMIR, a decorrer em Portugal.

Os investigadores Renato Panda e Rui Pedro Paiva, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acabam venceram a edição deste ano do concurso MIREX (Music Information Retrieval Evaluation eXchange). A vitória foi alcançada na categoria de tecnologia de classificação de emoções em música áudio.

A competição internacional é organizada anualmente pela comunidade científica de Music Information Retrieval (MIR), ou recuperação de informação musical. Integra-se na conferência ISMIR (International Society for Music Information Retrieval Conference) a decorrer até 12 de Outubro, no Porto – e pela primeira vez em Portugal. “É o evento por excelência onde a comunidade MIR avalia os avanços na área, com a participação de investigadores dos melhores laboratórios da área a nível internacional, tanto da academia como da indústria”, explicam Rui Pedro Paiva e Renato Panda.
No entanto, realçam os investigadores, “apesar desta importante vitória, ainda há muitos desafios por ultrapassar até que sistemas deste tipo possam ser utilizados em aplicações reais”. Salientam que a classificação de emoções em música através do computador é uma área de investigação muito recente. “Como a emoção é muito subjectiva e a extracção de descritores emocionais de áudio não é trivial, o processo é muito complexo», explicam os investigadores.

O algoritmo (programa informático) vencedor resulta de dois anos de investigação no âmbito do projecto “MOODetector – A System for Mood-based Classification and Retrieval of Audio Music”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, (FCT), diz um comunicado.

Uma equipa de nove investigadores da UC, liderada por Rui Pedro Paiva, está desenvolver um sistema de reconhecimento emocional em música que, no futuro, poderá ser aplicado em campos diversos: “selecionar música e gerar listas de reprodução com base em emoção, permitindo ao utilizador a escolha de músicas para fins específicos – por exemplo para a realização de exercício físico com músicas rápidas ou, no ponto oposto, músicas calmas e relaxantes que poderiam ser usadas para relaxar ou sessões de meditação”, dizem os investigadores.
Já na indústria cinematográfica, “seria mais fácil procurar músicas de acordo com uma cena que se pretenda criar, instigando medo, revolta, alegria e outro tipo de emoções no espectador, indústria publicitária, podendo procurar músicas específicas para captar os clientes desejados”. Mas as possibilidades não se esgotam por aqui: “na indústria dos videojogos o caso é semelhante, com a possibilidade de procurar músicas para aplicar em momentos específicos de forma a aumentar a tensão, marcar um momento de felicidade, revolta, etc”, ilustra Renato Panda.
A música “desempenha um papel de relevo na economia mundial, em virtude da sua importância em todas as sociedades humanas ao longo da história, e na sociedade digital em particular. Com os avanços tecnológicos da última década temos visto a quantidade de música digital disponível aumentar e é espectável que continue a crescer. Como tal, os repositórios de música digital necessitam de mecanismos de pesquisa mais avançados, flexíveis e amigáveis, adaptados aos requisitos de utilizadores individuais. Empresas de topo, como a Philips, a Sony e Gracenote têm planos de investigação bem definidos na área”, sustentam Renato Panda e Rui Pedro Paiva.




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