CEO da Yammer antevê fim do actual Silicon Valley

Na sua opinião, é cada vez mais difícil ter boas ideias. Investidores de capital de risco como Marc Andreessen, presidente da Opsware, discordam.

Silicon Valley, “como o conhecemos”, está a chegar ao fim, afirma David Sacks (na foto), CEO da Yammer, uma plataforma de colaboração que foi vendida à Microsoft por 1,2 mil milhões de dólares em Junho.
Recentemente, ele iniciou um debate na sua página no Facebook, afirmando que novas e boas ideias estão a escassear. Para criar uma empresa nova que tenha sucesso, uma “start up” precisa de uma ideia que:
(1) tenha escapado à atenção das principais empresas da Internet, que são agora melhor geridas;
(2) seja capaz de ser lançada e demonstrada por cerca de cinco milhões de dólares – o valor típico de um investimento-semente, e
(3) possa ser protegida das investidas dessas grandes empresas, quando elas descobrirem o que se está a fazer. “Quantas ideias destas existem?”, questiona Sacks.
A sua mensagem atraiu um conjunto de contestações de grandes nomes no capital de risco. Marc Andreessen, presidente da Opsware, foi particularmente veemente, observando que grandes e velhas empresas de tecnologia são frequentemente incapazes de investir em novas ideias porque estão viciadas em fluxos de receitas dos seus negócios actuais e não querem atrapalhar esses negócios.
Os comentários de Sacks são relevantes porque a Yammer foi um dos primeiros e maiores defensores das redes sociais nas empresas. Pegou numa ideia do mundo do consumo – estabelecer ligações digitais, com base em interesses comuns e experiências partilhadas – e levou-a para o mundo dos negócios. Funcionou e, em menos de quatro anos, a Yammer obteve quatro milhões de utilizadores corporativos e a sua receita mais que duplicou a cada ano.
Como a plataforma provou, é exactamente de onde novas ideias virão: dos utilizadores. Funcionários “tropeçarão” em ferramentas úteis e novos produtos nas suas vidas pessoais, pelo que vão querer utilizar ferramentas similares no trabalho. As empresas que permitirem essa transição, como o Yammer fez, poderão ter sucesso.
Dito isto, Sacks está a ecoar um sentimento comum expresso na comunidade de negócios de Silicon Valley nos últimos seis meses: é muito difícil a “sart ups” resistirem a grandes aquisições.
Ao longo dos últimos dois anos, a Google vem comprando activamente pequenas empresas – fez mais de 50 aquisições de companhias ou activos de empresas em 2011, e muitos eram pequenas equipas e propriedade intelectual (PI), e não produtos.
Agora que o Facebook está em bolsa, também tem mais dinheiro para aquisições. E além da sua compra por 1000 milhões de dólares do serviço de partilha de fotografias Instagram, as aquisições do Facebook tendem a seguir o mesmo padrão da Google: compra as pessoas inteligentes e PI valiosa e, depois, termina com o produto original.
Sacks não está a dizer que não haverá mais grandes ideias. Está simplesmente a apontar que as boas ideias, por vezes, requerem uma grande quantidade de fundos durante um longo período de tempo antes de se transformarem em empresas lucrativas. Nesse período, pode ser muito difícil para uma “start up” dizer aos seus investidores para recusarem uma oferta de compra de um múltiplo de muitas vezes a sua receita e aguardar que aconteça uma grande reviravolta.
(Citeworld/IDG Now!)


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