EUA não querem ceder controlo da Internet à ONU

Em Dezembro, Rússia e China devem propor que a ITU, ligada à ONU, substitua a ICANN nalgumas tarefas de regulamentação.

Os Estados Unidos indicaram que não estão dispostos a ceder o controlo da Internet à Organização das Nações Unidas (ONU).
Actualmente, a norte-americana ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers) é a responsável pela coordenação dos espaços de endereços IP, atribuição de blocos de endereços, manutenção de registos e gestão do espaço de nomes de domínio de topo. No entanto, há especulações de que a União Internacional de Telecomunicações (ITU, em inglês), – a agência da ONU responsável por incentivar o desenvolvimento das tecnologias de comunicação – queira assumir algumas dessas tarefas.
A ITU fará uma conferência no Dubai em Dezembro, na qual representantes de 178 nações foram convidados a rever as Regulamentações das Telecomunicações Internacionais (ITR), que definem como o tráfego deve fluir entre redes de telecomunicações em diferentes países.
Nessa conferência, a Rússia – cuja apresentação foi divulgada no site Wcitleaks.org – vai sugerir que a ITU seja responsável pelos endereços IP e sua alocação e pela “determinação dos requisitos necessários”. A proposta deverá ser apoiada por vários outros países, incluindo a China.
No entanto, os EUA publicaram a sua própria proposta para a conferência, manifestando a preocupação de que “as propostas de alguns outros governos podem levar a maiores encargos regulatórios a serem colocados no sector internacional de telecomunicações”.
O embaixador do país para a conferência, Terry Kramer, disse que “os Estados Unidos também acreditam que as existentes instituições multi-interessadas, indústrias e sociedade civil têm funcionado de forma eficaz e irá continuar a assegurar a saúde e o crescimento da Internet e de todos os seus benefícios”.
A ITU deixou claro que qualquer mudança no tratado deve ter um apoio unânime, e que irá bloquear membros que tentarem colocar qualquer assunto em votação. “Nós nunca votamos porque votar significa vencedores e perdedores e não é possível permitir isso”, disse à BBC o secretário-geral da ITU, Hamadoun Touré (na foto). “Algo que um único país não aceite, não irá passar”.
A batalha pelo controlo da Internet tem sido travada há já algum tempo e mostra poucos sinais de que irá diminuir. Esta questão foi um tema forte em debate no World Summit on the Information Society, da ITU, em 2003.




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