OpenStand: grupos de normas da Internet querem processos abertos

Cinco organismos de normas da Internet uniram-se para articular um conjunto de directrizes para a criação de normas abertas que dizem irá promover a inovação, a concorrência e a interoperabilidade na indústria da Internet.

O IEEE, o Internet Architecture Board (IAB), a Internet Engineering Task Force (IETF), a Internet Society e o World Wide Web Consortium (W3C) elaboraram uma língua comum com cinco princípios básicos para o desenvolvimento de normas ao longo dos últimos meses. Apelidado de OpenStand, esses princípios estão previstos como um paradigma moderno para processos globais e abertos de desenvolvimento de normas.
Os princípios OpenStand estão em nítido contraste com os esforços mais formais, liderados por governos, de organizações de normas rivais como a União Internacional de Telecomunicações (UIT) – um braço da Organização das Nações Unidas – e da Organização Internacional de Normalização (ISO), um grupo de organismos nacionais de normalização. Enquanto a UIT e a ISO têm representação nacional, grupos como o IAB e o IETF são compostos individualmente por engenheiros de corporações e universidades.
Os princípios OpenStand são:
– cooperação entre os organismos de normalização;
– adesão ao devido processo, amplo consenso, transparência, equilíbrio e abertura no desenvolvimento de normas;
– compromisso com o mérito técnico, interoperabilidade, concorrência, inovação e benefício para a humanidade;
– disponibilidade de normas para todos;
– adopção voluntária.
Os cinco organismos de normalização da Internet esperam influenciar novos grupos específicos do sector da tecnologia e países em desenvolvimento para adoptar os princípios OpenStand. Eles enfatizam que estes princípios têm sido bem sucedidos ao permitirem o crescimento da Internet ao longo dos últimos 25 anos.
“A normalização eficiente de tantas tecnologias tem sido a chave para o sucesso da Internet global”, disse Russ Housley, da IETF. “Estas normas globais foram desenvolvidas com um foco em direção à excelência técnica e desenvolvidos através da colaboração de muitos participantes em todo o mundo. Os resultados mudaram literalmente o mundo, superando tudo o que já foi conseguido através de qualquer outro modelo de desenvolvimento de normas”.
Entre as áreas emergentes onde os defensores gostariam de ver os princípios OpenStand adoptados estão os esforços em redes inteligentes (“smart grid”) na electricidade, iniciativas de gestão de identidades baseadas na cloud e esforços nos direitos digitais.
“Esperamos que os governos, indústrias e comunidades Open Source ouçam isto, bem como potenciais novos consórcios que queiram apresentar o que eles chamariam de normas”, disse Housley. “Vemos outros que ficam a meio sobre a abertura e que pensaram que ao serem fechados poderiam fazer algo mais rápido. O que temos vindo a perceber é que pode demorar um pouco mais por se ser aberto… mas tem-se uma melhor visualização da participação diversificada e, no final, quando a norma emerge, é melhor pensada e mais fortemente suportada”.
As organizações que optarem por seguir os princípios OpenStand podem inscrever-se como apoiantes no site do grupo.
“A minha visão é que, em cinco anos – independente de qualquer site da Web onde estejamos envolvidos -, teremos organizações que vão aceitar apenas produtos desenvolvidos com as normas que seguem os princípios OpenStand”, disse Leslie Daigle, director de tecnologia da Internet para a Internet Society. “Espero que isto tenha uma vida própria”.




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